A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) completa 54 anos de história neste mês de maio, celebrando mais de meio século de contribuição fundamental para o mercado brasileiro. Desde sua fundação, a entidade tem sido a voz da indústria do alumínio, promovendo inovação, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico.
Fundada por importantes players da indústria, como Alcan (Novelis/ Rio Tinto), Alcominas (Alcoa), CBA, AISA e Kaiser (Nexans), a ABAL opera por meio de comitês técnicos e de mercado, com foco em desafios como a competitividade, a ampliação das aplicações do alumínio e a defesa dos interesses do setor perante o governo e a sociedade.
Brasil, o gigante do alumínio
A importância do alumínio em vários setores do mercado global é inegável. Prova disso é que, em outubro passado, o Ministério de Minas e Energia (MME) reconheceu o alumínio – 2º metal mais utilizado no mundo e 3º mais abundante na Terra – como imprescindível para diversos segmentos da economia e essencial para a cadeia produtiva da transição energética.
Nesse cenário, o Brasil se destaca como um dos maiores produtores de alumínio. De acordo com a ABAL, principal fonte desse metal, a bauxita é amplamente explorada no País, com produção anual de 37 milhões de t. Além disso, possui a 4ª maior reserva de bauxita global, somando, aproximadamente, 3 bilhões de t. Há ainda uma oferta crescente de energias renováveis, como hidrelétricas, eólica e solar, essenciais para o processo de produção do alumínio.
Um mercado resiliente
Contudo, é bom lembrar que a indústria do alumínio passou por um período recente de escassez e racionamento de energia, resultando em aumento de custos, fechamento de fábricas, demissões e redução na produção. Mas, atualmente, essa indústria no Brasil tem se deparado com uma oportunidade única. Com a oferta crescente de energia renovável, vastas reservas de bauxita e a urgência da descarbonização, o País prepara-se para tornar-se um líder global na produção de alumínio de baixo carbono. Essa reviravolta representa não apenas uma recuperação do setor, mas também uma posição estratégica na transição para uma economia mais sustentável, potencialmente colocando o Brasil como o epicentro da produção mundial desse elemento essencial.
“Nossa trajetória é marcada pela resiliência, que demonstra, na verdade, como o mercado do alumínio sabe se reinventar. Ele é um produto essencial para o mundo, e o Brasil é um país estratégico. Não somos só exportadores de commodities. Temos uma ampla cadeia verticalizada que atende toda a indústria nacional. E as lições do passado servem de exemplo para a construção de um futuro de infinitas possibilidades”, aponta Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
Forte atuação
Nesse cenário, a ABAL vem desempenhando um papel fundamental ao longo de mais de cinco décadas na promoção da competitividade da cadeia produtiva do alumínio. Engajada em iniciativas para impulsionar o crescimento sustentável da indústria no Brasil, a associação tem trabalhado para superar desafios no ambiente de negócios e participado ativamente de redes colaborativas. Em 2023, esteve presente em diversas frentes de atuação, envolvendo-se em iniciativas para fortalecer e promover o setor. E em 2024, mantém esse compromisso.
Em março deste ano, por exemplo, participou do evento IAI Committee Meetings, em Londres, destacando-se nas discussões sobre os projetos da indústria global do alumínio até 2025. A entidade concentrou-se em questões ambientais, energéticas e estratégicas para reduzir a intensidade carbônica na produção do alumínio.
Em outra ocasião, a presidente da ABAL compareceu a uma audiência pública com Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), juntamente com outros representantes do governo. O objetivo foi discutir maneiras de impulsionar a competitividade da indústria do alumínio no Brasil, em conformidade com o Plano de Ação da Nova Indústria Brasil (NIB). Esse plano pretende fortalecer a autonomia, promover a descarbonização, facilitar a transição ecológica, garantir a segurança energética e modernizar o parque industrial brasileiro. Na reunião, a ABAL destacou a importância estratégica do alumínio para soluções inovadoras e sustentáveis, ressaltando a capacidade de valor agregado e verticalização da cadeia produtiva do alumínio brasileiro.
