Criada unicamente para proteção e transporte de produtos, hoje, a embalagem assume valores e funções diferenciadas, evoluindo muito em resposta aos produtos cada vez mais sofisticados e de grande qualidade disponíveis no mercado. E o alumínio tem reinado na contribuição desse processo de evolução, sofisticação e mudança das embalagens, alinhado às necessidades e exigências do consumidor. "Como o consumo está crescendo de forma geral no Brasil, o mercado para embalagens de alumínio também. O consumidor está ficando mais exigente, e vai demandar cada vez mais valor agregado e qualidade visual dos produtos", afirma Gustavo Senna Chelles, engenheiro e designer industrial, diretor da Chelles & Hayashi Design, que trabalha com design de embalagens com alumínio para fármacos, cosméticos e cuidados pessoais. O setor vem trabalhando a todo vapor para acompanhar o desenvolvimento da indústria de alimentos, bebidas, entre outros segmentos. Para este ano, os empresários esperam um crescimento médio de 10%. Para alguns, pode ultrapassar 20%. "Exceto o mercado de embalagens, que cresceu no ano passado, todos os outros setores apresentaram crise, em 2009. A expectativa é de um boom nesse mercado, acima de 20% de crescimento, ainda em 2010", afirma Mauro Moreno, vice-presidente de vendas, marketing e planejamento da Novelis do Brasil, empresa líder global em laminados de alumínio, única fabricante no país da chapa que serve como matéria-prima para produção de latas de alumínio para bebidas. Moreno destaca alguns fatores que podem contribuir para este crescimento: "Melhoria de poder aquisitivo da população; material leve, que oferece facilidade para transportar; não mancha, não corta e traz individualidade", completa. A indústria de embalagens está em plena evolução. Quer tornar seus produtos mais atraentes, práticos e funcionais, e usa a vitrine das feiras para mostrar. A Feira Internacional de Produtos e Serviços para Alimentação Fora do Lar, Fispal Food Service, realizada em São Paulo, movimentou cerca de R$ 3 bilhões em negócios no ano passado, em sua 25ª edição, com 62.300 visitantes. Recebeu mais de 1.500 expositores, superando o número de 2008, além de concursos e seminários promovidos. "A alimentação fora do lar é um mercado em ascensão. Prova disto foi a visitação intensa da edição de 2009 e a satisfação de nossos expositores com os contatos e negócios fechados", afirma o presidente da Brazil Trade Shows (BTS), Marco Antonio Mastrandonakis. Design em cosméticos O alumínio favorece a inovação. Acabamentos diferenciados, variações de formas, aplicações e design criativo são apenas algumas possibilidades. "O alumínio permite diferentes acabamentos: fosco, polido, colorido e envernizado. Ele é leve, facilmente moldável, resistente e, por todos esses motivos, dá uma sensação de tecnologia e alto valor agregado. Por outro lado, também pode ter um visual tradicional e rústico, dependendo da forma de aplicação", aponta Chelles. A Chelles & Hayashi Design atende exclusivamente, no setor de cosméticos, a Natura desenvolvendo projetos com acabamentos em alumínio, tanto para válvulas quanto para frascos, como os frescores da linha Ekos. Produtos e suas respectivas embalagens já não podem mais ser planejados separadamente. Segundo pesquisa da POPAI-Brasil, cerca de 85% das decisões de compra são tomadas no ponto de venda. Sendo assim, além de preferências por determinadas marcas e qualidades do produto, quanto mais apelo a embalagem apresentar, mais chances terá o produto de ser adquirido. Não por acaso, a indústria da embalagem investe cada vez mais em design, caso da categoria Desodorantes, da Unilever. "As marcas sempre procuram trazer novidades. Embalagens de alumínio inovam em diferentes formas e desenhos", destaca Daniel Gonzalez, gerente de Packaging Deos, da Unilever, que trabalha no desenvolvimento do formato das embalagens 100% alumínio dos desodorantes e antitranspirantes no aplicador aerossol.
