No Dia do Alumínio, destacamos os benefícios do processo que é referência global em sustentabilidade
Por Redação27 de outubro de 2026 às 23:10
Compartilhe:
Hoje, 28 de outubro, é celebrado o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio. Nessa data especial, instituída pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) há 23 anos, destacamos a importância do alumínio reciclado utilizado em setores essenciais da economia, como construção civil, transportes, energia, bens de consumo e embalagens.
As projeções do International Aluminium Institute (IAI) apontam para um crescimento de 40% na demanda global de alumínio até 2030. Isso impulsionado pela transição energética em setores como transporte, construção civil e geração de energia, todos fortemente dependentes do metal e engajados na redução de emissões.
Para atender esse aumento, a reciclagem será fundamental. Por ser um material que pode ser reciclado infinitas vezes sem perder suas propriedades, o alumínio permite ampliar a oferta sem depender exclusivamente da produção primária.
Nesse contexto, o Brasil tem uma posição de destaque. Nas latas de alumínio para bebidas, o País mantém, há mais de quinze anos, índices de reciclagem acima de 96%, o que o coloca entre os líderes mundiais e o consolida como referência em economia circular.
De acordo com a ABAL, em 2025, 54% de todo o alumínio consumido no Brasil foram provenientes da reciclagem. Além das latinhas, entram nessa conta resíduos de diferentes produtos de sucata de latas e dos segmentos da construção civil, transporte e bens duráveis, incluindo as aparas da indústria. Essa estrutura diversificada garante segurança de suprimento como fonte complementar ao alumínio primário em um momento em que a oferta internacional está sob pressão.
Foto: Divulgação ABAL
“Em um cenário de demanda crescente, déficit de oferta e instabilidade geopolítica, a sucata de alumínio deixa de ser apenas um resíduo e se consolida como insumo estratégico. O Brasil tem uma cadeia de reciclagem eficiente e consolidada, e nosso desafio é garantir que esse diferencial continue sendo competitivo e atenda em primeiro lugar a economia nacional”, afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
A vantagem também é de eficiência energética. A cada tonelada de alumínio reciclado são economizados cerca de 95% da energia utilizada na produção primária, o que contribui diretamente para a redução de emissões de carbono e para a descarbonização das cadeias que utilizam o metal.
Primário e reciclado
O processo de obtenção do alumínio pode ocorrer de duas maneiras distintas: a partir do alumínio primário ou a partir do alumínio reciclado. O primeiro é proveniente do processamento primário da bauxita, que gera a alumina, a qual apresenta pureza química. Já o reciclado é proveniente da refusão de descartes de processos e/ou produtos pós-consumo.
“As propriedades do alumínio fazem dele um material importante para a transição verde, impulsionada pelo avanço das energias renováveis e da eletrificação. Com a demanda por alumínio em alta, reciclar é uma forma de atender as necessidades desses setores com menor consumo de energia e menor impacto ambiental”, destaca Marcelo Montini, consultor-sênior de Química da Hydro Bauxita & Alumina.
Foto: Divulgação Hydro
Alumínio primário
O crescimento em reciclagem é uma das prioridades da estratégia de negócios e ESG 2030 da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Em 2025, a empresa consumiu cerca de 200 mil t de sucata de alumínio em suas operações, reforçando o papel do material reciclado na produção de soluções para diferentes setores da economia.
A companhia utiliza sucata principalmente na produção de tarugos/extrudados, chapas, folhas e ligas secundárias. Na fábrica localizada em Alumínio (SP), a sucata é usada na produção de tarugos – os quais, posteriormente, seguem para a produção de extrudados –, chapas e folhas de alumínio. Na Metalex, dedicada à reciclagem, a sucata também é aplicada na produção de tarugos, principalmente direcionados à construção civil. Na Alux, a sucata reciclada é empregada na fabricação de alumínio líquido e lingotes, atendendo a demanda do setor de autopeças e outras indústrias. A unidade em Itapissuma (PE) utiliza sucata interna e externa na produção de chapas e folhas destinadas principalmente aos setores de embalagens e transporte.
Segundo Roseli Milagres, diretora do Negócio de Produtos Transformados & Reciclagem da CBA, todos os canais de entrada de sucata são fundamentais para a estratégia multicanal de reciclagem da CBA. A companhia utiliza diversas fontes para captação de sucata, incluindo aquela proveniente do processo produtivo interno, clientes, mercado e importação, e por meio de parcerias estratégicas.
“A CBA investe no fortalecimento de sua infraestrutura de reciclagem, com centros de processamento e reciclagem em Araçariguama e São José do Rio Preto, no interior paulista, com capacidade, respectivamente, de 400 t de sucata por mês. Essas unidades contribuem para ampliar o acesso à sucata, aprimorar a eficiência do processamento e a rastreabilidade dos materiais, além de aproximar a companhia de cooperativas, pequenos fornecedores e outros agentes da cadeia de reciclagem”, afirma Roseli.