Na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) realizada em Dubai, em dezembro passado, a ABAL também esteve presente. Dessa vez, Janaina Donas moderou um painel na sala Apex-Brasil, discutindo os desafios e as iniciativas de descarbonização da indústria do alumínio, com foco nos diferenciais do alumínio brasileiro de baixo carbono. Exemplos incluíram a transformação da matriz energética na produção do metal, a produção de alumínio primário de baixo carbono e a reciclagem como aliada.
Ainda na COP28, em Dubai, a indústria global do alumínio anunciou a meta ambiciosa de reciclar 100% das latas de alumínio para bebidas até 2050, em linha com o objetivo de zero emissão de carbono. Liderada pelo International Aluminium Institute (IAI), a iniciativa recebeu forte apoio da ABAL, a qual endossou as ações necessárias para o setor atingir o propósito.
Atualmente, cerca de 70% das latas de alumínio para bebidas em todo o mundo são recicladas e há mais de 15 anos, o País registra índices de reciclagem de latas para bebidas superiores a 95%.
9º Congresso Internacional do Alumínio
Este ano, a ABAL também teve a oportunidade de realizar o 9º Congresso Internacional do Alumínio, evento que atraiu mais de 550 participantes nos dias 9 e 10 de abril, no hotel Unique, em São Paulo.
O encontro, considerado o principal do setor na América Latina, explorou as tendências, os desafios e as oportunidades para a indústria do alumínio tanto no Brasil como no mundo. Havia representantes da cadeia produtiva e consumidora, especialistas, acadêmicos e autoridades governamentais.
Com o tema “Juntos, construindo um futuro de infinitas possibilidades e transformações”, o congresso abordou questões como a gestão ambiental para a descarbonização da indústria, o fortalecimento da cadeia produtiva e a maximização das vantagens competitivas do metal.
A ocasião foi uma oportunidade para Janaina Donas apresentar reflexões e dados significativos sobre o mercado do alumínio no Brasil e no mundo, destacando, inclusive, perspectivas promissoras para a indústria. Entre elas, o investimento de cerca de R$ 30 bilhões que empresas do setor devem fazer no Brasil até 2025 para o segmento de alumínio. Essa injeção de capital tem o intuito de fortalecer a indústria como um todo, além de aprimorar os processos de gestão ambiental e social, rumo à descarbonização e à aplicação de melhores práticas de ESG.
“Estamos olhando para o longo prazo. As empresas apostam no crescimento da demanda e o Brasil está se tornando um destino atrativo para investimentos externos. Somos um player importante e temos os recursos necessários para produzir alumínio e exportar excedentes. Isso é uma vantagem real e competitiva”, afirmou Janaina durante o congresso.
O que diz a indústria
“A atuação da ABAL se torna cada dia mais relevante pelo tamanho do mercado que ela representa e por continuar trabalhando em prol das empresas do setor e de outros segmentos que fazem parte da cadeia. A ABAL pode ajudar a enfrentar os desafios de forma mais eficaz, promovendo um crescimento sustentável, fortalecendo uma consciência ambiental e formando uma indústria do alumínio mais resiliente. O Grupo Alcast desempenha o seu papel como membro ativo da ABAL, trabalhando em colaboração com outras empresas e partes interessadas para promover o crescimento e o desenvolvimento sustentável da indústria do alumínio. Em face dos desafios atuais enfrentados pela indústria, nosso envolvimento com a associação proporciona importantes conexões e informações sobre as demandas do mercado, as legislações regulatórias e fiscais e os dados da indústria global do alumínio.”