As características do metal permitem inovações, bons resultados da funcionalidade dos produtos e despertam interesse do consumidor. "O alumínio tem uma boa flexibilidade, que permite criar novas tecnologias para dar forma à embalagem. Para cada desenho, são necessárias diferentes ferramentas. No caso de aerossol, o material proporciona boa resistência à pressão. Os clientes recebem bem os produtos em embalagens de alumínio; associam-na à robustez e alta qualidade", completa Gonzalez, da Unilever. A Jequiti, marca de cosméticos com portfólio de 420 produtos, vende cerca de três milhões de unidades mensais. Do empresário Silvio Santos, a Jequiti pretende atingir R$ 400 milhões em vendas, em 2010, e aumentar para 530 o número total de produtos. Utiliza o alumínio em diversas embalagens: nas bisnagas de creme para mãos e pés, como as da linha Erva Doce Mais; em tampas das colônias desodorantes da linha Caminho das Águas, e nos colares das válvulas de embalagens para os sabonete líquidos Erva Doce. "Os principais aspectos levados em conta na hora da escolha do alumínio são a estética e a qualidade. O material ainda aumenta o valor percebido do produto, a atratividade visual. Utilizamos alumínio com 99,5% de pureza", destaca Mariana Nogueira, coordenadora de P&D de embalagens da Jequiti. Com início em 1937, na Grécia, a Aspa Cosméticos produz cerca de 400 itens diferentes em sua fábrica localizada no Rio de Janeiro. São hair sprays, desodorantes, musses, cremes de barbear, produtos de higiene pessoal, desodorantes bucais, antitranspirantes, entre outros, todos em embalagens de alumínio. "Ela confere elegância e status ao produto. Além disso, é a que melhor se adapta às fórmulas dos produtos, é facilmente decorável, leve e pode assumir formatos inusitados", ressalta Demetre Giokaris, presidente da Aspa Cosméticos. A marca, que utiliza cinco milhões de embalagens em alumínio anualmente, não para de investir em inovações. "A Aspa foi a primeira a trazer a inovação de garrafa de alumínio em substituição à de plástico", destaca. Ele conta que a empresa também está saindo na frente com uma válvula especial. "Possui uma bolsa pendurada, em que o produto nem toca nas paredes de alumínio. Isso possibilita a utilização de matérias-primas absolutamente impensáveis anteriormente, por serem altamente reagentes com este metal", explica. Giokaris acrescenta que, ultimamente, diversas tecnologias têm sido desenvolvidas pela Aspa - parede mais forte e mais fina com alumínio mais duro, através de processo especial; paredes com tecnologia de alto e baixo relevo; impressão em até nove cores; formatação de gargalos com terminações para cravar válvulas de aerossol ou para rosquear tampas, entre outras. "As vantagens do alumínio para a fabricação de embalagens são resistência, acabamento, eficiência, beleza, praticidade. É um material que não enferruja e é reciclável", aponta Edson Gomes, gerente comercial da Tubocap, fabricante de tubos e bisnagas em alumínio para o setor de cosméticos, fármacos, químicos e de alimentos. Com uma produção de 150 milhões de unidades ao ano, entre tubos e bisnagas, praticamente em 100% alumínio puro, a Tubocap atende perto de 200 clientes, entre eles, Boticário, Natura, Cera Johnson, Niely, Colgate, IGL, BomBril, Aché, Jequiti, Baruel, Leite de Rosas, A Suissa e Memphis. Segurança nos fármacos E não são somente os cosméticos que ganham vantagens com embalagens em alumínio. O metal também ganha destaque no setor farmacêutico. "O alumínio é barreira total ao oxigênio, luz e água, portanto, oferece maior proteção e segurança ao produto; consequentemente, mais vida útil", destaca Lúcia Decot Sdoia, diretora de Gestão Integrada, Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Bispharma Packaging. Além disso, acrescenta, "as bisnagas de alumínio, que são flexíveis, ao serem apertadas para retirada do produto, não