Imagine tentar trabalhar, descansar ou simplesmente dormir enquanto o intenso barulho do trânsito invade o ambiente. Agora, acrescente a esse cenário um calor sufocante que faz o ar-condicionado operar no limite, elevando a conta de energia a níveis alarmantes. A barreira que separa o refúgio do lar ou do escritório desse ambiente externo tem nome e tecnologia: as modernas esquadrias de alumínio. Hoje, elas são componentes essenciais para garantir conforto térmico e acústico, além de contribuir para a eficiência energética e a sustentabilidade das edificações.
Uma nova era para as esquadrias
A evolução das exigências da construção civil transformou o papel das esquadrias. Antes vistas apenas como elementos de vedação, elas passaram a ser componentes essenciais para o desempenho das edificações. Segundo Denise Veiga, da Área Técnica da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), essa mudança acompanha a crescente demanda por edificações mais confortáveis, eficientes e sustentáveis.
“A esquadria deixou de ser vista apenas como um elemento de vedação e passou a ser reconhecida como um componente de desempenho. Hoje, ela precisa contribuir para a eficiência energética da edificação, garantir isolamento térmico e acústico, oferecer durabilidade e atender as normas técnicas e os critérios de sustentabilidade cada vez mais presentes na construção civil”, afirma Denise.
Nesse contexto, a especialista destaca que o alumínio reúne características que favorecem sua aplicação no setor. Uma das principais é a elevada resistência à corrosão. Em contato com o ar, o metal forma naturalmente uma camada protetora que dificulta a degradação causada pela umidade, maresia e poluição. Como resultado, as esquadrias preservam suas características por muitos anos, exigem menos manutenção e reduzem a necessidade de reparos e substituições, o que representa ganhos de competitividade e economia ao longo do tempo. Outro diferencial importante é a versatilidade estética. Além da ampla variedade de perfis, os tratamentos de superfície ampliam as possibilidades de acabamento e aumentam a durabilidade das peças.
Os tratamentos de superfície potencializam essas vantagens e agregam valor estético ao produto. Os acabamentos mais utilizados são a anodização e a pintura, os quais ampliam, significativamente, as opções de cor e textura, atendendo desde projetos mais tradicionais até os mais arrojados. Além do aspecto visual, esses processos oferecem proteção adicional contra a corrosão e maior resistência a riscos, fazendo com que a esquadria mantenha sua aparência e desempenho por muito mais tempo.
As vantagens também ficam evidentes quando se analisa o custo ao longo do ciclo de vida da edificação. Avaliar apenas o investimento inicial já não é suficiente. Materiais que exigem menos manutenção apresentam longa vida útil e preservam seu desempenho e acabamento por mais tempo e tendem a reduzir custos operacionais e oferecer maior previsibilidade para proprietários e gestores.
“Quando se considera todo o ciclo de vida da edificação, o alumínio demonstra um excelente custo-benefício. Somam-se a esses atributos a versatilidade de perfis e acabamentos e a reciclabilidade do material, Assim, o alumínio se firma como uma escolha estratégica, capaz de aliar eficiência na execução, confiabilidade no uso e desempenho duradouro – atributos fundamentais para projetos que priorizam qualidade, produtividade e sustentabilidade.”
Novo padrão de desempenho
A busca por ambientes mais confortáveis e protegidos dos efeitos do clima e do ruído ganhou força após a pandemia, elevando o nível de exigência do mercado de esquadrias. Wandyr Pedão Filho, presidente do Sindicato das Indústrias de Esquadrias e Construções Metálicas do Estado de São Paulo (Siescomet), conta que o setor passou por uma transformação significativa, com maior atenção aos cálculos estruturais para resistência ao vento, à especificação correta dos componentes e à redução de patologias nas edificações.
“Depois da pandemia da Covid 19, o cliente percebeu, na prática, que uma esquadria comum não oferece isolamento térmico nem acústico adequado. A demanda por sistemas de alto desempenho, especialmente os produzidos visando ao controle de ruído, cresceu de forma expressiva, sobretudo nos grandes centros urbanos”, afirma Wandyr.