Abelson Carles, presidente do Grupo Alcast
“A ABAL é uma entidade essencial para o fortalecimento da cadeia do alumínio no Brasil por representar as necessidades das empresas produtoras do metal e seus derivados com um olhar atento para todo o processo. Ela tem sido sempre um incansável defensor do segmento, conectando-o com todos os públicos, trazendo à tona sua essencialidade para a economia e seu protagonismo na transição energética. A Alcoa, que completa 59 anos um dia antes da ABAL, contribui desde a sua fundação, na década de 1980, quando participou da criação do primeiro fórum comum para discussões de assuntos pertinentes à indústria do alumínio. Desde então, a empresa tem apoiado cada vez mais o fortalecimento da parceria com a participação em eventos e debates importantes para a ampliação da representatividade do setor.”
Michelle Shayo, diretora de Comunicação e Assuntos Governamentais da Alcoa Brasil
“A atuação da ABAL é fundamental para o fortalecimento da cadeia produtiva do alumínio perante as economias nacional e internacional. Dentro desse trabalho está o impulsionamento da indústria do alumínio de modo que essas empresas possam desenvolver serviços e produtos com maior valor agregado. Isso ocorre, principalmente, por meio de projetos de incentivo, eventos de negócios e capacitações que buscam alinhar a atuação das produtoras de alumínio à vanguarda do mercado. Nós, da AMG Brasil, queremos ter uma atuação ativa junto aos conselhos que integram a ABAL e às iniciativas propostas pela entidade. Além disso, estamos em constante diálogo com a entidade para apresentar as nossas principais estratégias em pesquisa, inovação e conquista do mercado consumidor.”
Fabiano Costa, CEO da AMG Brasil
“A ABAL desempenha um papel fundamental no fortalecimento do setor de alumínio no Brasil. Ao longo de sua trajetória promove o uso do alumínio, destacando suas vantagens competitivas, sustentabilidade de baixo carbono, e importância na transição energética e descarbonização. A entidade foi crucial em consolidar o Brasil como um grande produtor e exportador de alumínio nos anos 1980 e ajudou a recuperar a autossuficiência na produção de alumínio primário. Em 2023, a produção nacional atingiu 1 milhão de t, com um aumento significativo no consumo per capita. A ABAL também foi essencial na implementação da taxação sobre o alumínio chinês, fortalecendo a competitividade da indústria brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas, a CBA desenvolveu seu negócio sempre pautada em boas práticas ambientais, sociais, econômicas e de governança, trabalhando lado a lado com a ABAL e inspirando a cadeia para a transformação e a sustentabilidade do mercado de alumínio”
Luciano Alves – CEO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)
“Gostaria de parabenizar a ABAL pela sua trajetória de sucesso ao longo dos seus 54 anos. Ela tem um papel fundamental, pois atua em todo o setor do alumínio, sempre mantendo um canal aberto e sendo um transmissor estratégico de informações sobre esse setor, o qual tem uma atuação direta na transição energética do Brasil. Uma associação representativa e ativa, como a ABAL, é essencial para que a indústria do alumínio tenha a relevância adequada, garantindo a participação nas principais discussões e a visibilidade das suas contribuições para o País. Para a Hydro, é uma honra fazer parte da história da atuação da entidade no Brasil e temos trabalhado para que a companhia seja uma referência em sustentabilidade na indústria do alumínio. Muitos dos nossos projetos são apresentados à ABAL com o objetivo de contribuir para a inovação e a competitividade do setor no Brasil e no mundo.”
Paula Marlieri, gerente-geral de Relações Externas da Hydro
“Mais do que uma entidade, a ABAL se consolidou como um parceiro essencial para empresas, instituições e profissionais, construindo uma sólida rede de colaboração que impulsiona o crescimento e a competitividade da indústria. O setor vem passando por profundas e importantes mudanças, de olho em um futuro mais sustentável e, estar ao lado da ABAL nesse momento, significa incentivar a adoção de tecnologias e práticas cada vez mais sustentáveis, alinhadas a uma agenda comprometida com os princípios de ESG. Nós da MRN temos um compromisso com o desenvolvimento da mineração na Amazônia, sem deixar de lado o apoio ao desenvolvimento sustentável e socioterritorial das comunidades locais. No ano em que a MRN completa 45 anos, apenas nove anos a menos que a ABAL, ter uma parceria tão estratégica como esta é fundamental para aprimorar os nossos processos de produção e colaborar com o desenvolvimento da indústria.”