Outra frente de atuação é a modernização e aplicação de tecnologias, como, por exemplo, a instalação da linha de tratamento de sucata, que separa o alumínio de outros componentes, como ferro, borracha, plástico, madeira, resíduos de construção civil, e o prepara para manter o maior nível de pureza ao material reciclado, permitindo o aumento do volume de sucata na produção de tarugo para até 80%, de forma gradativa. A capacidade de processamento dessa tecnologia é de 100 mil t de sucata por ano.
“A CBA também tem trabalhado junto a outros players do setor, em pesquisa e desenvolvimento. Por meio do programa Ilumina CBA, a companhia conecta universidades e pesquisadores aos desafios da indústria, incluindo o desenvolvimento de soluções direcionadas à reciclagem, eficiência energética e materiais avançados”, destaca Roseli.
Cabos elétricos
Para a indústria de cabos elétricos, é importante garantir a qualidade do alumínio recuperado. A composição química, a condutividade elétrica e as propriedades mecânicas precisam atender as especificações dos condutores. Além de aumentar a quantidade de material reciclado, é necessário assegurar sua procedência e manter o controle sobre suas características.
Foto: Divulgação Prysmian
Em 2025, 44,2% das receitas globais da Prysmian, empresa de cabos e sistemas de energia e telecomunicações, foram classificadas como vinculadas à sustentabilidade, segundo os critérios corporativos utilizados para esse indicador. A meta é alcançar 55% até 2028. Na empresa, parte dos resíduos de alumínio gerados durante a fabricação é recuperada e retorna ao processo de fusão, juntamente com metal novo, para a produção de condutores. Esse reaproveitamento depende da composição do material e dos requisitos técnicos de cada produto.
Outra iniciativa é o programa de logística reversa de cabos, desenvolvido em parceria com clientes e empresas de reciclagem. O programa permite recuperar sobras de cabos não utilizadas pelos clientes e encaminhá-las para reciclagem, com controle de origem e destinação. Na fase piloto, realizada em parceria com a Nortel, distribuidora de suprimentos do Brasil pertencente ao Grupo Sonepar, foram recuperadas 36 t de cabos elétricos.
“Na fábrica de Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde concentramos uma parte importante da produção brasileira de condutores de alumínio, também investimos na integração dos processos produtivos. Um exemplo é a instalação de uma linha de produção em série, a qual reduziu o transporte interno de vergalhões de alumínio por empilhadeiras, anteriormente movimentados por um percurso de, aproximadamente, 500 m”, explica Marcondes Silvestre Takeda, gerente de Engenharia de Aplicações e Produtos da Prysmian.
Foto: Divulgação Prysmian
Outro ponto importante, de acordo com Takeda, é a utilização de alumínio de baixo carbono. Embora os dois conceitos estejam relacionados à redução dos impactos ambientais não são a mesma coisa.
“O alumínio reciclado é produzido a partir da recuperação de sucata, enquanto o alumínio de baixo carbono está associado a menores emissões durante sua produção, seja ele primário ou reciclado. Na Prysmian, trabalhamos nessas duas frentes, juntamente com a redução de perdas e a melhoria dos processos industriais.”
Ligas de alumínio
A reciclagem do alumínio ganha importância diante dos compromissos de descarbonização e da crescente demanda por matérias-primas de menor impacto ambiental. Nesse contexto, a AMG Brasil, empresa fabricante de anteligas e ligas especiais, contribui diretamente no processo de reciclagem ao fornecer anteligas de alumínio e ligas especiais utilizadas na fabricação de produtos com diferentes propriedades e aplicações. Suas soluções permitem ajustar a composição química do metal, melhorar a homogeneidade e favorecer a eficiência dos processos industriais. Além disso, determinadas anteligas apresentam rápida dissolução no banho metálico, contribuindo para aumentar a produtividade, reduzir o consumo de energia e prolongar a vida útil dos refratários dos fornos.
Foto: Fabrício Guedes / AMG Brasil
De acordo com Edmar Castro, gerente-geral da Unidade Materiais Especiais da AMG Brasil, a empresa fortalece seu compromisso com a sustentabilidade por meio de duas estratégias complementares: a recirculação interna de materiais e a destinação de resíduos e subprodutos para reciclagem externa, contribuindo para a circularidade do alumínio e para a redução da geração de resíduos.
“Atualmente, a AMG recicla sua borra de alumínio, com teor de cerca de 88% de Al₂O₃ – sucatas de alumínio geradas em seu próprio processo produtivo. Esses materiais são comercializados com empresas especializadas em reciclagem, possibilitando sua reinserção em outras cadeias produtivas e contribuindo para a redução dos impactos ambientais associados à produção primária. Paralelamente, a empresa promove o reaproveitamento interno de material de refugo, por meio da refusão de materiais gerados no próprio processo produtivo. Esses materiais foram incorporados à produção, reduzindo perdas, otimizando o consumo de matérias-primas e aumentando a eficiência no uso dos recursos”, explica Castro.
