Energia bem controlada


Edição 23
A indústria do alumínio está entre as melhores do mundo em eficiência energética
Por Antonio Carlos Santomauro

Insumo relevante para a maioria das atividades econômicas, a energia é um componente fundamental na cadeia produtiva do alumínio, que necessita desse bem em escala significativa. Por isso, a indústria investe em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir seu consumo de energia - úteis para diminuir seus próprios custos e garantir a sustentabilidade ambiental de nosso planeta.

Nesse sentido, o alumínio brasileiro tem um diferencial importante, pois utiliza energia hidrelétrica, limpa, cujos impactos ambientais são sensivelmente inferiores àqueles decorrentes de tecnologias empregadas em outros países, como a queima de carvão -, e gás natural. Além disso, no Brasil, o índice de consumo de energia no processo produtivo de alumínio primário é inferior à média mundial: em 2008, aqui foram utilizados 14,9 MWh para cada tonelada de alumínio; internacionalmente, nesse mesmo período, o consumo chegou a 15,4 MWh.

Para melhorar seus índices, a indústria do alumínio trabalha constantemente no desenvolvimento de sistemas mais eficientes. Pesquisam-se, também, fornos com capacidade para correntes maiores, pois, relativamente a um conjunto composto por cubas menores, neles é possível obter relação mais favorável entre produção de alumínio e consumo de energia.

Eficiência energética da Albrás

"Mundialmente, os índices mais elevados já atingidos nesse processo chegam a 96,5% de eficiência energética, com correntes de 400 kA (quiloampère)", conta Luis Jorge Nunes, diretor industrial da Albras, produtora de alumínio primário, localizada no município paraense de Barcarena. Por meio de pesquisa e desenvolvimento, a Albras já conseguiu elevar os índices das cubas eletrolíticas - originalmente projetadas para eficiência energética de 90% e 140 Ka -, para, respectivamente, 93% e 180 Ka. Para chegar a tais índices, implementou, entre outros itens, um método mais eficaz de compensação dos campos magnéticos gerados nas cubas eletrolíticas (essa redução justifica-se, porque os campos magnéticos reduzem a eficiência energética do processo), e um novo revestimento refratário.

A Albras desenvolveu, também, um processo denominado Clean Develop­ment Mechanism (CDM) que, além de minimizar a quantidade dos 'efeitos anódicos' - inerentes ao processo, mas geradores de perdas energéticas -, reduz a emissão de gases causadores de efeito estufa. "Esse projeto já foi registrado na Organização das Nações Unidas, e permitirá à Albras comercializar os Créditos de Carbono (CER) decorrentes dessa redução nas emissões", conta Nunes.
A pesquisa não deve parar por aí, pois, além de preservar o meio ambiente, tem fortes motivações econômicas. "Energia é o insumo de maior custo na produção de alumínio; representa entre 25% e 35% do custo total", destaca Nunes, da Albras. "Nosso consumo de energia, atualmente, varia na faixa entre 13,9 e 14,1kWh por quilo de alumínio. Temos planos em desenvolvimento, e esperamos alcançar um consumo de energia da ordem de 13,5 kWh por quilo de alumínio em um prazo máximo de cinco anos", finaliza.

Novelis autossuficiente

Produtores de alumínio também investem na geração da energia com a qual trabalham. Caso da Novelis, que hoje obtém, por meio de nove unidades de geração próprias, 60% da energia necessária ao funcionamento de sua planta em Ouro Preto, MG, com capacidade de produção anual de 51 mil toneladas de alumínio. "E já temos prontos os projetos para a construção de mais duas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), com as quais poderemos suprir 100% das necessidades energéticas dessa unidade", conta Rui Oyama, gerente-geral da unidade de Ouro Preto da Novelis.

Ele explica que, com fornos menores - com capacidade para correntes de até 60 kA -, a unidade mineira utiliza cerca de 16 kWh/H para produzir um quilo de alumínio. Segundo ele, os investimentos na redução da quantidade de energia necessária à produção do metal, hoje, valem-se também da tecnologia de automação dos controles do processo. "Com ela é possível manter sistemas mais estáveis e menos sujeitos a perdas. E estão sendo desenvolvidos condutores que também acarretam menos perdas", acrescenta o gerente da Novelis.

 
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