Excelência com responsabilidade


Edição 22
As refinarias de alumina levam desenvolvimento às regiões onde atuam, sem perder de vista a qualidade de vida local
Por Antonio C. Santomauro

Após ser retirada de suas reservas naturais, a bauxita - matéria-prima de onde se origina o alumínio -, é submetida a um processo chamado refino, no qual é obtida uma substância denominada alumina, base da produção do alumínio metálico. À exemplo de todas as etapas que compõem o ciclo de vida do metal, o refino também pode ser trabalhado de acordo com os mais modernos preceitos de respeito ao meio-ambiente e aos valores sociais e éticos. Assim mostra esta, que é a segunda matéria da série desenvolvida pela revista Alumínio para mostrar a preocupação com a sustentabilidade hoje existente em todas as etapas do processo de produção de alumínio, da extração da bauxita à reciclagem.

Materializa essa possibilidade a operação da Alunorte, refinaria de produção de alumina localizada no município de Barcarena, no Pará. Com capacidade produtiva de 6,26 milhões de toneladas por ano, é a maior produtora de alumina do mundo, e destina 85% de sua produção ao mercado interno.

Na Alunorte, a chamada 'lama vermelha' - principal resíduo do processo de obtenção da alumina - é trabalhada por meio de uma tecnologia de deposição denominada dry stacking. que, ao utilizar o conceito de 'depósito', em vez do conceito mais comum de 'lago', proporciona melhores condições de segurança e estabilidade na operação. "Essa tecnologia também permite sensível redução no consumo de soda cáustica, e tem segurança ambiental proporcionada pelo sistema de revestimento com manta de polietileno de alta densidade", esclarece Daryush Albuquerque Khoshneviss, diretor industrial da Alunorte.

Além disso, toda a água presente na polpa de bauxita enviada através do mineroduto - em torno de 1.000 metros cúbicos por hora - é reutilizada no processo produtivo da Alunorte, que trabalha ainda seus efluentes industriais através de um aparato com capacidade de tratamento de 6.500 metros cúbicos por hora. "A qualidade desses efluentes segue padrões rígidos de controle ambiental", afirma Khoshneviss.

Na unidade de refino mantida pela CBA no município paulista de Alumínio, com capacidade para processamento de 1 milhão de toneladas anuais de óxido de alumínio (nome técnico da Alumina), são tratadas todas as fontes de poluição atmosférica. A energia elétrica consumida é integralmente proveniente de usinas hidrelétricas, sendo que cerca de 70% dessa energia provém de sistemas próprios de geração.

Lá existe, ainda, um circuito fechado apto a reaproveitar toda a água - Capaz, inclusive, de captar água de chuva, sempre que necessário. "Na gestão de seus resíduos, a CBA busca oferecer-lhes destinação mais nobre, seja no aproveitamento como insumo energético, matéria-prima em outros processos, ou via reciclagem", conta Saulo Moreira, gerente-geral da Sala Fornos e Tecnologia da fábrica da CBA.  "A empresa utiliza equipamentos de alta tecnologia, com baixo consumo específico de matérias-primas e insumos como água, combustíveis e energia elétrica", complementa.

Cidadania e conscientização

As estratégias das empresas dedicadas ao refino da bauxita não abrangem apenas os aspectos ambientais da sustentabilidade: também englobam valores associados à cidadania e à responsabilidade social. A Alunorte, por exemplo, promove na região onde atua projetos como o Plasticultura, por meio do qual os tubos de trocadores de calor, que seriam descartados pela refinaria, são aproveitados como matéria-prima para a fabricação de estufas capazes de permitir à comunidade local plantar e vender alface em qualquer estação do ano.

A empresa apoiou a criação de uma cooperativa local de pescadores, cooperativa de costura. Entre outros projetos sociais da Alunorte, o gerente-geral cita, ainda, o 'Alunorte Cidadania'. Esse projeto já ofereceu à população da região mais de 12 mil atendimentos nos mais diversos serviços, como consultas médicas e odontológicas, avaliação física e emissão de documentos.

As refinarias trabalham também para conscientizar colaboradores e comunidades sobre a importância da sustentabilidade. Na CBA, foi montado um espaço especificamente dedicado à vertente ecológica dessa conscientização: o CVA (Centro de Vivência Ambiental), que desde novembro de 2007 já recebeu mais de 163 mil visitantes, principalmente crianças e jovens.

 
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