A poucas semanas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, a indústria brasileira do alumínio se mobiliza para apresentar suas iniciativas voltadas à descarbonização.
Como membro observador da conferência, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) representará o setor com voz ativa, levando à mesa de negociações o compromisso da indústria com a sustentabilidade e a economia circular, fortalecendo o papel do alumínio como aliado estratégico na redução de emissões e na construção de uma infraestrutura verde global.
“Os diferentes atores como governos, empresas, sociedade e academia, compartilham responsabilidades complementares na educação e na ação climática. A COP 30 é a oportunidade de demonstrar como o alumínio brasileiro é parte ativa da transição energética e da construção de um futuro mais justo, inovador e sustentável”, afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
Além de promover o debate técnico, a ABAL também busca ampliar a participação social na agenda climática global por meio da arte, da ciência e da cultura. Essa proposta se materializa na FreeZone Cultural Action — idealizada pelo Instituto Artô e parceira estratégica da entidade —, que será um dos espaços complementares às discussões oficiais da COP 30. A estrutura oficial da conferência é dividida em Blue Zone/Zona Azul, acessível apenas a credenciados para negociações, e Green Zone/Zona Verde, aberta ao público para exposições e debates.
Aberta e gratuita ao público, a iniciativa ocupa a Praça da Bandeira e oferece uma estrutura que reúne domos geodésicos, arenas, fóruns temáticos, painéis, oficinas, shows e experiências imersivas. Entre os destaques está O Fantástico Mundo do Alumínio, mostra dividida em quatro estações que convida o visitante a acompanhar a jornada do metal — desde sua origem e diversas aplicações até o papel transformador que exerce na transição para uma economia mais limpa e sustentável.
Revitalizado com o apoio do setor do alumínio, o espaço permanecerá como um legado para a cidade após o evento.
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Durante a COP, o FreeZone também contará com uma programação que incluirá debates sobre reciclagem e inclusão, descarbonização do alumínio, sustentabilidade com diversidade, economia circular e mobilidade sustentável. Jovens lideranças do Brasil e de outros países também marcarão presença, trazendo novas perspectivas e reforçando o protagonismo da juventude na construção de soluções climáticas para o futuro.
Expectativas
Segundo Henrique Anadan, diretor-regional de Meio Ambiente da Alcoa Brasil, a COP 30 permitirá ao País mostrar que é possível conciliar crescimento econômico, inclusão social e conservação ambiental, fortalecendo tanto a imagem nacional como a confiança internacional em setores estratégicos, como o do alumínio.
Para a companhia, a conferência deve intensificar o diálogo e a cooperação entre governos, empresas e sociedade civil, estimulando políticas públicas e investimentos voltados à descarbonização, eficiência energética e economia circular — pilares que orientam a estratégia global da Alcoa. O setor do alumínio brasileiro, enfatiza Anadan, já parte de uma posição privilegiada, com uma das menores pegadas de carbono do mundo, resultado da matriz energética renovável e do comprometimento das empresas com práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, da mineração da bauxita ao produto final.
“A COP 30 também deve servir como vitrine para o papel essencial do alumínio na transição energética, presente em soluções ligadas à mobilidade elétrica, energias renováveis e construção sustentável. Por esse motivo, para a Alcoa, será o momento de mostrar como a empresa vem transformando a indústria por meio da inovação e da responsabilidade socioambiental, fortalecendo a competitividade do alumínio brasileiro e sua contribuição para um futuro mais sustentável”, afirma Anadan.
Conexões
A Alubar preparou uma programação especial para marcar sua participação durante a COP 30. De 9 a 16 de novembro, a empresa realizará atividades paralelas à conferência na Casa Rosada, imóvel do século 18 restaurado e administrado pela companhia há mais de dezoito anos, localizado no centro histórico da cidade. No Espaço Conexões, serão promovidos encontros e debates com autoridades governamentais, imprensa, influenciadores, clientes, fornecedores e a comunidade local, abordando temas alinhados à pauta climática. Um dos destaques será a palestra do ministro Nelson Jobim, com o tema Meio ambiente e economia no Século 21: a Constituição como roteiro de sustentabilidade.
O espaço também abrigará a exposição Natureza que Transforma, com obras dos artistas Geraldo Teixeira e Dina Oliveira, além de painéis sobre o restauro da Casa Rosada e apresentações musicais de artistas paraenses, como Andresson Dourado, Naime e Salomão Habib. A programação inclui ainda visitas guiadas conduzidas pelo historiador Michel Pinho, que abordará a história da cidade e a relevância cultural do edifício. Com isso, a Alubar mostra o seu compromisso em unir arte, cultura e sustentabilidade, ampliando o diálogo entre a agenda climática global e a identidade amazônica.
Para Mônica Alvarez, gerente de Comunicação da Alubar, a COP é um marco histórico para a Amazônia e para o Brasil, especialmente no que se refere ao setor de alumínio. O evento representa uma oportunidade única de firmar compromissos reais com a descarbonização da cadeia produtiva e de posicionar o alumínio como parte essencial da solução para a crise climática.
“Se conseguirmos consolidar ações práticas, esse setor será, cada vez mais, visto como parte da solução para a emergência climática que estamos vivendo. E a Alubar, como líder no fornecimento de cabos elétricos de alumínio para linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, tem um papel significativo na transição energética do País, pois seus produtos conduzem a energia produzida nos parques eólicos e fotovoltaicos para os centros urbanos e rurais”, afirma Mônica.
