A sustentabilidade constitui requisito indispensável para o êxito de qualquer atividade econômica. Na indústria do alumínio, ela é atualmente trabalhada em todas as etapas do ciclo de vida, da extração da bauxita - o minério do qual se origina esse metal - à reciclagem. É o que mostra a série de matérias apresentadas a partir dessa edição da revista Alumínio. Embora pouco se divulgue, extrair a matéria-prima da natureza pode fazer parte de um processo sustentável, e o projeto implementado pela Alcoa, no município paraense de Juruti, é um dos melhores exemplos. Ali está localizada umas das três maiores jazidas de bauxita do mundo, com reservas estimadas em 700 milhões de toneladas do minério. Encravada no coração da floresta amazônica, e acessível somente por barcos ou pequenos aviões, Juruti tem 15 mil habitantes na área urbana e outros 28 mil na zona rural. "A sustentabilidade apoia-se em três pilares: responsabilidade social, excelência ambiental e sucesso financeiro", destaca Tiniti Matsumoto Jr., gerente geral de desenvolvimento da mina de Juruti. Várias ações materializam a aplicação desse conceito. E, na responsabilidade social, há um pressuposto básico: a região não pode depender da Alcoa. Por isso, a empresa criou ali o Conselho Juruti Sustentável, composto por representantes da sociedade civil organizada, da iniciativa privada, e do poder público. "Esse órgão deve planejar o futuro de Juriti em diversas áreas, como educação, saúde, segurança e atividades econômicas", cita Matsumoto. O Conselho participa da formulação de um Plano de Prevenção da Violência em Juruti, no qual já se engajaram diversos habitantes locais, entre eles, professores, jovens e taxistas. Também apoiou a realização da Campanha Paz no Trânsito e o Dia da Amazônia, dedicado à conscientização ambiental do público juvenil. A Alcoa também contratou a Fundação Getúlio Vargas para uma análise dos indicadores ambientais e sociais de Juruti. "Os indicadores levantados nessa análise subsidiarão o trabalho do Conselho", conta Matsumoto. E, em parceria com a ONG Peabiru, criou a Escola Juruti de Sustentabilidade, cujo foco é a capacitação de representantes de organizações públicas e da população para a elaboração de projetos que necessitam de financiamento. Para auxiliar nessa busca por financiamentos, o Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), foi contratada como agente de arrecadação de fundos destinados a projetos de sustentabilidade desenvolvidos pelas comunidades da região. Com uma doação de R$ 2 milhões, a própria Alcoa inaugurou esses fundos. Natureza e sociedade A questão ambiental não poderia ser relegada a segundo plano, especialmente na Amazônia, que está no centro dos debates referentes à preservação ambiental do planeta. Por isso, todo o projeto da estrutura física do empreendimento da Alcoa em Juruti foi desenvolvido para causar o menor impacto possível no meio ambiente. "Recebemos autorização para retirar a vegetação de 1,2 mil hectares de vegetação, mas retiramos apenas 800 hectares", conta Matsumoto. Em Juruti, a extração da bauxita será realizada em lâminas de aproximadamente um quilômetro de extensão por 100 metros de largura. A terra retirada de uma lâmina servirá para cobrir a anterior. E, quando essa lâmina já utilizada estiver totalmente preenchida, será novamente recoberta com vegetação nativa, e simultaneamente enriquecida com vegetais capazes de gerar retorno econômico para a população local. Para melhor satisfazer a demanda de preservação ambiental, a Alcoa também elaborou diversos Planos de Controle Ambiental (PCAs), aos quais já foram destinados cerca de R$ 50 milhões. Entre eles, incluem-se ações de qualificação da mão de obra ali existente e programas de criação de peixe e agricultura familiar. Em parceria com a prefeitura de Juruti, a empresa também realizou diversos investimentos na infraestrutura local, construindo e equipando unidade de saúde, delegacias, escolas, vias de acesso e sistemas de abastecimento de água. As obras de estruturação da operação da Alcoa em Juriti tiveram início em 2006. Em outubro de 2008, trabalhavam ali aproximadamente 9,5 mil pessoas. Até o final de 2010, o investimento total no empreendimento atingirá R$ 3,4 bilhões. O projeto abrange quatro grandes setores: área de lavra ou mineração; planta de beneficiamento; uma ferrovia e uma rodovia (cada um com 55 quilômetros); um terminal portuário localizado a dois quilômetros da zona urbana do município. Desse terminal, o minério será enviado para o Maranhão, onde está localizada a Alumar, refinaria do mesmo grupo responsável pela produção do alumínio. A concepção e a operação desse projeto foram desenvolvidas em parceria com instituições e ONGs reconhecidas, como o Museu Paraense Emilio Goeldi, o Instituto Ethos de Responsabilidade e a Conservação Internacional (CI). |