O brilho metálico, que por muito tempo marcou o sucesso das latas de bebidas, agora também virou a estrela das prateleiras de cosméticos e higiene pessoal. Embora muitos consumidores não percebam, o alumínio está presente nas embalagens desse segmento, compondo frascos de cremes, xampus, perfumes e desodorantes, entre muitos outros itens.
O alumínio exerce um papel essencial nos revestimentos internos de embalagens de cosméticos e itens de higiene pessoal. Segundo Luiz Fernando Sottano, gerente-geral comercial do Negócio de Produtos Transformados da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), sua principal função é atuar como barreira eficiente contra a luz, oxigênio, umidade e contaminações externas, evitando a degradação de fórmulas sensíveis e prolongando a vida útil dos produtos.
“Isso é especialmente relevante em cosméticos que contêm ativos naturais, fragrâncias ou óleos voláteis, que podem oxidar com facilidade. Além disso, o revestimento interno de alumínio impede reações químicas entre o conteúdo e o material da embalagem, garantindo que o produto mantenha suas propriedades originais, como cor, textura, aroma e eficácia”, afirma Sottano.
Estética e sustentabilidade

No mercado de cosméticos, a percepção de valor também é fundamental. Nesse sentido, Assunta Napolitano Camilo, CEO do Instituto de Embalagens, afirma que o alumínio é relevante por oferecer sofisticação estética, proporcionando luxo e qualidade visual aliados à reciclabilidade infinita.
Maria Rita Vieira, gerente-comercial de Especialidades para a Novelis América do Sul, acrescenta que, diferente de outros materiais — que são recicláveis, mas perdem propriedades ou características visuais —, o alumínio pode ser reciclado infinitamente sem a perda de propriedades, reduzindo o impacto ambiental e o consumo de recursos naturais.
“Ele também oferece versatilidade no design, podendo ser moldado em diferentes formatos e combinado com acabamentos metalizados, foscos ou coloridos, agregando valor estético e funcional ao produto”, aponta Maria Rita.
Sottano, da CBA, reforça que, em um setor pautado por práticas ESG (ambiental, social e de governança, em português) e de economia circular, esses atributos sustentáveis do alumínio agregam valor ambiental e reputacional, alinhando o produto às exigências de consumidores e investidores cada vez mais atentos à origem e ao impacto ambiental dos materiais utilizados.
A CBA vem apostando na rastreabilidade ambiental como diferencial competitivo. Para isso, tem o selo Alennium, que identifica o alumínio sustentável — com emissões inferiores a 4 t de CO₂e por t de alumínio líquido produzida. O selo oferece a rastreabilidade da produção e transparência ambiental a clientes de diversos segmentos, inclusive o de embalagens cosméticas e de higiene.
Desafios da reciclagem

Embora o alumínio seja infinitamente reciclável — uma de suas principais vantagens nas embalagens de cosméticos e higiene pessoal —, o setor ainda enfrenta desafios em determinados formatos, como as embalagens multimateriais, que combinam alumínio laminado com plástico.
“Essas embalagens são um dos grandes desafios do setor. Mas, para enfrentá-lo, as empresas já vêm investindo em pesquisa e desenvolvimento de soluções monomateriais (100% alumínio ou 100% plástico reciclável) e em tecnologias de separação automatizada que facilitam o reaproveitamento de componentes”, explica Maria Rita Vieira, da Novelis.
Um exemplo é a tecnologia ReAl, desenvolvida e patenteada pela CBA em parceria com a Tetra Pak. Essa tecnologia revoluciona o reaproveitamento de embalagens multimateriais que contenham alumínio e plástico ao separar as camadas desses materiais e permitir que ambos sejam reciclados e inseridos em novos ciclos produtivos.
“Esses avanços refletem uma tendência global: as marcas de cosméticos buscam cada vez mais materiais sustentáveis, infinitamente recicláveis e com pegada de carbono reduzida. E o alumínio oferece exatamente essa combinação — leveza, resistência, estética sofisticada e circularidade total —, tornando-se o material ideal para embalagens desse setor”, acrescenta Sottano, da CBA.
Além das novas tecnologias de separação, o mercado caminha para soluções monomateriais (100% alumínio) e sistemas de logística reversa. Muitas companhias estão implementando programas de logística reversa em parceria com cooperativas de reciclagem e fornecedores especializados, incentivando o retorno das embalagens pós-consumo.
Tendências

