A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) divulgou o já tradicional Anuário Estatístico com dados do mercado em 2020. Segundo a publicação, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio, que vinha crescendo nos últimos anos, registrou queda de 4,2% no ano passado. O Brasil adquiriu 1.424 mil toneladas, contra 1.486 mil t em 2019.
O cenário desafiador da crise sanitária no país não afetou apenas o consumo, mas se refletiu também no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que apresentou uma queda histórica de 4,1% em 2020. Apesar disso, a cadeia produtiva do alumínio investiu R$ 1,2 bilhão no período, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. O faturamento também teve alta, de 4% na mesma base de comparação, e atingiu R$ 88,3 bilhões.
“O Anuário é uma publicação consolidada e esperada pelo mercado, pois se trata de uma ferramenta de apoio à tomada de decisão das empresas, além de se constituir em guia de referência para a imprensa e órgãos públicos”, comenta Otavio Carvalheira, presidente do Conselho Diretor da ABAL e da Alcoa Brasil.
Protagonismo dos cabos
O mercado de cabos elétricos de alumínio foi uma exceção, com aumento do consumo em 2020. O volume passou de 193 mil t em 2019 para 213 mil t no ano passado.
A Alubar, que atua neste segmento, registrou um crescimento de 22% na área de transmissão de energia em relação a 2019, ao comercializar mais de 105 mil t de condutores elétricos. Já na área de distribuição de energia, o aumento da empresa foi de 5%, fechando com mais de 10,6 mil t.
“Neste mercado, os maiores volumes de pedidos são feitos com antecedência, de forma que a produção depende diretamente da demanda de consumo. O ano de 2020 foi muito positivo para a empresa, alcançamos números de faturamento superiores aos de 2019, tanto nos mercados de transmissão quanto de distribuição de energia elétrica”, reforça Maurício Gouvea dos Santos, diretor-executivo da Alubar.

Bauxita e alumina
A produção do minério aumentou 3% em relação a 2019, totalizando 32.898 mil t.
Já a fabricação de alumina teve a terceira alta consecutiva no ano passado, de 11,1%, com volume de 10.185 mil t.
“No ano passado, a pandemia pôs todos à prova. E a indústria do alumínio teve seus desafios, impactados pela desaceleração da economia mundial. Aos poucos a economia melhorou, a indústria reagiu e conseguiu acompanhar o ritmo de um ano marcado por mudanças tão significativas, alcançando bons resultados de maneira geral”, resume Carlos Neves, diretor de Operações de Bauxita & Alumina da Hydro.
Segundo o executivo, a multinacional de origem norueguesa teve um “extraordinário 2020”.
“Aceleramos os esforços de melhoria e conseguimos superar nossa meta para o ano, terminando mais fortes e mais bem posicionados para cumprir nossa agenda e nos tornarmos um líder industrial mais rentável e sustentável”, destaca Neves.
Na Alcoa Brasil, os projetos essenciais de investimento foram mantidos no ano passado, principalmente os de construção e segurança dos lagos, para que as operações continuassem com o máximo de estabilidade.
“A produção de bauxita e alumina foi 4% maior em relação ao ano anterior. Embora a apreciação do câmbio seja um fator positivo para nossas operações, tivemos custos extras para garantir a segurança de nossas pessoas e manutenção das operações”, explica Gisele Salvador, Controller na Alcoa Brasil.
Para 2021, a perspectiva da companhia segue positiva com base na recuperação econômica e no primeiro semestre, cujo resultado foi considerado bom.
“A pandemia, infelizmente, segue em andamento e sua magnitude e duração continuam incertas, assim como seu impacto futuro nos negócios, condição financeira, resultados operacionais e fluxos de caixa das organizações, que podem fazer com que os resultados reais sejam diferentes de nossa perspectiva”, pondera a executiva.

