Presença nas universidades


Edição 23
Parcerias entre Abal e universidades levam o alumínio para a grade curricular
Por Fabiana Ortega Vasconcelos

Um novo espaço de atuação ganha contornos cada vez mais definidos para a indústria do alumínio: as salas de aula. Para estimular o uso e a descoberta de novas aplicações do metal, a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), por meio do Projeto Abal Alumínio nas Escolas, tem levado o conhecimento do metal aos futuros profissionais do país. "O alumínio não é conhecido nos meios acadêmicos. Pouco se fala dele nas escolas de engenharia", explica o Coordenador do Projeto Ayrton Filleti.

Iniciado no "III Encontro de Engenharia de Materiais da Universidade Presbiteriana Mackenzie & Exposição: Alumínio para Futuras Gerações", em 2006, o projeto Alumínio nas Escolas é realizado nacionalmente. Atualmente, viabiliza palestras, workshops e apoia  programas técnico-científicos em universidades e escolas técnicas para contribuir com a formação de profissionais habilitados a transformar o alumínio em soluções para o mercado. Por isso, a importância da introdução de informações sobre o metal nos meios acadêmicos. "Os currículos são muito tradicionais. Por outro lado, desde a década de 1960, houve um aumento enorme do uso do alumínio na sociedade", aponta Filleti.

A importância e as vantagens do metal para indústria, consumidor e meio ambiente formam a principal mensagem do projeto.  "Este tipo de iniciativa da Abal é de suma importância. Dificilmente encontramos nas empresas profissionais que tenham formação técnica específica em alumínio. A grande maioria dos especialistas tem conhecimento prático, adquirido ao longo dos anos de atuação nessa indústria. Poder contar com jovens profissionais bem capacitados abre caminho para novos desenvolvimentos e investimentos do setor" explica a engenheira de materiais Kaísa Couto Machado, assessora técnica da Abal.

Extensão no Belas Artes

A parceria da Abal com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo existe há dois anos. E agora, mais um passo acaba de ser dado para fortalecer esse laço. Assinado no começo do ano, mais um convênio de cooperação técnico-científica dará continuidade ao objetivo de difundir processos e produtos de alumínio no meio acadêmico. A parceria também envolveu as associações de cimento, construção metálica, vidro plano e PVC para a criação do Projeto Arkhi-Arquiteto, por meio do qual foi lançado o curso de Extensão Universitária "Sistemas Construtivos: Processos, Materiais e Produtos"

O projeto Abal Alumínio nas Escolas é responsável pelo módulo "Alumínio', que oferece aos alunos a oportunidade de renovar e ampliar seus conhecimentos sobre o metal. Com início em março, o curso, voltado para as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Design de Interiores e Engenharia Civil é oferecido em cinco ciclos consecutivos, cada um deles ministrado por professores indicados pelas parceiras.

"A Abal, já há alguns anos, tem um projeto estruturado para levar o alumínio às universidades e esse curso especificamente quer conscientizar o profissional de arquitetura e urbanismo sobre as potencialidades do alumínio, que é um metal leve, moderno e versátil, e cujas propriedades de reciclabilidade, elevada vida útil e baixa manutenção fazem dele um material indispensável para os empreendimentos sustentáveis", diz Magda Reis, arquiteta e mestre em arquitetura e urbanismo, profissional da Companhia  Brasileira de Alumínio - CBA e coordenadora técnica do Módulo Alumínio

Para Ayrton Filleti, Coordenador do Projeto Abal Alumínio nas Escolas, o curso visa preparar o profissional para atuar com o alumínio como opção no mercado. "Tivemos uma grande vitória com o projeto no Belas Artes. O curso vai falar de todo tipo material que arquiteto tem de saber usar para fazer o projeto e, dentre estes materiais, está o alumínio. O objetivo básico é oferecer uma base tecnológica para que, quando o profissional estiver dentro da indústria, pense o alumínio como alternativa de material", ressalta Filleti.

"O apoio e a participação direta da Abal permite maior aproximação da indústria - e de suas reais necessidades - com o meio acadêmico, contribuindo para a formação de profissionais que possam transformar a matéria-prima alumínio em soluções para o mercado. Que eles estejam habilitados a usar adequadamente o metal e a explorar as suas potencialidades", aponta Kaísa.