Para atender esse novo padrão de exigência, uma tecnologia vem ganhando espaço no Brasil: a ruptura térmica. Consolidada em mercados como Europa, Estados Unidos, Argentina e Chile, ela reduz a transferência de calor entre os ambientes interno e externo e, associada a vidros de alto desempenho, amplia a eficiência das esquadrias de alumínio. Segundo Wandyr, quando combinada a vidros duplos ou insulados, a solução responde por cerca de 50% do desempenho acústico e por até 40% do desempenho térmico das esquadrias, tornando-se essencial para edificações que buscam maior eficiência energética e conforto ambiental.
Apesar da evolução do mercado nacional, o setor ainda busca se aproximar dos padrões internacionais de desempenho. De acordo com o presidente, enquanto as normas brasileiras estabelecem requisitos mínimos, mercados mais maduros adotam níveis mais elevados de isolamento térmico e acústico.
Em termos acústicos, por exemplo, esquadrias de alto desempenho costumam apresentar índices de redução sonora (Rw) superiores a 35 dB, um patamar que ainda é pouco difundido no Brasil. Investir em soluções desse nível significa reduzir o consumo de energia com climatização, aumentar o conforto dos usuários e elevar a qualidade construtiva das edificações.
Além da busca por desempenho, Wandyr identifica tendências que devem moldar o futuro do setor. Entre elas estão a preferência por acabamentos em tons escuros, como preto e grafite; a popularização da automação, com janelas inteligentes chegando aos empreendimentos de médio padrão; a consolidação da sustentabilidade, impulsionada pela rastreabilidade e pelo baixo carbono; e a digitalização dos processos, do orçamento à modelagem em BIM.
Integração, brises e baixo carbono
As vantagens termoacústicas do alumínio não dependem apenas do perfil. Para Fernando Wongtschowski, gerente-geral de Marketing e Estratégia Comercial do Negócio Transformado da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), o desempenho das esquadrias é resultado da combinação entre material, projeto e componentes, em um sistema integrado capaz de atender as exigências da arquitetura contemporânea.
“O sucesso do alumínio se deve especialmente à combinação entre leveza, resistência, durabilidade e flexibilidade de aplicação. Essas características permitem a fabricação de perfis precisos e sistemas personalizados, os quais podem ser integrados a vidros, ferragens e soluções de vedação adequados ao desempenho esperado em cada projeto”, afirma a empresa.
Um exemplo dessa integração é o uso de brises, elementos de proteção solar que reduzem a incidência direta da radiação nas fachadas. Quando combinados a esquadrias, fachadas envidraçadas e sistemas de vedação, eles contribuem para melhorar o conforto térmico dos ambientes e reduzir a necessidade de climatização artificial, favorecendo a eficiência energética das edificações.
Para atender as exigências técnicas desse mercado, a CBA destaca o controle de toda a sua cadeia produtiva. A empresa conta com linhas próprias para produção de tarugos, fabricação de ferramentas, extrusão de perfis e tratamentos de superfície, como anodização e pintura. O desenvolvimento dos produtos também incorpora tecnologias como simulações digitais, impressão 3D e controle dimensional de alta precisão, permitindo conciliar desempenho técnico, qualidade estética e conformidade com as exigências ambientais da construção civil.
A sustentabilidade também ocupa papel central nessa estratégia. Wongtschowski informa que a CBA já produz alumínio de baixo carbono, utilizando energia elétrica 100% renovável, e mantém metas de redução de emissões alinhadas a padrões internacionais. E esse conjunto de atributos se reflete no portfólio de soluções de alto desempenho da fabricante, o que vem ampliando sua presença em empreendimentos de grande porte e projetos de alto padrão.
“No caso da CBA, a linha Primora reúne diferenciais como certificações de qualidade, participação no PSQ, processos industriais integrados e recursos de medição e simulação que apoiam o desenvolvimento de soluções técnicas para a construção civil. Além disso, a marca vem consolidando sua presença em obras icônicas e de alto padrão, com soluções que integram design, desempenho e sustentabilidade.”