Legado na Amazônia
De acordo com Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, a companhia atuará na COP 30 focada em descarbonização, sustentabilidade e desenvolvimento territorial na Amazônia — pilares que orientam suas operações no Pará. A empresa estará presente na Blue Zone, onde ocorrerão as negociações oficiais, com o patrocínio do Amazon Hub, em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, mostrando sua atuação institucional no diálogo com líderes e tomadores de decisão globais. Na Green Zone, a Hydro pretende destacar iniciativas que evidenciam seu compromisso com a preservação ambiental e o futuro da região amazônica.
A agenda da companhia também se estende ao espaço na FreeZone da ABAL. Nesse ambiente, Hydro e Albras terão um domo exclusivo no Amazônia Lounge, dedicado a apresentar os resultados de projetos sociais apoiados pelo Fundo Hydro. A empresa marcará presença ainda em eventos, sessões de networking e encontros culturais, fortalecendo sua imagem como agente de transformação e diálogo entre indústria, sociedade e meio ambiente.
Entre as ações de legado, a Hydro apoia a instalação do Peace Bench, monumento de alumínio criado pelo Nobel Peace Center como símbolo de diálogo e cooperação internacional, que permanecerá em Belém após a conferência. Outro destaque é o papel da empresa como correalizadora da Jornada COP+, um movimento multissetorial liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que busca mobilizar o setor e parceiros para construir uma nova agenda econômica sustentável para a Amazônia antes, durante e após a COP 30. Dentro desse esforço, a mostra Joias da Amazônia ganhará visibilidade ao expor e comercializar biojoias criadas por artesãs e designers de comunidades quilombolas, ribeirinhas e extrativistas — uma ação que une geração de renda, valorização cultural e sustentabilidade.
“Acreditamos que a COP será fundamental para mostrar ao grande público, nacional e internacional, a jornada de descarbonização da Hydro e do setor do alumínio como um todo, inspirando outros setores a adotar iniciativas similares e auxiliando na construção de parcerias para alavancar ainda mais nossas agendas climáticas”, afirma Baranov.
O CEO da Hydro reforça ainda que a Hydro chega à COP 30 com resultados concretos de sua estratégia de descarbonização, impulsionada por investimentos de R$ 12,6 bilhões desde 2022. Os recursos foram aplicados em projetos de energia renovável, como as usinas solares de Boa Sorte (MG) e Mendubim (RN), além do parque eólico Vento de São Zacarias, entre Piauí e Pernambuco. A empresa também vem avançando na substituição de combustíveis fósseis, com a adoção de gás natural, caldeiras elétricas e biomassa de caroço de açaí na Alunorte, reduzindo o uso de carvão. Com essas ações, a Hydro projeta diminuir suas emissões globais em 30% até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Mineração sustentável
Mostrar que é possível minerar de forma sustentável, respeitando a floresta e as pessoas que vivem nela. Esse é o objetivo da Mineração Rio do Norte (MRN) na COP. Guido Germani, CEO da companhia, relata que a presença da MRN na conferência reforça um legado de 46 anos de atuação na Amazônia pautado em práticas como reflorestamento, conservação da biodiversidade e fortalecimento das comunidades locais.
Durante o evento, a MRN participará da Arena CronoEcológica, também na FreeZone, que deve atrair mais de 10 mil visitantes por dia. Germani explica que a escolha de um ambiente aberto reflete o desejo da empresa de se aproximar da sociedade e de compartilhar a ideia de que cuidar da Amazônia é uma responsabilidade coletiva. O respeito às pessoas e o protagonismo das comunidades locais são princípios que orientam a gestão da mineradora e estarão no centro das discussões promovidas pela companhia durante a COP.
No dia 17 de novembro, a MRN realizará o painel “Negócios que regeneram: sustentabilidade com raiz no território”, para discutir como ciência, tecnologia e saberes tradicionais podem caminhar juntos em prol da floresta e de quem vive dela. Na ocasião, a empresa lançará o livro Onde Andei Valeu a Pena, que celebra os 25 anos do seu programa de resgate e reintrodução da flora, além de homenagear o pesquisador João Batista Fernandes.
“Quando se fala em Amazônia, o olhar de fora costuma estar voltado para os desafios. Mas quem vive aqui sabe que este também é um território de soluções. É isto que queremos mostrar na COP 30: como os negócios podem ser vetores do desenvolvimento sustentável e da regeneração. O reflorestamento é um bom exemplo disso, ele vai muito além de plantar árvores, envolve toda uma cadeia de valor que gera renda, fortalece comunidades e devolve dignidade”, pontua Guido Germani.
Reciclagem
A Novelis participará da COP 30 com o propósito de reforçar o papel da economia circular do alumínio como elemento-chave na transição para um futuro de baixo carbono. Segundo Elizabeth Shie, head de Estratégia da Novelis América do Sul, a empresa contará com porta-vozes em fóruns e painéis que irão promover o diálogo entre indústria, poder público, sociedade e toda a cadeia da reciclagem. Além disso, a companhia apoiará iniciativas voltadas à cultura e à educação, alinhadas às temáticas debatidas nas agendas oficiais do evento, com o objetivo de fortalecer parcerias e construir novas alianças em prol da descarbonização.
Para a Novelis, a circularidade já é uma prática consolidada e escalável, capaz de gerar impacto positivo tanto ambiental como social. A executiva ressalta que a empresa levará à COP 30 exemplos concretos de como a reciclagem do alumínio transforma a economia e melhora a vida das pessoas, mostrando que sustentabilidade não é apenas um conceito, mas uma realidade presente em toda a operação da companhia.
“Nossa expectativa é mostrar que a economia circular do alumínio já é uma realidade e um sucesso no Brasil, além de destacar sua importância para a redução de emissões na indústria, evidenciando a atuação da Novelis no contexto nacional e mundial”, reforça.
Crédito da imagem de abertura: https://cop30.br/pt-br