Foto: Fabrício Guedes / AMG Brasil
Embalagens
Entre seus compromissos, a Ball, líder mundial em embalagens sustentáveis de alumínio, trabalha para alinhar a indústria à meta de alcançar uma taxa global de reciclagem de 90% para latas e garrafas de alumínio até 2030, além de buscar atingir 85% de conteúdo reciclado em suas latas de bebidas de alumínio nas regiões em que atua. Para a empresa, avançar na reciclagem exige inovação, infraestrutura, conscientização e parcerias capazes de conectar toda a cadeia, da produção ao pós-consumo.
A companhia mantém um Plano de Transição Climática que contempla ações direcionadas ao fortalecimento da circularidade, incluindo o desenvolvimento de novas tecnologias de triagem e reciclagem, a ampliação do uso do alumínio reciclado, a melhoria da eficiência produtiva e o trabalho conjunto com fornecedores para reduzir as emissões ao longo da cadeia de valor.
Na América do Sul, a companhia também contribui para o fortalecimento da circularidade por meio da colaboração com diferentes agentes da cadeia e do apoio ao desenvolvimento de políticas que incentivem a coleta e a reciclagem. Um exemplo é o Chile, onde a implementação da Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) representa uma oportunidade para aprimorar os sistemas de gestão de resíduos e ampliar a recuperação de embalagens.
“A Ball acompanha e contribui para as discussões sobre o aperfeiçoamento desse modelo, reconhecendo a importância de mecanismos regulatórios que estimulem a responsabilidade compartilhada e o desenvolvimento da infraestrutura de reciclagem. Iniciativas como essa são especialmente relevantes em uma região onde políticas de responsabilidade estendida do produtor ainda apresentam diferentes estágios de implementação”, afirma Tamires Silvestre, diretora de Sustentabilidade da Ball para a América do Sul.
Foto: Divulgação Ball
Outro destaque é a atuação da companhia na promoção de padrões responsáveis de produção. Em 2025, a Ball conquistou a recertificação da Aluminium Stewardship Initiative (ASI) nas categorias Performance Standard e Cadeia de Custódia para suas operações na Argentina, Brasil, Chile e Paraguai, reforçando seu compromisso com a rastreabilidade do alumínio e com boas práticas ambientais, sociais e de governança.
“No Brasil, a Ball também investe em conscientização e educação ambiental por meio do Vadelata, movimento nas redes sociais que promove informações sobre os benefícios da lata de alumínio e incentiva escolhas de consumo mais responsáveis. O objetivo é aproximar consumidores da agenda de sustentabilidade e reforçar a importância da destinação correta das embalagens após o consumo”, afirma Tamires Silvestre.
Cápsulas de alumínio
Atualmente, 100% dos consumidores da Nespresso Brasil, marca premium de café expresso da Nestlé, têm acesso a pelo menos uma solução de reciclagem que pode ser realizada de forma gratuita. De acordo com a empresa, a taxa global de reciclagem de cápsulas de alumínio está em cerca de 33%, com o compromisso de alcançar a meta de 50% até 2030. Essa iniciativa tem o potencial de evitar a emissão de t de CO2 na atmosfera/ano, seja pela substituição de combustíveis fósseis (como o gás natural), seja pela prevenção da liberação de metano em aterros sanitários.
“A Nespresso Brasil trabalha continuamente para ampliar o engajamento dos consumidores na logística reversa e economia circular das cápsulas de alumínio. Além dos mais de quatrocentos pontos de coleta distribuídos pelo País, da facilidade de entrega em qualquer uma das mais de quarenta boutiques Nespresso ou do envio postal por meio dos Correios, a empresa também promove, periodicamente, campanhas de incentivo à reciclagem nas boutiques de todo o País, recebendo até mesmo cápsulas de alumínio de outras marcas em troca de itens exclusivos da marca”, explica Marina Gargiulo, gerente de Branding, Comunicação e Sustentabilidade na Nespresso Brasil.
Foto: Divulgação Nespresso
Todo o material recolhido é encaminhado ao Centro de Reciclagem da Nespresso, localizado em Valinhos (SP), em parceria com a Crivellaro Ambiental, onde ocorre a separação mecânica dos componentes, sem a utilização de água no processo. O alumínio retorna para a indústria siderúrgica, sendo transformado em matéria-prima para novos objetos (como bicicletas, canetas e bisnagas de creme de mão da linha Natura Ekos Castanha). A borra do café é destinada à biodigestão para a geração de biometano (gás verde), utilizado como fonte de energia limpa e renovável.
Além da eficiência operacional, a cadeia de logística reversa da marca tem um forte impacto socioambiental, mantendo parcerias estratégicas com mais de setenta cooperativas e catadores nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, fortalecendo a rede de reciclagem e valorizando o trabalho de coleta no País.
“Para reduzir a pegada de carbono da operação, todo o transporte interno das bombonas contendo a borra de café e as cápsulas recolhidas até o nosso Centro de Reciclagem em Valinhos é realizado por meio de uma frota de veículos 100% elétricos. Dessa forma, garantimos que a circularidade dos materiais seja acompanhada por práticas de logística verde, minimizando as emissões desde a coleta até o processamento final”, frisa Marina.
Crédito da imagem de abertura: Zarana/stock.adobe.com