possuem o que chamamos de 'efeito memória', ou seja, não há retorno de ar para dentro da embalagem" - caso de outras bisnagas. "Portanto, os produtos farmacêuticos sensíveis a este contato, não sofrem degradação", afirma. Com consumo de, aproximadamente, 1.200 toneladas por ano de alumínio, a Bispharma Packaging produz, mensalmente, 15 milhões de bisnagas do metal. "Ele é infinitamente reciclável, oferecendo uma economia considerável ao meio ambiente e estando de acordo com a visão sustentável que o mundo moderno pede", acrescenta Lúcia. Se a embalagem não for apropriada, ela pode estragar o seu conteúdo, por isso, a importância da barreira contra a contaminação em produtos. É preciso atentar ao comportamento reativo dos produtos a serem embalados. Suas características físico-químicas podem estar relacionadas com possíveis interações com o material da embalagem. "As bisnagas de alumínio podem ser utilizadas para armazenamento de qualquer forma farmacêutica semi-sólida, como pomadas, cremes e géis e que podem conter diversos princípios ativos que devem ser testados para avaliação da estabilidade deles na embalagem", aponta Lúcia Decot Sdoia, da Bispharma Packaging. Ela ainda lembra que a avaliação da estabilidade do produto ou fármaco na embalagem é um procedimento obrigatório para a indústria farmacêutica antes do lançamento de qualquer produto no mercado, sejam eles líquidos, sólidos ou semissólidos. "As bisnagas de alumínio são herméticas e invioláveis. Estas propriedades ajudam a trabalhar com produtos mais naturais, pois garantem melhor conservação de essências, cor e aparência. Outra vantagem percebida pelo consumidor é a maior facilidade de tirar o produto até a última dose", descreve a diretora. A Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. também aposta nos benefícios do metal para garantir segurança dos fármacos embalados. "A principal vantagem da utilização de embalagens em alumínio para produtos farmacêuticos em blisters, bisnagas e tubos é a proteção contra a umidade, uma vez que não apresentam oxidação. As embalagens em alumínio podem armazenar todo tipo de fármaco. Porém, são direcionados para este tipo de embalagem produtos que exigem uma maior proteção com relação à umidade", destaca Márcio Reis de Freitas, gerente de produção da Aché, cujas embalagens em alumínio estão presentes em 80% de seus medicamentos. Alimentos mais gostosos Já as embalagens de produtos alimentares devem desempenhar um conjunto de funções ao longo do ciclo de vida do produto: desde a sua produção e conservação, até a utilização final e descarte. "As embalagens de alumínio são consolidadas mundialmente. Seu desempenho físico-mecânico e de resistência à corrosão é bastante satisfatório, desde que sejam respeitadas as características físicas e químicas do material, e de suas ligas quando da produção/especificação da embalagem para determinado produto, considerando todas as etapas, que vão de produção, estocagem, transporte a distribuição", atesta Jozeti Barbutti Gatti, engenheira química e mestre em engenharia mecânica, pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea)/ Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). A cada dia, é exigido das embalagens que desempenhem um papel mais ativo na conservação dos produtos, resultando num aumento da sua vida útil ou melhoria de alguma das suas características. "O alumínio não traz dano a saúde e não altera gosto do alimento, e é impermeável à luz e ao ar - elementos causadores da deterioração. A presença do alumínio na embalagem impede essa deterioração, fazendo o produto ter uma vida muito longa", destaca Mauro Moreno, vice-presidente de vendas, marketing e planejamento da Novelis do Brasil, que destina 85% de sua produção para atender o mercado de embalagens. Esta função de conservaç ão da embalagem é aliada com diversas tecnologias de processamentos do produto. "Para se obter um melhor resultado