Metal primário
A produção de alumínio primário atingiu a melhor marca dos últimos três anos, com crescimento de 5,4% em comparação a 2019, e volume de 685 mil t. Ainda assim, a indústria está longe do auge verificado em 2008, quando foram produzidas 1.661 mil t e o país contava com sete plantas fabris — hoje possui apenas duas.
Segundo João Menezes, presidente da Albras (subsidiária da Hydro), a companhia teve um efeito adverso adicional em 2020 — problema com um transformador da subestação. O fato resultou em uma redução temporária da produção em 20%.
A Albras já opera com plena capacidade. No entanto, na visão do dirigente, o momento é de cautela para toda a indústria. A dinâmica do mercado no segundo semestre deste ano será um importante balizador para planejar e traçar metas operacionais para 2022.
“O que estamos percebendo é que o mercado reaqueceu de uma maneira que requer bastante cautela e reflexão: qual é a demanda de curto prazo para recomposição de estoques e qual é a demanda para uma retomada sustentável pós-pandemia?”, questiona Menezes.

Produtos transformados – produção
No mercado de produtos transformados, a produção também registrou queda, assim como o consumo, com redução de 1,7%, passando de 1.422 mil de t em 2019 para 1.398 mil de t no ano passado. Apenas cabos e folhas cresceram. Veja abaixo o desempenho por produto:
- Chapas – de 692 mil t (2019) para 685 mil t. (2020)
- Extrudados – de 224 mil t (2019) para 201 mil t (2020)
- Fundidos – de 166 mil t (2019) para 140 mil t (2020)
- Cabos – de 169 mil t (2019) para 192 mil t (2020)
- Folhas – 74 mil t (2019) para 79 mil t (2020)
A Novelis, que atua na área de laminação e reciclagem de alumínio, observa curva ascendente desde junho de 2020, com recordes históricos de embarques de laminados. A mudança de comportamento do consumidor, que passou a adquirir mais produtos enlatados dentro de suas casas, contribuiu com isso.
“A quarentena trouxe novos hábitos para as pessoas. Em relação ao consumo de bebidas, entende-se que a cerveja em lata passou a ter preferência — o que é confirmado pelas estimativas que mostram que a participação da latinha no segmento de cerveja chegou a 60%”, explica Gustavo Faria, gerente sênior de Centros de Coleta da Novelis América do Sul.
Segundo o executivo, a empresa está preparada para continuar crescendo de acordo com a demanda de mercado, que continua em alta.
“A lata tem o apelo da sustentabilidade e, a cada dia que passa, ganha mais mercados e oportunidades. Essa embalagem está entrando nos segmentos de água, energéticos, entre outros. Além disso, até agosto, inauguraremos a expansão da fábrica de Pindamonhangaba (SP)”, acrescenta.
Neste segmento, o Anuário da ABAL traz outro dado importante: em 2020, 97,4% das latinhas foram recicladas no Brasil, mesmo com os desafios impostos pela pandemia. A Novelis respondeu por 64% desse total. Grande parte da matéria-prima utilizada pela companhia advém de material reciclado — o índice é de 72,5% no Brasil. Na latinha, especificamente, esse número sobe para 76%.

Tubos, barras e vergalhões
Já a Termomecanica, que atua nos segmentos de tubos e barramentos de alumínio voltados respectivamente para os setores de refrigeração e elétrico, teve que reescalonar a produção no início da crise de saúde. No segundo semestre de 2020, a empresa manteve a produtividade e atendeu os clientes nos prazos negociados.
“No final do ano passado, nosso crescimento foi da ordem de 40%. A demanda dos setores em que atuamos apresentaram uma forte recuperação, que compensou os volumes menores dos meses iniciais da pandemia”, explica Paulo Cezar Martins Pereira, superintendente de Vendas e Marketing da Termomecanica.
Agora, no segundo semestre de 2021, a companhia inicia a produção de vergalhões de alumínio em adição aos outros dois setores já atendidos. O objetivo é atender os segmentos elétrico, de produtos mecânicos e de infraestrutura.

Balança comercial
A balança comercial da indústria do alumínio registrou superávit de US$ 1.750 milhões (FOB) em 2020, ficando praticamente estável em relação a 2019, quando alcançou US$ 1.755 milhões (FOB).
O saldo positivo foi possível graças à baixa significativa das importações, uma vez que as exportações também caíram em 2020.