Entre as tendências globais, o alumínio vem ganhando mais espaço nas embalagens de cosméticos e produtos de higiene pessoal. De acordo com Assunta, do Instituto de Embalagens, há exemplos tanto no Brasil como no exterior que ilustram esse movimento.
Esse avanço se reflete em eventos internacionais do setor. Na Luxepack New York 2025, por exemplo, o Cloud Beauty Innovation Hub de Taiwan apresentou soluções de embalagens sustentáveis, incluindo uma linha de embalagens e acessórios produzidos inteiramente com alumínio 100% reciclável, com design minimalista alinhado aos princípios da economia circular.
No Brasil, um dos destaques é o Grupo Boticário, que deu um passo pioneiro no mercado nacional ao lançar uma nova embalagem de aerossol desenvolvida com alumínio e materiais reciclados pós-consumo. A solução, criada em parceria com a Trivium Packaging, resultou em um recipiente mais leve, com design otimizado, que reduz a geração de resíduos e a pegada de carbono do produto. A embalagem ainda combina alumínio reciclado pós-consumo com verniz BPA-free, ampliando a segurança durante o uso e reforçando os princípios da economia circular ao reduzir a necessidade de extração de matéria-prima virgem, como a bauxita.

Ainda no mercado brasileiro, a Natura Ekos, em parceria com a Nespresso, utiliza bisnagas de alumínio 100% reciclado nos cremes para as mãos da linha Ekos Castanha. Desse total, 10% do material tem origem em cápsulas de café Nespresso recicladas. E a proposta da marca é estender a solução para todo o portfólio Ekos, ampliando o uso de alumínio reciclado.
No mercado americano, por sua vez, o exemplo é a máscara firmadora de glúteos Bumbum Mask, da Kiss New York, cuja embalagem flexível de alumínio é selada no formato do quadril, que destaca o bumbum. O design inclui furação para pendurar em gancheiras, o que facilita a exposição no ponto de venda. Já a Clinique se sobressai como pioneira ao lançar uma linha especial de batons com embalagens de alumínio. E a Tubex também apostou no material com o lançamento da bisnaga MonoSense, produzida com alumínio 100% reciclado — sendo 95% pós-consumo e 5% pós-industrial — e destinada a produtos cosméticos para a área dos olhos e lábios.
A Coreia do Sul de igual modo tem soluções inovadoras, especialmente em higiene pessoal e maquiagem. Por lá, produtos como o batom Shine são acondicionados em embalagens flexíveis que remetem ao formato tradicional rígido, com tampa que incorpora a haste do lipstick, mesclando design diferenciado e funcionalidade.
“As embalagens de alumínio estão em alta na área de beleza por unir sustentabilidade, estética sofisticada e proteção do produto. A tendência é o uso de alumínio reciclado, com designs minimalistas, leves e funcionais. Além disso, os consumidores buscam praticidade, conveniência e estilo”, esclarece Assunta.
Na mesma direção, Maria Rita, da Novelis, ressalta que outra tendência é o uso de alumínio com acabamento anodizado, o qual reduz o impacto ambiental e permite personalizações sofisticadas, como gravações a laser e texturas táteis. Há também um movimento forte em direção a embalagens “refil” (refiláveis), permitindo que o consumidor reutilize o corpo principal do produto — o que reforça a imagem de sustentabilidade e inovação das marcas.
“Vale destacar que o alumínio não apenas contribui para a sustentabilidade e proteção dos cosméticos, mas também fortalece o posicionamento das marcas junto a consumidores mais conscientes. E o setor tem avançado na integração de tecnologias digitais, como QR Codes gravados diretamente no alumínio, o qual permite rastrear a origem da embalagem e comunicar ações de sustentabilidade ao consumidor final”, informa Maria Rita.
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