Reciclamos tudo (e mais um pouco)


Edição 23
A diferença entre índice de reciclagem e quantidade de metal reciclado utilizado no consumo de produtos de alumínio
Por Hênio De Nicola

É muito comum ver na mídia a informação de que a indústria do alumínio recicla 35% de tudo o que o país consome. Em primeiro lugar, a afirmação não é correta e induz a um erro sutil, porém importante para o entendimento. Precisamos saber o que este percentual realmente representa.

Ele não é um índice de reciclagem, e sim o quanto de alumínio reciclado foi utilizado no consumo de todos os produtos feitos com o metal, em determinado ano, no país. Assim, dizer que o percentual de alumínio reciclado contido no total dos produtos de alumínio consumidos é de 35%, não é o mesmo que afirmar que o índice de reciclagem total é de 35%, e que, portanto, os 65% restantes seriam desperdiçados. Isso é um erro. Ao contrário, toda a sucata de alumínio disponibilizada no mercado é reciclada. Por isso, o índice só não é 100% porque o material não foi todo disponibilizado para reciclagem, e sim direcionado a outros setores, por exemplo, siderúrgico/destrutivos.

A disponibilidade está muito relacionada ao ciclo de vida dos produtos. A lata tem vida de 30 dias; uma peça de automóvel, no Brasil, pode durar de 10 a 15 anos; uma esquadria ou panela, 40 anos!  Ou seja, o alumínio empregado nesses setores é utilizado por muito tempo e a sucata não vai para o mercado - ficando encerrada num ciclo fechado.

O percentual seria maior se toda a sucata industrial entrasse na conta, mas por enquanto isso não acontece. Só é computada a sucata que a indústria disponibiliza no mercado, pois há empresas que devolvem esse refugo, proveniente dos processos de produção, para um fornecedor, que lhes fará nova matéria-prima, e que, da mesma forma, será utilizada para a empresa que a forneceu.

Voltando ao ciclo de vida, para suprir esse percentual de alumínio que é empregado em produtos com ciclos mais longos, o Brasil importa uma parcela da sucata de alumínio para ser incorporada à sucata brasileira.

Todo montante dessa sucata reciclada se tornaria matéria-prima para a produção de novos produtos, destinados às mais diversas aplicações como, por exemplo, a fabricação de latinhas e outras embalagens, até produtos para outros setores da cadeia produtiva, entre eles, construção civil, indústria automotiva e transportes, bens de consumo etc.

Desse modo, estamos preservando o meio ambiente, economizando energia e, ao mesmo tempo, reciclando - não só a sucata produzida no país, mas também aquela que é produzida internacionalmente. A cadeia da reciclagem é um ciclo ininterrupto, e nós o ajudamos a ter continuidade, tamanha é a eficiência da indústria da reciclagem brasileira. Em outras palavras, reciclamos 100%, e mais um pouco!

 
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