Em uma jornada de transparência e diálogo com a sociedade, a gigante norueguesa do setor do alumínio Hydro, por meio do seu programa Portas Abertas, convidou um grupo de jornalistas – incluindo a equipe do portal Revista Alumínio – para uma visita imersiva no coração da Amazônia. A jornada de quatro dias, de 19 a 22 de maio, revelou a complexidade da atuação da empresa na cadeia do alumínio e mostrou o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a inovação tecnológica e o profundo respeito às comunidades locais.
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De olhos voltados para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), a ser realizada em novembro deste ano em Belém, a visita também foi uma oportunidade para os convidados verem de perto o papel fundamental da empresa na economia paraense e sua busca por uma transição energética justa e de baixas emissões na região.
“A COP 30, com toda sua visibilidade, nos ajudará nesses quesitos e deixará um legado positivo longevo para a população paraense. Acreditamos que o Brasil e o Pará têm tudo para sediar a melhor COP da história, aproveitando nossa floresta e sua capacidade única de preservar o clima para deixar um legado duradouro”, afirma Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil.
Entendendo a mineração
No primeiro dia, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), com o apoio da Hydro, ministrou um curso sobre mineração. O objetivo foi desmitificar o setor e capacitar os jornalistas com conhecimentos técnicos e contextuais sobre o tema. O treinamento abordou desde os conceitos básicos e o glossário da mineração até temas como o impacto econômico do setor, o papel da mineração como impulsionadora da transição energética e a tecnologia e inovação na mineração do futuro. Além disso, mostrou como funcionam as barragens, bem como os tipos existentes, a segurança, os métodos de monitoramento e o papel da cobertura jornalística responsável no combate à desinformação.


O período contou com palestras e rodas de conversa ministradas por Aline Nunes, gerente de Assuntos Minerários, e Paulo Henrique Soares, diretor de Comunicação e Projetos do Ibram. O público também teve a oportunidade de ouvir Raul Jungmann, presidente do Ibram e ex-ministro de Reforma Agrária, Defesa e Segurança Pública; Rodolpho Zahluth Bastos, secretário-adjunto de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará; e Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Ao final, Baranov destacou a importância da mineração responsável e seu papel no impulsionamento da COP 30, além de reforçar o compromisso da Hydro com as melhores práticas sustentáveis.
A Hydro possui metas ambiciosas de sustentabilidade: reduzir as emissões de carbono em 30% até 2030 e alcançar net zero na produção de alumínio até 2050 (ou antes). Desde 2022, a empresa já investiu R$ 8,8 bilhões em projetos focados na descarbonização, incluindo limpeza da matriz energética de suas fábricas, reflorestamento e economia circular.
“Ser sustentável e um bom vizinho para as áreas em que atuamos são as prioridades da Hydro. Assim, não medimos esforços para alcançar nossas metas de redução de emissões e garantir o desenvolvimento sustentável das comunidades, seja com ações de impacto social, sobretudo via Fundo Hydro, seja com grandes projetos vinculados às nossas operações”, esclarece Baranov.

Mineração Paragominas
No dia 20 de maio, seguimos para a Mineração Paragominas, a 2ª maior mina de bauxita do Brasil, que tem capacidade de produção anual de 11,4 milhões de t. Ela é o primeiro ponto estratégico da cadeia do alumínio da Hydro. Operando desde 2007, sua produção é transportada para a refinaria Alunorte por meio de um mineroduto de 244 km, uma tubulação subterrânea movida por água que atravessa sete municípios paraenses.