Design, vãos e a especificação
A valorização da iluminação natural e da integração entre os ambientes internos e externos também vem transformando os projetos arquitetônicos e elevando as exigências sobre as esquadrias. Para Luís Maurício Capriglione, diretor técnico da Pormade Portas, a tendência de ampliar os vãos exige sistemas cada vez mais eficientes.
“Os projetos atuais priorizam vãos maiores para reforçar a conexão com o ambiente externo. Nesse contexto, tanto os perfis de alumínio quanto os vidros precisam oferecer alto desempenho. São perfis mais robustos, combinados a vidros com elevado desempenho térmico e acústico, capazes de garantir conforto sem comprometer a estética”, afirma.

Para alcançar esse nível de desempenho, o desenvolvimento das esquadrias de alumínio começa ainda na etapa de engenharia. Os perfis são projetados com geometrias e câmaras internas específicas para aumentar a rigidez estrutural, melhorar o isolamento termoacústico e garantir maior durabilidade.
Na avaliação de Capriglione, o consumidor também está mais atento à qualidade das soluções adotadas.
“Hoje, os clientes procuram esquadrias capazes de minimizar a entrada de vento por frestas e reduzir a troca de calor com o ambiente externo. Por isso, sistemas mais robustos, aliados a acessórios que melhoram a vedação e o funcionamento, têm sido cada vez mais procurados.”
A especificação correta é outro fator decisivo para o desempenho final da edificação. A Pormade realiza estudos de vento e chuva para cada projeto, buscando dimensionar as esquadrias de alumínio de acordo com as condições de uso, sem comprometer o desempenho nem gerar custos desnecessários. Sobre o aspecto estético, Capriglione afirma que o mercado segue diferentes caminhos, mas sempre associado ao desempenho. Há clientes que preferem esquadrias de alumínio com visual mais minimalista, desde que mantenham elevado desempenho. Outros optam por perfis mais robustos.
O desempenho está no sistema
Mesmo os materiais de maior desempenho podem não entregar os resultados esperados quando o sistema não é projetado e executado de forma integrada. Para Nicole Fischer, diretora da Atenua Som, o isolamento acústico depende da interação entre vidros, perfis, ferragens, vedação e instalação.

“O desempenho acústico de uma fachada depende do sistema como um todo. O vidro responde por grande parte da barreira física contra a passagem do som, enquanto os perfis de alumínio garantem a vedação e a estabilidade do conjunto. O grande problema é que o mundo do vidro ainda conversa pouco com o mundo das esquadrias. De nada adianta utilizar um vidro de alta performance acústica se o sistema apresentar frestas, folgas ou falhas de estanqueidade”, afirma Nicole.
Fatores como a espessura e o desenho dos perfis, a qualidade dos componentes e a eficiência da vedação são determinantes para o resultado final. Na prática, esse desempenho pode transformar a rotina dos usuários. Nicole cita o caso de uma cliente que mora em frente ao Elevado Presidente João Goulart — conhecido popularmente como Minhocão —, em São Paulo. Antes da instalação das esquadrias de alumínio acústicas, a moradora precisava adaptar sua rotina ao intenso ruído do trânsito.
“Ela dava aulas online e gravava vídeos, mas precisava concentrar essas atividades à noite ou nos fins de semana por causa do barulho. Depois da instalação das esquadrias acústicas, passou a trabalhar normalmente durante o dia. Na primeira noite em que dormiu com as novas janelas, acordou achando que era fim de semana, porque, simplesmente, não ouvia mais o som dos carros.”

Nicole também chama a atenção para a diferença entre os resultados obtidos em laboratório e o desempenho das esquadrias em condições reais de uso. Os ensaios laboratoriais são importantes como referência, mas representam condições ideais de montagem e instalação. Na obra, qualquer desalinhamento, falha de vedação ou interface mal-executada entre a esquadria e a alvenaria pode comprometer significativamente o desempenho do sistema. Por isso, ela alerta: não basta olhar apenas os números dos testes; é fundamental garantir que a instalação siga os mesmos padrões de qualidade.
Crédito da imagem de abertura: Divulgação Pormade Portas




