Vem expansão


Edição 23
Os eventos esportivos mais importantes da Terra movimentarão o mercado de embalagens de alumínio
Por Antonio Carlos Santomauro

A palavra 'crise' foi empregada na maioria das atividades econômicas, no ano passado, no país. Mas, desse conjunto deve-se excluir a produção de latas de alumínio, cuja expansão atingiu índices surpreendentes, até mesmo para quem atua nesse setor. Em 2009, mostram os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), essa indústria produziu 14,8 bilhões de unidades de latas; comparado a 2008, isso significou crescimento de 11,7%, em um período no qual o produto interno bruto do país caiu. O horizonte será ainda mais promissor. Afinal, este é um ano de Copa do Mundo, sempre um fator de incremento no consumo de bebidas, especialmente cervejas - as principais usuárias de latas de alumínio. Além disso, em 2014, a Copa será realizada no Brasil e, dois anos depois, aqui ocorrerão também os Jogo Olímpicos. Será, então, necessário atender não apenas o brasileiro, mas também às imensas legiões de turistas que para cá devem vir.

Atentos a essas perspectivas, os fabricantes de latas ampliam sua capacidade. A Rexam, por exemplo, este ano destina aproximadamente R$ 180 milhões na reabertura de uma fábrica na cidade mineira de Pouso Alegre - fechada desde 2002 -, e na ampliação do potencial produtivo de suas unidades de Jacareí (SP), Recife (PE), além do Chile. Com isso, sua capacidade de produção na América do Sul subirá de 11 bilhões de unidades, no ano passado, para 13 bilhões, em 2011. "O Brasil responde por 90% desse montante", especifica Renato Estevão, diretor comercial da Rexam para a América do Sul.

Já a Crown, após inaugurar no ano passado uma fábrica na cidade de Estância, em Sergipe, no primeiro trimestre de 2011 iniciará a operação de nova unidade, agora no município paranaense de Ponta Grossa. No total, investirá aproximadamente US$ 180 milhões na ampliação de sua capacidade de produção. "Com isso, essa capacidade subirá de 3,5 bilhões, em 2009, para 6,5 bilhões em 2011", compara Rinaldo Lopes, presidente da Crown.

Verão em junho

O acelerado movimento de expansão da estrutura de produção dos fabricantes de latas obviamente gera ações de ampliação da oferta por parte dos fornecedores de alumínio dedicados a esse mercado. Caso da Novelis, que no ano passado concluiu um conjunto de investimentos de US$ 21 milhões em seu centro de laminação e reciclagem, instalado na cidade paulista de Pindamonhangaba. Com a iniciativa, elevou de 300 mil para 400 mil toneladas anuais sua capacidade de produção de laminados e, simultaneamente, incrementou em quase 100% - de 80 mil para 150 mil toneladas por ano -, a capacidade de processamento de sucata de alumínio. "Embora tenha capacidade produtiva excedente, a empresa já está analisando uma nova ampliação da linha de laminação dessa unidade", adianta o diretor comercial para a América Latina, Mauro Moreno.

Conjugando esses vários investimentos, em 2011, a indústria brasileira estará apta a fabricar 24,1 bilhões de latas de alumínio, projeta Renault Castro, diretor executivo da Abralatas. "Entre o final de 2007 e o final de 2009, essa capacidade produtiva já havia subido de 14 bilhões para 16,8 bilhões de unidades por ano", ele diz. "Nesse período, os investimentos da indústria chegaram a US$ 274 milhões", acrescenta. Mas, segundo o diretor da Abralatas, a intensa demanda existente no mercado brasileiro este ano ainda exigirá a importação de perto de dois bilhões de unidades de latas de alumínio.

A demanda deve acentuar-se em junho, quando ocorrerá a Copa do Mundo. Geralmente, diz Castro, "esse é um mês no qual o consumo de latas de alumínio corresponde à metade daquele verificado nos meses de janeiro, mas a realização de uma Copa pode elevar esse valor ao dobro do normal. "É como se tivéssemos mais um mês de verão, porém no meio do ano", compara o diretor da Abralatas, que projeta para este ano um incremento de 10% nas vendas do setor, em relação a 2009.

Esse índice é referendado por Lopes, da Crown, empresa cujo faturamento foi, no ano passado, 17% superior ao valor auferido em 2008. Índices assim elevados são justificados por Lopes, principalmente pela melhor distribuição de renda entre os habitantes do país: "A classe média brasileira cresceu de 42% para quase 52% da população, trazendo novos consumidores para o mercado de bebidas", argumenta.

Fatores como a Lei Seca, desde 2008, também contribuíram para o aumento da demanda por latas de alumínio, observa Estevão, da Rexam. "Essa lei ampliou o consumo doméstico, e quem bebe em casa geralmente abastece-se em supermercados, cujo estoque de cervejas é predominantemente de latas", explica. De acordo com Estevão, considerando-se também as projeções referentes às importações, o crescimento do mercado brasileiro de latas de alumínio pode, esse ano, ser muito superior àquele previsto pelos demais representantes do setor, e chegar até a 18%.

Além de contar com a Copa, essa indústria será beneficiada por outros fatores, como a diminuição do desemprego no país. Concretizada, essa previsão de incremento mais acentuado do que o inicialmente considerado remeterá a uma situação já vivida no ano passado.

Inovação bem aceita

A expansão do mercado brasileiro de latas de alumínio decorre também de um acelerado processo de desenvolvimento de produtos com características e funcionalidades novas. Elas agregam valor a um universo no qual, há apenas quatro ou cinco anos, existiam basicamente as latas com capacidade para 350 ml. Embora esse formato ainda predomine, outras opções estão disponíveis para o consumidor fazer suas escolhas: existem, também, o Latão (em versões de 473 ml e 500 ml), formatos como o Sleek - em 270 ou 310 ml -, e Squat, referente às latinhas de 250 ml utilizadas, por exemplo, pela Coca-Cola.

Há também latas com tintas termocrômicas, capazes de indicar mudanças na temperatura pela variação de cor (algumas versões da cerveja Skol utilizam essa tecnologia). E a Rexam produz, para o energético TNT, uma lata cuja tinta gera, em ambientes nos quais esse produto é bastante consumido - danceterias, por exemplo -, efeitos visuais diferenciados. "No Chile, temos latas em que a tinta tem rugosidades para aumentar a impressão de que seu conteúdo está gelado", explica Estevão.

Segundo Castro, da Abralatas, esses formatos diferenciados de latas crescem em ritmo "surpreendente", e já respondem por, aproximadamente, 15% do consumo do setor. "Seja pela praticidade ou pela sofisticação, eles estão caindo no gosto do consumidor", afirma. Não há ainda, observa Castro, estimativas relativas ao consumo de latas de alumínio no Brasil, em 2014 e 2016, quando aqui ocorrerão, respectivamente, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "Mas, como esses eventos ocorrerão no próprio país, é de se esperar um aumento considerável, relativamente ao que ocorreria se eles fossem apenas transmitidos pela televisão - principalmente pelo incremento do público consumidor gerado pelos turistas e profissionais que virão para o Brasil por causa dessas competições", finaliza.

 
- Reciclamos tudo (e mais um pouco)
- Presença nas universidades
- Vantagens muito além da proteção
- Aqui tem alumínio








 
 + EXPEDIENTE