Na ocasião, acompanhados por Anderson Martins, vice-presidente de Operações de Mineração da Hydro, foi possível conhecer as operações e as inovações da mina, além de ver como funciona todo o processo de produção, as tecnologias utilizadas na extração da bauxita e as iniciativas de preservação ambiental adotadas pela Hydro.
Um dos destaques foi a oportunidade de entender a metodologia Tailings Dry Backfill. Técnica pioneira no Brasil, ela elimina a necessidade de construir grandes barragens para guardar os rejeitos da bauxita permanentemente. Isso significa que, em vez de criar ‘lagos’ de resíduos, o material que sobra da mineração, depois de um período de secagem de sessenta dias, é cuidadosamente devolvido às mesmas áreas de onde o minério foi extraído. Dessa forma, a Hydro consegue preparar o terreno para que essas áreas sejam reabilitadas e reflorestadas.
Por falar em áreas mineradas, outra oportunidade foi conhecer o Programa de Reabilitação da Hydro Paragominas, para saber como funciona o processo de recuperação dessas regiões. A Hydro já reabilitou uma área de 3.467 ha, utilizando três técnicas principais: plantio, regeneração e nucleação. A iniciativa inclui acompanhamento periódico, enriquecimento das áreas, monitoramento por meio de parcelas permanentes e observação de espécies germinadas espontaneamente. Isso já levou a bons resultados, com o retorno de 415 espécies à fauna, além da identificação de novas espécies pelo Centro de Biodiversidade da Amazônia (BRC).
E as ações para a reabilitação da Hydro não param por aí. Uma das inovações que foram possíveis conferir foi a utilização de drones para reflorestamento na Amazônia. Essa tecnologia elimina a necessidade de abrir novas estradas de acesso nas áreas de plantio, o que já ajuda a reduzir as emissões de carbono. Além disso, cada drone consegue disparar 180 cápsulas por minuto, cada uma contendo várias sementes, permitindo o plantio de 25 a 50 ha por dia.
A eficiência sustentável do mineroduto da Hydro também chamou atenção. Ele contribui para uma redução de 33 mil t de emissões de CO2 por ano em comparação com o transporte ferroviário. Além disso, a Hydro Paragominas está implementando outras iniciativas para a redução da pegada de CO2, como a introdução de caminhões elétricos, a qual promete diminuir 120 mil t de emissão de CO2 em dez anos.
Fundo Hydro
No terceiro dia, 21 de maio, foi a vez de conhecer os projetos sociais apoiados pelo Fundo Hydro em Barcarena. A iniciativa nasceu em 2019, com a união de forças da Hydro, Albras e Alunorte, e funciona como um motor financeiro. Ao longo de dez anos, ele já vem destinando R$ 100 milhões para ações que buscam diminuir a desigualdade, gerar emprego e renda, valorizar a cultura local e proteger o meio ambiente.
As visitas começaram na sede do Instituto Barcarena Sustentável (IBS), um programa colaborativo que reúne comunidades, organizações civis, poder público e instituições de ensino e pesquisa. Com o apoio fundamental do Fundo Hydro, o IBS lança editais para seleção de projetos e pessoas com o intuito de impulsionar a capacitação profissional e o empreendedorismo local, sempre com foco em sustentabilidade. Já fazem parte dessa iniciativa os projetos Embarca, Tipitix e Estilo Barcarena. Em breve, o portal Revista Alumínio trará uma reportagem sobre essas iniciativas.
Este último, inclusive, foi o primeiro dos projetos visitados pelo grupo de jornalistas. A iniciativa, que tem impacto direto na vida das pessoas, capacita mulheres nas comunidades, desenvolvendo suas habilidades para atuação no mercado de costura e confecção, gerando oportunidades de trabalho e renda.

A última parada foi no Tipitix, um projeto de empreendedorismo agroalimentar comunitário. Com apoio do Fundo Hydro e da Fundação Mitsui Bussan do Brasil, o Tipitix oferece suporte técnico completo – desde tecnologia de alimentos até contabilidade, marketing e vendas – para empreendedores e grupos sociais da região. A grande sacada é que eles trabalham com matérias-primas e plantações locais, direto da agricultura familiar. Assim, o projeto promove soluções para o desenvolvimento sustentável na Amazônia, valorizando a riqueza da produção local e mostrando o potencial dos recursos da própria comunidade.
Alunorte
O desfecho da viagem, no dia 22 de maio, foi a visita à Alunorte, também localizada em Barcarena, a maior refinaria de alumina do mundo. A alumina é a matéria-prima essencial para a produção do alumínio e é obtida a partir da bauxita. Com início de produção em 1995, a Alunorte possui uma impressionante capacidade de 6,3 milhões de t de alumina por ano, sendo 65% de sua produção destinada ao mercado interno, transferida posteriormente para a Albras, onde o alumínio primário é produzido.
Carlos Neves, vice-presidente sênior/COO da Hydro Bauxita & Alumina, um dos executivos que nos receberam, ressaltou os esforços incansáveis da refinaria na descarbonização de suas operações. A Alunorte está investindo maciçamente em soluções como gás natural e energia solar e eólica (fornecidas pela Hydro Rein, braço de energia da empresa), assim como em uma série de outras iniciativas de eficiência energética.
Tais ações visam a uma redução estimada de 35% nas emissões de CO2, o que representa, aproximadamente, 1,4 milhão de t de carbono em comparação com a referência de emissões de 2017. A iniciativa é audaciosa e reforça o compromisso da Hydro com a sustentabilidade global e a redução de sua pegada de carbono na região amazônica.
Fotos: Divulgação Hydro