da funcionalidade, o alumínio é processável em diversas tecnologias distintas de laminação, extrusão, laqueação e impressão, além de promover excelente maquinabilidade nos equipamentos embaladores", destaca a engenheira química Olinda dos Santos Miranda, gerente de Tecnologia e Inovação da Alcan Packaging, que há mais de trinta anos trabalha com embalagens em alumínio para os setores de alimentos, fármacos, de higiene pessoal, limpeza, beleza, revestimentos para produtos industriais, com produção de 10 a 15% para o mercado exterior, produzindo cerca de mil toneladas mensais de peças, com mais de 100 estruturas de embalagens diferenciadas. A Companhia Brasileira de Alumínio Votorantim Metais (CBA) há mais de 20 anos fornece as folhas de alumínio para atender aos diversos setores do mercado de embalagens, que representa 25% de sua produção. Na companhia, a aplicação das folhas é dividida por segmento, como de conversão (embalagens flexíveis), o de descartáveis e bens de consumo, fazendo a Companhia Brasileira de Alumínio atender a diversas empresas do setor de embalagens, como o Grupo Wyda. "Nós compramos o alumínio em bobinas e fazemos o processamento. Essas bobinas se transformam em embalagens e em rolos de alumínio", explica Roberto Carvalho, diretor do Grupo Wyda, que compra nove mil toneladas anuais de alumínio para atender aos seus mais de 10 mil clientes. O sucesso das inspirações internacionais também têm atraído os empresários da Wyda, fabricante de embalagens descartáveis de alumínio para alimentos. "Nos baseamos em embalagens que são sucesso na Europa e nos Estados Unidos e as adaptamos ao mercado brasileiro. Nós visitamos muitas feiras internacionais atrás de novidades e estamos sempre em contato com clientes potenciais, que puxam o mercado e ditam moda", destaca Carvalho. O Grupo Wyda utiliza 700 toneladas de alumínio por mês para a produção de embalagens, e desenvolve as próprias máquinas e ferramentas. "Embalagem em alumínio é a única da qual você consegue fazer todos os processos: armazenar, transportar, levar ao forno, ao micro-ondas, à mesa, usar, jogar fora e reciclar. Além disso, o alumínio é condutor de calor e você acaba economizando energia", ressalta. Alumínio e o futuro Nos últimos anos, as tendências relacionadas às embalagens passaram a sofrer influência dos questionamentos sobre a sua relação com o meio ambiente, especialmente sobre o destino final dos materiais de embalagem após o consumo do produto acondicionado. Nesse contexto, embalagens com peso reduzido e combinação mínima possível de materiais, visando à facilidade de reciclagem, passaram a ter uma imagem positiva aos olhos do consumidor, dos órgãos legislativos e fabricantes. "As embalagens que desenvolvemos sempre utilizam soluções de desmontagem, evitamos fusão e colagem para não misturar materiais de forma definida. Também procuramos especificar acabamentos para o alumínio que não impeçam a reciclagem ou sejam tóxicos", ressalta Gustavo Senna Chelles, engenheiro e designer industrial, diretor da Chelles & Hayashi Design. Graças ao seu poder de infinita reciclabilidade, os empresários apostam no alumínio como matéria-prima essencial do futuro. "O alumínio é um produto muito versátil, capaz de atender a todas as exigências do novo consumidor..Acreditamos no crescimento do mercado, uma vez que ele sofreu muito pouco com a crise no final de 2008, começo de 2009. As pessoas dispensam o cinema, as férias, o carro novo, mas não a alimentação. E as embalagens estão diretamente ligadas ao alimento. É um produto que não tem como não dar certo", acredita Roberto Carvalho, da Wyda. "Eu conheço poucos materiais tão flexíveis e benéficos ao design como o alumínio, realmente gostamos de especificá-lo e trabalhar com ele. Esperamos que a cadeia de reciclagem se desenvolva cada vez mais, justificando a opção do material em relação a de outros", conclui Gustavo Senna Chelles. |