Desde 4 de dezembro de 2025, o público paulistano pode conferir a exposição Alumínio em cores: da indústria ao ateliê, da técnica à poesia, iniciativa do Ministério da Cultura, da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e do Centro Cultural do Alumínio (CCAL). A mostra segue montada até 8 de maio de 2026, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas.
A exposição propõe uma imersão sensível na trajetória do alumínio: ele nasce cinza e funcional na indústria e ganha novos sentidos ao ser atravessado pelo olhar artístico. Na mostra, a cor deixa de ser apenas proteção da superfície e passa a atuar como elemento de expressão. A interação da luz com o alumínio cria brilhos, reflexos e texturas que ampliam o significado de cada obra, aproximando técnica e imaginação em um mesmo território estético.
A curadoria reúne dezesseis obras do acervo permanente do CCAL, incluindo peças exibidas ao público pela primeira vez. O conjunto evidencia a diversidade de técnicas aplicadas ao alumínio, como pintura a óleo, spray, impressão UV e anodização, além de reaproveitamento criativo de chapas e cápsulas de café expresso.
Processos técnicos como a anodização, por exemplo, são responsáveis por ampliar a durabilidade do metal e permitir sua coloração em tons vibrantes e permanentes, dialogando diretamente com a liberdade criativa dos ateliês, onde o material se transforma em conceito, tela e linguagem.
Mais do que apresentar obras, a exposição convida o visitante a refletir sobre como um material cotidiano pode superar sua função industrial e se transformar em poesia visual.
Confira as criações que estarão em destaque na exposição:
Mini Bothrocophia Mobile — de Lyz Parayzo

Com formato em espiral, a peça é de alumínio polido e anodizado na cor rosa, com corrente de aço e pesos de chumbo, criando um movimento visual que atrai o olhar, ao mesmo tempo que sugere cuidado. O rosa-brilhante contrasta com a ideia de lâmina e corte, estabelecendo uma tensão entre delicadeza e perigo. A escultura combina material industrial, cor vibrante e formas sinuosas para expressar força e sensibilidade no espaço.
Fauna 1 – Strigiprobóscio — de Sandra Lapage

Criada a partir de cápsulas de café expresso de alumínio, latas de bebida de alumínio, grampos e fios de cobre, a escultura se apresenta como um manto cerimonial erguido a partir do que a sociedade descarta, combinando prateados luminosos. Ao reutilizar resíduos industriais em larga escala, a artista provoca uma reflexão sobre consumo, lixo, luxo e valor.
Pinturas constituídas por tinta a óleo sobre chapa de alumínio — de Tatiana Strop

Em suas obras, a artista transforma chapas de alumínio de ferros-velhos em suporte pictórico, no qual memória, materialidade e transparência se entrelaçam. Em uma delas, a dobra presente na chapa introduz volume, sombras e tensão, ativando a obra no espaço. Em outra, o plano liso permite que a cor se expanda com suavidade, revelando nuances luminosas. Em ambas, os campos cromáticos dialogam com a superfície metálica de modo que a luz parece vibrar, acentuando a relação íntima entre gesto, cor e suporte.
Série Pratos — de Marinaldo Silva dos Santos

Nesta série, o artista traz pintura e assemblage (técnica artística que consiste na junção ou montagem de objetos tridimensionais diversos para criar uma nova obra de arte, similar à colagem, mas em três dimensões) sobre pratos de alumínio descartados. Tendo como referências cozinhas populares, cardápios improvisados e feiras de Belém (PA), as obras brincam com hábitos alimentares, consumo e desigualdade, ao passo que celebram ingredientes que marcam a identidade sensorial da Amazônia, como ovo frito, peixe, jambu e açaí.
Aguaça — de Vera Parente

Desenvolvida durante o período de confinamento provocado pela pandemia da Covid-19, a obra foi produzida a partir de antigas matrizes de gravura de alumínio. Camadas de resíduos, linhas e massas visuais evocam colapso, vertigem e catarse. O alumínio funciona como palimpsesto de experiências, refletindo a precariedade emocional do período e a busca por purificação e reconstrução.
Tinta spray e stencil sobre chapa de alumínio — de Ricardo Tatoo

A criação de Ricardo Tatoo projeta sobre a chapa de alumínio a silhueta urbana do Parque Ibirapuera, explorando o diálogo entre o brilho metálico do suporte e a precisão gráfica do stencil. As cores vibrantes e o traço rigoroso mostram seu olhar crítico sobre São Paulo. A obra reafirma ainda a potência do alumínio como suporte contemporâneo, no qual resistência, leveza e luminosidade se articulam às narrativas e à estética da arte de rua.
Novas Vistas — de Lucia Mindlin Loeb

