Razões ambientais e econômicas tornam cada dia mais relevante a atividade de reciclagem de fios e cabos de alumínio. Essa atividade, no entanto, exige de seus fornecedores tanto tecnologia quanto credibilidade: afinal, eles precisam garantir que o material com o qual trabalham (fio ou cabo) não voltará a ser empregado em sua função original - a reciclagem ocorre justamente porque o produto final não passou pelo controle de qualidade do fabricante, ou porque fatores como a fadiga tornaram-no inadequado para a distribuição de energia. Há quatro anos, o Laboratório de Reciclagem e Extração do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, (Poli/USP) desenvolveu um método de reciclagem de fios e cabos fundamentado nas diferenças de densidade entre seus componentes. O material a ser reciclado é triturado, e os pedaços resultantes desse processo são inseridos em um tubo com água denominado enutriador, que separa o plástico do alumínio. Mercado em ação Há, porém, outras possibilidades de reciclagem, como aquela empregada pela empresa Cicloligas. Em vez de utilizar a imersão em líquido, reúne sistemas de exaustão e eletromagnetismo na estruturação de um processo único, no qual fios e cabos são colocados em uma extremidade dos equipamentos e, na outra, alumínio e plástico isolante já saem separados e picotados. Essa tecnologia, afirma Luiz Eduardo Higashi, gerente de marketing da Cicloligas, oferece às concessionárias de energia elétrica e fabricantes de cabos de alumínio um método de reciclagem e descaracterização dos produtos simultaneamente eficaz e transparente. "Como há uma única linha contínua de processamento, é possível verificar visualmente e dimensionalmente toda a atividade de trituragem e separação dos polímeros e dos metais", explica. O alumínio retorna ao mercado pelas empresas recicladoras, que o aplicam em ligas para confeccionar peças estrudadas, laminadas ou fundidas, pó de alumínio e alumínio líquido, tarugos e vergalhões, entre outros produtos. A Cicloligas tem capacidade para processar, por mês, 1,5 mil toneladas de fios e cabos e possui diversas certificações destinadas a comprovar um trabalho em conformidade com as melhores práticas industriais e ambientais, e oferece aos fornecedores dos fios e cabos com os quais trabalha certificados destinados a atestar a descaracterização desses produtos a partir de preceitos éticos e ambientalmente sustentáveis. Para Higashi, em médio prazo crescendo a consciência da necessidade de descaracterizar aqueles não mais adequados ao aproveitamento, pode haver no Brasil índices bastante substanciais de reciclagem de fios e cabos. "E, assim como já ocorre com os pneus, queremos uma lei para tornar obrigatória a descaracterização de fios e cabos não mais adequados à utilização original", afirma. |