O desejo de muitos, que olhavam estupefatos para a grande novidade que pairava sobre os ares, era poder estar a bordo de um deles. Os dirigíveis pareciam inaugurar uma nova era para aviação da Europa, na década de 1920. Muitos planos audaciosos envolviam a fabricação dos gingantes voadores. As estruturas eram de ferro, chegavam a ter 245 metros de comprimento ou mais, o gás utilizado para a sustentação do dirigível no ar era o hidrogênio. Na época, considerados máquinas de alta tecnologia, os zeppelins voavam sob o céu da Alemanha e já estavam expandindo seus horizontes, mas não tiveram sucesso. Em 1937, criado pelo conde alemão Ferdinand von Zeppelin, o LZ 129 Hindenburg pegou fogo pouco antes de pousar em Nova Jersey, nos Estados Unidos, deixando 36 mortos. Era o fim da era dos zeppelins. A indústria até deixou de investir em novos projetos e as máquinas voadoras caíram no esquecimento. Entretanto, o mito de que os dirigíveis eram potencialmente perigosos ficou para trás. Prova disso é a nova geração dos NT Zeppelin. Mais modernos e com estrutura menor, os novos dirigíveis têm grandes chances de decolar para diferentes mercados, como o turismo e o transporte de cargas, deixando de serem apenas usados para propaganda. O segredo do novo fôlego está nos materiais usados nesses modelos. A estrutura dos dirigíveis é de alumínio. Graças às qualidades que o metal possui os projetos não demorarão a sair do papel. Com um material mais leve e, ao mesmo tempo, resistente é possível construir dirigíveis que sejam capazes de transportar cargas de até 30 toneladas. E isso é apenas uma das vantagens. Com o alumínio, as estruturas poderão ser projetadas de forma mais aerodinâmica, permitindo que os dirigíveis se tornem mais rápidos e mais estáveis. Aliado às estruturas desenvolvidas com o metal, está o gás hélio, que não é inflamável e oferece mais segurança aos passageiros. A capacidade de transporte de pessoas, contudo, será reduzida para 10 por viagem. O glamour da década de 1920 também será reduzido nos novos modelos. O luxo deixa de estar dentro dos dirigíveis: o ponto alto da viagem serão as belas paisagens. Turismo luxuoso Empresas já sondam lançar rotas de passeio na Ásia, na Europa e no Brasil, a 21st Century Airship é a mais envolvida nesse processo. Algumas cidades do mundo já embarcaram na novidade como Tóquio e Osaka, no Japão, e Atenas, na Grécia, onde esses passeios são oferecidos por mais de mil dólares por duas horas de voo. Outras linhas internacionais também estão em negociação, como a que liga Londres a São Francisco, e outra que pretende sair também de Londres e chegar ao Rio de Janeiro. Outro projeto mais ousado, ainda, é lançar hotéis flutuantes de altíssimo luxo, com restaurante cinco estrelas, academia, spa e biblioteca. Desenvolvido pela empresa de tecnologia aeroespacial Onera, em parceria com o arquiteto Jean-Marie Massaud, o Manned Cloud terá capacidade para 40 hóspedes e deverá ficar pronto até 2020. O custo do hotel flutuante deve ser de US$15 bilhões e cada passagem sairá em torno de 20 mil dólares. |