Série de quatro fotomontagens coloridas impressas com tecnologia UV sobre chapa de alumínio. A artista mergulha nas paisagens urbanas da cidade de São Paulo. Ao retratar diversas localidades da cidade por meio dessa estrutura de recortes e cores vibrantes, ela propõe uma leitura fragmentada e dinâmica da cidade, onde a arquitetura, a infraestrutura viária e a vegetação se fundem em composições complexas, refletindo a sobreposição de realidades da capital paulista.
Pirarucu — de Luis Scarabel
Escultura em relevo feita com cápsulas de alumínio reutilizadas, que reproduzem as escamas do pirarucu, símbolo da Amazônia. A obra une engenhosidade técnica e consciência ambiental ao transformar resíduo urbano em homenagem à biodiversidade. O uso do material salvo do descarte dialoga com o manejo sustentável do peixe e a preservação do ecossistema.
Chega-te a mim — de Allyster Fagundes

Fotografia colorida impressa com tecnologia UV em metacrilato sobre alumínio composto (ACM) registra o ritual do banho de cheiro, prática tradicional da Região Norte do Brasil. Tem ao centro uma bacia de alumínio que, como um receptáculo sagrado, contém água, flores e as mãos do artista em manipulação; ela é cercada por velas e garrafas de essências coloridas. A obra une tradição e suporte contemporâneo. Classificada em 2º lugar no Prêmio Alumínio Arte & Design.
Todo voo começa com um passo — de Fúlvio Benicio de Mello

Fotografia colorida impressa com tecnologia UV em metacrilato sobre alumínio composto (ACM), a obra classificou-se em 1º lugar no Prêmio Alumínio Arte & Design. A fotografia enquadra de baixo para cima uma aeronave, destacando o trem de pouso de alumínio. A imagem monumental transforma engenharia em símbolo de potência e transição.
Eu, Raiz #01 — de Mafê de Biaggi

Construída a partir de uma única chapa de alumínio cortada e dobrada, sem solda ou pintura, a escultura traz a figura feminina em meditação atravessada por raízes desenhadas com caneta permanente, criando contraste entre o frio do metal e o gesto íntimo do traço. A obra sugere que o verdadeiro equilíbrio nasce da capacidade de se enraizar, mesmo quando tudo ao redor permanece em constante movimento.
O Banho e Dom Quixote — de Paulo Bordhin

Esculturas feitas com fios de alumínio anodizados traduzem o gesto do desenho para o espaço tridimensional. Em O Banho, apresenta uma forma etérea e fluida, que captura a delicadeza do ato de banhar-se. Em Dom Quixote, o artista intensifica a densidade e a complexidade da construção. Camadas de fios de alumínio em tons dourados delineiam a figura, conferindo-lhe movimento, profundidade e um caráter dramático. Nas duas obras, a versatilidade do alumínio transforma um material industrial em meio expressivo capaz de ocupar o espaço com leveza e invenção.
Retrato do tempo — de Fabrício de Petta Barbosa

Conjunto de quatro esculturas de alumínio de corte e dobra em chapas de alumínio com algumas das faces pintadas com tinta automotiva. Criadas no contexto do projeto Luiz Sacilotto: o gesto da razão, as peças resultam da imersão criativa na técnica de corte e dobra desenvolvida por Sacilotto nos anos 1950 — um método que, ao mesmo tempo, afirma o rigor construtivo da arte concreta e abre espaço para novas experimentações formais. Elas vibram entre a racionalidade do gesto e a poesia do alumínio em cor.
Tinta spray sobre chapa de alumínio — de Camila Siren

A pintura em spray sobre alumínio retrata o rosto de uma menina em tons de rosa, de olhos azuis intensos e rodeada por flores amarelas entre os cabelos pretos. Ganha vida por meio da precisão e do brilho característicos da tinta spray sobre alumínio. A obra reflete a linguagem da artista, marcada pelo graffiti e pela presença de personagens femininas. Com trajetória no Brasil e no exterior, Siren traduz no metal a expressividade do muralismo contemporâneo.
Tinta spray e stencil de múltiplas camadas sobre chapa de alumínio — de Igor Oliveira

Executada em stencil de múltiplas camadas sobre alumínio, a obra apresenta um menino negro agachado, usando uma coroa amarela que concentra o olhar e acentua a dimensão simbólica da imagem. A pintura integra a pesquisa do artista sobre a aplicação de imagens em suportes diversos, explorando o contraste entre o rigor gráfico da técnica e a materialidade metálica. A pintura dialoga ainda com a arquitetura urbana e referências da Amazônia.
Tinta spray sobre chapa de alumínio — de Alana Marcondes

A pintura em spray sobre alumínio apresenta uma mulher negra envolta em folhagens, iluminada por um sol amarelo. Com cores intensas e formas sintéticas, a peça valoriza temas como identidade, força e ancestralidade.
Alumínio em cores
De 4 de dezembro de 2025 a 8 de maio de 2026
Onde: Centro Cultural do Alumínio (CCAL)
Endereço: Avenida Dr. Cardoso de Melo, 1.308, Vila Olímpia, São Paulo
Entrada: Gratuita
Horário: De segunda a sexta-feira, das 10 às 12h30 e das 13 às 17 horas.
Mais informações: https://ccaluminio.com.br/
Fotos: Divulgação ABAL




