Apesar dos desafios econômicos e geopolíticos enfrentados em 2023, a indústria brasileira do alumínio mostrou sua força e conquistou resultados significativos. Segundo o 53º Anuário Estatístico da Associação Brasileira do Alumínio, o faturamento da indústria atingiu cerca de R$ 135 bilhões. Destaque para a produção de alumínio primário, que cresceu 26%, atingindo mais de 1 milhão de t.
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Graças a esse resultado, o Brasil subiu quatro posições no ranking mundial de produção de alumínio primário, passando da 12ª para a 8ª posição. A produção global de alumínio primário encerrou 2023 com 70,6 milhões de t, segundo o International Aluminium Institute (IAI).
A reciclagem de alumínio no País também foi relevante, alcançando a marca de 850 mil t. A intensidade carbônica do alumínio brasileiro é 3,3 vezes menor que a média global, demonstrando o compromisso da indústria com a sustentabilidade.
O setor fez investimentos de R$ 5,6 bilhões, um aumento de 1,8% em relação a 2022, e gerou mais de 500 mil empregos diretos e indiretos, representando um avanço de 2,1%.
As exportações brasileiras de alumínio e seus produtos apresentaram crescimento de 21,6%. Além disso, contribuíram com 5,6% do PIB Industrial do País, registrando um superávit comercial de US$ 2,7 bilhões.
Embora os resultados sejam positivos, o anuário destaca os desafios enfrentados pelo setor, como a complexidade do sistema tributário brasileiro e as barreiras comerciais internacionais. O consumo doméstico de produtos de alumínio apresentou uma leve queda de 2,7%, totalizando 1,5 milhão de t.
Mesmo diante desses obstáculos, a indústria do alumínio se mantém otimista e confiante em seu potencial de crescimento, impulsionada pela demanda global por materiais estratégicos para a transição energética e pela consolidação de uma cadeia produtiva verticalizada e sustentável no Brasil.
Bauxita e alumina
De acordo com o relatório, em 2023, a produção brasileira de bauxita alcançou 34,47 milhões de t, enquanto a produção de alumina chegou a 10,44 milhões de t. Com esses resultados, o Brasil permaneceu na 4ª posição como produtor de bauxita, com aumento de 0,8% em relação a 2022. No entanto, como produtor de alumina, o País, que ocupa o 3º lugar no ranking mundial, registrou uma queda de 3,9% em comparação ao ano anterior.
Em relação ao consumo interno de bauxita, houve uma diminuição de 3,4%, totalizando 28,56 milhões de t, mas as exportações do minério tiveram um salto de 12,4%, com destaque para o Canadá, China, Grécia e Irlanda como principais destinos.
Por outro lado, o consumo interno de alumina cresceu 6,2%, alcançando 1,83 milhão de t. E as exportações, que tiveram como principais destinos Canadá, Noruega e Estados Unidos, caíram 9%.
Construção civil em destaque
Em 2023, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio no Brasil apresentou uma queda geral de 2,7% em relação a 2022, totalizando 1,48 milhão de t. Apesar disso, alguns setores conseguiram resultados positivos, contrariando a tendência geral.
O setor da construção, por exemplo, impulsionado pelo desenvolvimento do mercado imobiliário, registrou um aumento de 6,6% no consumo do metal, atingindo 159,8 mil t. Já o setor elétrico teve um crescimento de 4%, um reflexo dos investimentos realizados pelo mercado em linhas de transmissão em 2023.
O setor de embalagens manteve-se como o principal consumidor de alumínio, com 561 mil t, o equivalente a 38% do total consumido em 2023. No entanto, a concorrência com outros materiais resultou em uma queda de 8,6% no consumo. O setor de transportes, 2º maior consumidor, também apresentou redução de 2,4%, totalizando 275 mil t, devido às dificuldades na indústria de veículos leves e mudanças na regulamentação de motores de veículos pesados. Já o segmento de bens de consumo registrou uma leve diminuição de 1,7%, com 137 mil t consumidas.
Balança comercial
Segundo o anuário produzido pela ABAL, a indústria nacional de alumínio registrou um superávit de US$ 2,693 bilhões em 2023. Esse resultado foi impulsionado pelas exportações, as quais alcançaram US$ 4,625 bilhões, superando as importações, cuja soma ficou em US$ 1,932 bilhão.
Considerando apenas o alumínio e seus produtos, as exportações alcançaram US$ 1,623 bilhão, cerca de US$ 100 milhões a menos que no ano anterior. No entanto, em volume, a indústria brasileira exportou 528 mil t, um aumento de 21,6% em relação a 2022. Os principais destinos foram Japão (31,7%), Países Baixos (18,9%) e Estados Unidos (11,3%).
O anuário está disponível nas versões online e impressa. Os associados da ABAL têm acesso gratuito ao conteúdo, enquanto os demais interessados podem adquiri-lo pelo site.
Imagem: Divulgação ABAL




