Nos últimos dias, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em resposta a uma disputa comercial, impôs uma tarifa de 50% sobre a importação de certos produtos do Brasil. A medida foi formalizada no dia 30 de julho por meio de uma Ordem Executiva — decreto presidencial que tem força de lei nos Estados Unidos — e foi uma retaliação a ações que o governo americano considerou injustas contra seus produtos de aço e alumínio.
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Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), essa nova tarifa não será cumulativa à alíquota de 50% já em vigor desde junho, imposta com base na Seção 232 da legislação comercial americana. A Ordem Executiva também estabelece uma lista de exceções, incluindo a alumina — essencial para a produção de alumínio primário —, mas mantém a sobretaxa para bauxita, hidróxido de alumínio e cimento aluminoso.
Mesmo que a não cumulatividade traga um alívio parcial, a ABAL alerta que o setor já sente os impactos do novo tarifaço. Em 2024, os Estados Unidos foram o 3º principal destino das exportações brasileiras de alumínio, com 14,2% do total, cerca de R$ 4,2 bilhões, ou seja, um terço desse valor está sujeito à tarifa de 50%. No primeiro semestre de 2025, as exportações afetadas pela Seção 232 já recuaram 28% em relação ao mesmo período de 2024, com perdas de, aproximadamente, R$ 350 milhões. E a estimativa é de que os prejuízos totais ao setor possam alcançar mais de R$ 1,15 bilhão até o fim do ano.
Riscos e efeitos colaterais
De acordo com a ABAL, apesar da exclusão da alumina das tarifas impostas pelos Estados Unidos, os efeitos indiretos podem comprometer toda a cadeia de suprimentos. Para se ter ideia, em 2024, o Brasil exportou cerca de 1,3 milhão de t de alumina para o Estados Unidos, insumo responsável por 90% da produção de alumínio primário americana. O produto também é enviado ao Canadá, que transforma 64% do alumínio primário utilizado em sua indústria, parte do qual abastece os Estados Unidos. Por esse motivo, a ABAL aponta risco de desequilíbrio na cadeia, com impacto inclusive em produtos não sobretaxados, afetando o abastecimento, redirecionando fluxos comerciais e prejudicando a previsibilidade das operações industriais nos três países.
Além disso, a entidade destaca os efeitos colaterais globais da nova política tarifária, como a alta nos preços internacionais do alumínio e o aumento da volatilidade econômica, com risco de desaceleração da atividade industrial. Um dos principais impactos já observados é a corrida global por sucata de alumínio, impulsionada pela competitividade de preços do metal primário. Essa disputa ameaça o suprimento de alumínio reciclado, essencial para a transição energética e para a economia circular, especialmente em países como o Brasil e os da União Europeia.
A ABAL reforça a urgência de criar um plano de mitigação, levando em conta a importância estratégica do setor para as transições energética, econômica e industrial. A entidade ressalta ainda a necessidade de soluções que fortaleçam a competitividade do Brasil, a resiliência das cadeias produtivas e as relações de complementaridade com países parceiros, garantindo equilíbrio e desenvolvimento sustentável ao comércio global.
Foto: Divulgação ABAL