Aula inaugural

No dia 10 de abril, os alunos participantes do curso de Extensão Universitária "Sistemas Construtivos: Processos, Materiais e Produtos", como parte do Projeto Arkhi-Arquiteto, tiveram a aula inaugural do módulo "Alumínio" no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Com o tema "Fundamentos do alumínio", a aula foi ministrada pelo professor Marcelo Gonçalves, engenheiro metalurgista, mestre em engenharia metalúrgica, Ph.D. em metalurgia e pesquisador sênior do Centro de Tecnologia de Processos e Produtos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), convidado pela Abal. "Os professores vêm da indústria, com ênfase empresarial, industrial e tecnológica; e eu sou a pessoa dos fundamentos, que fala das coisas conceituais. Por isso fui convidado para a aula inaugural, por conta do meu histórico de trabalho com pesquisas em alumínio e cursos que já dou há muito tempo", explica Marcelo Gonçalves. "Existe uma certa dificuldade da inclusão de uma disciplina como Alumínio, pois as escolas já têm o programa montado e é difícil encaixar a disciplina. Dessa forma, a viabilidade está no curso de extensão, na pós-graduação, fora do currículo normal. A Abal tem feito um trabalho para fomentar a produção e utilização do alumínio."

Gonçalves apresentou aos alunos o objetivo do Projeto Alumínio nas Escolas, destacou sua importância para a formação dos profissionais e fez uma explanação da atuação da Abal. O engenheiro também explicou as principais aplicações do metal, a história da metalurgia e do alumínio. A aula ainda destacou a atividade da indústria brasileira do setor e o mercado de importação e exportação, estimulando os alunos a pensar no metal como uma opção de material para trabalhar.
A opção já despertou interesse na estudante Maurimar Coelho, do nono semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo do Belas Artes.  "Para nós, que estamos entrando no mercado agora, é importante ter informações mais detalhadas sobre o alumínio, pois a universidade proporciona apenas uma noção básica. E o que percebi é a enorme variação de aplicações que a gente pode ter com esse material", explica. A estudante está com expectativas positivas sobre o curso. "Espero sair daqui com clareza do que usar e como usar - fazê-lo de uma forma mais racional ao longo do que eu for criando, levando em conta custo e meio ambiente", destaca Maurimar.

"O aluno tem de ter formação e informação. O único caminho é esse: capacitar e gabaritar os recursos humanos oferecendo cursos ou seminários e palestras. A pessoa que souber trabalhar com alumínio tem vantagem, sairá na frente", conclui Gonçalves.

Mestrado no Mackenzie

O engenheiro e professor da universidade, Antonio Augusto Couto, conta que a Abal tem apoiado o Mestrado em Engenharia de Materiais por meio de várias ações - por exemplo, com a participação em palestras, ministrando algumas aulas, fornecendo material de pesquisa, disponibilizando visitas técnicas nas empresas associadas e abrindo outros cursos aos alunos. A parceria, segundo Couto, visa consolidar os conhecimentos tecnológicos, capacitando o profissional da área de engenharia de materiais e correlatas na produção de conhecimento e na pesquisa de problemáticas específicas a sua área de atuação. "O Convênio de Cooperação Técnica e Científica entre a Abal e o Mackenzie abrange o desenvolvimento conjunto de programas e projetos de engenharia, assistência técnica, pesquisa tecnológica, capacitação e desenvolvimento de pessoal em áreas de interesse mútuo", destaca Kaísa.

O mestrado abriu a primeira turma em 2007 e já formou 20 alunos. É profissionalizante, voltado principalmente para o pessoal da indústria. Com duração de dois anos, com duas aulas semanais e turma de, no máximo, 20 alunos por semestre, o curso tem como meta a busca da produção do conhecimento aplicada a um projeto do campo de investigação e atuação em Engenharia de Materiais.


Resultados na prática

O interesse por parte dos alunos também é apontado pelo professor Antonio Couto. "A busca pelo mestrado tem aumentado. Até agora, dois alunos já defenderam tese e o tema foi alumínio. O fato de o programa de mestrado profissionalizante ter uma disciplina específica sobre o alumínio e uma linha de pesquisa no metal bem caracterizada, aumenta a possibilidade de desenvolvimento profissional relacionado ao setor", destaca Couto.

Este desenvolvimento já pode ser visto na resposta do próprio mercado. "Uma parceria com a Magneti Marelli Cofap para desenvolver camisas de cilindro automotivo da liga Al-Si centrifugada já gerou um pedido de patente. Esse tema também originou dois projetos de pesquisa financiados: um Universal 2009 do CNPq e um pelo MackPesquisa (Fundo Mackenzie de Pesquisa)", lembra o professor.

E as expectativas do professor são positivas. "Desde que o Mackenzie firmou convênio com a Abal em 2006, as atividades relacionadas com o alumínio têm aumentado consideravelmente. Que mais profissionais vindos do setor do alumínio optem por fazer o mestrado. Desta maneira, mais pesquisas e desenvolvimentos relacionados com o alumínio podem ser executados, resolvendo problemas tecnológicos de interesse das empresas em conjunto com a formação de recursos humanos", comenta Antonio Augusto Couto, engenheiro e professor no Mackenzie.

 
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