Vladimir Moreira, diretor de Sustentabilidade e Jurídico da MRN
“A ABAL tem sido muito importante para a indústria do alumínio no Brasil, especialmente ao longo dos últimos anos, em que enfrentou diversos desafios, como flutuações econômicas, redução na oferta do metal e suspensão de atividades de primaristas. Por meio da atuação ativa na defesa dos interesses do setor junto ao governo, promove políticas que visam a aumentar a competitividade e a sustentabilidade da indústria. Além disso, a associação fomenta a inovação e a adoção de tecnologias mais limpas, investe em desenvolvimento técnico e capacitação por meio de seminários e cursos e trabalha na expansão de mercados para o alumínio brasileiro. Na Prolind, também temos intensificado os esforços para aumentar o processo de reciclagem de alumínio das ligas 6000, o que contribui significativamente para a redução da pegada de carbono e para o aumento da eficiência energética.”
Erivam Boff, diretor-comercial da Prolind
“A ABAL demonstra uma capacidade notável de resiliência e liderança, especialmente diante dos desafios contemporâneos. Um exemplo de destaque foi sua intervenção decisiva na promulgação da Lei dos Resíduos Sólidos, em 2010, após mais de vinte anos de tramitação. A lei estabeleceu um modelo de cadeia reversa, que é referência global, fundamental para impulsionar práticas sustentáveis essenciais no cenário atual, como a reciclagem do alumínio. A associação comprova sua importância ao enfrentar desafios significativos, como a abolição de subsídios energéticos, a instabilidade nos preços de energia e seus consequentes impactos nos custos de produção e na transformação do alumínio. A Termomecanica está plenamente comprometida com a missão da ABAL de promover e desenvolver a indústria do alumínio. Mantemo-nos como membros ativos, participando de forma significativa nos diversos comitês e grupos de trabalho da associação, incluindo os técnicos, fiscais, de comunicação e comerciais.”
Felipe Guerini, gerente-comercial da Termomecanica
Celebrando a história
Em comemoração aos seus 54 anos de história, a ABAL tem compartilhado em suas redes sociais uma série de conteúdos que destacam os momentos mais significativos da trajetória do alumínio no Brasil ao longo das últimas décadas. Fatos que merecem atenção:
– A indústria do alumínio no Brasil remonta aos primeiros registros da década de 1910, com a Companhia Paulista de Artefatos de Alumínio (CPAA) em São Paulo. Nos anos 1950, foram estabelecidas as primeiras fábricas de alumínio primário no País.
– Em 1970, várias empresas do setor uniram-se para formar a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), buscando ampliar a representatividade do segmento. Na mesma década, a Mineração Rio do Norte iniciou as operações de lavra de bauxita na região amazônica.
– Nos anos 1980, o Brasil alcançou a autossuficiência na produção de alumínio, tornando-se também um importante exportador. Nesse período, foram iniciados projetos nas regiões Norte e Nordeste, como o Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar) e a Alumínio Brasileiro (Albras) em Barcarena (PA).
– A produção de latas de alumínio para bebidas teve início em 1989-1990 com a Latas de Alumínio (Latasa), marcando um avanço significativo no segmento de embalagens. Em 1997, a Alcast do Brasil começou a sua jornada em Francisco Beltrão (PR), especializando-se na produção de bobinas, chapas e discos de alumínio.
– A ReciclaBR, o maior grupo de reciclagem de metais não ferrosos do Brasil, foi fundada há onze anos, com quatro plantas fabris e uma rede de Centros de Coleta Latasa Garimpeiro Urbano presentes em quinze Estados, promovendo a coleta e a reciclagem de alumínio e outros metais não ferrosos.
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