A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) teve início na segunda-feira, dia 10 de novembro, em Belém, marcando a primeira vez que o evento é realizado na Amazônia. Serão duas semanas de debates e negociações entre líderes, cientistas, empresários e representantes da sociedade civil com o objetivo de transformar promessas em ações concretas para conter o aquecimento global.
A Cúpula de Líderes, que reuniu chefes de Estado, ministros e representantes de organismos internacionais, definiu o tom político das negociações desta edição, centrado em três pontos principais: acelerar a transição energética, ampliar o financiamento climático e proteger as florestas tropicais. Na abertura oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que levar a COP para o coração da floresta é uma decisão política e simbólica, mostrando que a Amazônia faz parte da solução climática. Ele reforçou que esta deve ser a “COP da implementação”, quando os compromissos assumidos nos últimos anos começam, de fato, a sair do papel. Cerca de 50 mil pessoas participam do encontro que marca o início de uma nova fase das discussões sobre o clima, com foco em resultados reais e cooperação global.
Entre os participantes, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e as indústrias do setor também marcam presença ativa na conferência, levando ao mundo a mensagem de que o alumínio é parte essencial dessas soluções para o clima. O metal — leve, durável e infinitamente reciclável — tem papel estratégico na construção de um futuro mais sustentável e na transição para uma economia de baixo carbono.
“A COP 30 pode acelerar mudanças importantes para o setor do alumínio ao ampliar as discussões sobre economia circular, políticas de precificação de carbono e mecanismos para garantir concorrência justa no mercado global”, declara Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
Arte e debates
Com presença marcante na COP 30, a ABAL inaugurou no dia 9 de novembro a exposição imersiva O Fantástico Mundo do Alumínio, na FreeZone Cultural Action, espaço que convida o público a conhecer de forma interativa o papel do metal na sustentabilidade. A mostra propõe aos participantes uma jornada interativa por quatro estações que demonstram como o alumínio está presente no dia a dia e nas soluções voltadas à economia de baixo carbono. Por meio de recursos interativos, como vídeos, hologramas e jogos, o público que esteve por lá essa semana conheceu desde o processo que transforma a bauxita em alumínio até os projetos de capacitação, geração de renda e desenvolvimento comunitário promovidos pelo setor.
Além da exposição, a ABAL promoveu uma ampla agenda de debates estratégicos nas diferentes zonas da conferência, com painéis dedicados à reciclagem, à transição energética e à mobilidade sustentável. A programação abordou temas como a economia circular, o papel das políticas públicas na descarbonização e os desafios da indústria rumo a um futuro de emissões neutras. Janaina Donas teve atuação de destaque como mediadora de discussões sobre desenvolvimento inclusivo, integração dos catadores na cadeia formal da reciclagem e inovação tecnológica para reduzir o impacto climático do setor.
Entre os principais painéis, destacou-se este, cujo tema foi “Pessoas que movem a economia circular: integrando catadores à reciclagem de alumínio”, promovido em parceria com o International Aluminium Institute (IAI) e a Aluminium Stewardship Initiative (ASI). Nele, a ABAL trouxe à tona a relevância social de 15 milhões a 20 milhões de catadores que sustentam a reciclagem mundial. O debate defendeu a criação de políticas e sistemas de reciclagem mais justos, que valorizem o trabalho desses profissionais e ampliem a participação deles em um modelo produtivo sustentável e ético.
Apoios e lançamentos
A Hydro também teve uma atuação ampla em diferentes arenas da conferência. A companhia participou de debates na Blue Zone, Green Zone e FreeZone, integrando lideranças globais, governos e comunidades locais em torno de soluções para a transição energética e a redução de emissões. Na FreeZone, a Hydro mantém o Amazônia Lounge, espaço que apresenta projetos do Fundo Hydro — iniciativa que já beneficiou mais de 100 mil pessoas em Barcarena (PA) com ações voltadas à educação, geração de renda e preservação ambiental.
Durante a semana, a empresa participou ainda da inauguração do Banco da Paz, escultura de alumínio de baixo carbono instalada no Parque da Cidade e doada ao Estado do Pará. Além disso, a Hydro apoia a 2ª Semana do Clima da Amazônia 2026, que busca consolidar a região como modelo global de sustentabilidade. Segundo Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, a presença da empresa na COP 30 reafirma o papel da indústria na Amazônia e a necessidade de unir esforços para acelerar a agenda climática com responsabilidade social e ambiental.
A Alubar, por sua vez, transformou a histórica Casa Rosada, no centro de Belém, em um ponto de encontro para os visitantes da conferência. Com o espaço “Conexões: inovação e sustentabilidade”, a empresa promove até 16 de novembro debates, exposições e atividades culturais sobre energia, meio ambiente e desenvolvimento amazônico.
Outros destaques da semana na COP envolvendo a cadeia do alumínio reforçaram o compromisso da indústria com a sustentabilidade e a inovação. A Ball Corporation, fornecedora oficial das latas de água do evento, produziu embalagens com 78% de material reciclado e energia 100% renovável, em parceria com a Mamba Water e a Amapura, destinando parte da receita a projetos ambientais na Amazônia. O Instituto Recicleiros também participou das discussões na Blue Zone, realçando a economia circular e a inclusão de catadores, além de anunciar um novo projeto de reciclagem em Juruti (PA), com apoio da Alcoa Foundation. A Itaipu Binacional apresentou o BotoH₂, o primeiro barco de alumínio da América Latina movido a hidrogênio verde e energia solar, o qual, após a conferência, será usado na coleta de resíduos em comunidades ribeirinhas.
Próxima semana
Na próxima semana, a indústria do alumínio terá novamente uma agenda intensa na COP 30, com painéis voltados à sustentabilidade, economia circular e transição energética. No dia 17 de novembro, o setor abrirá as discussões com o painel “Reciclagem e inclusão: o alumínio brasileiro na vanguarda da circularidade global”, na Green Zone, que mostrará exemplos práticos de inovação e impacto socioambiental positivo. No mesmo dia, a FreeZone sediará dois debates: “Materiais estratégicos e transição energética”, com Janaina Donas, da ABAL, como mediadora, e “Negócios que regeneram: sustentabilidade com raiz no território”. No dia 18, na FreeZone, haverá o painel “Financiamento climático: o papel do investimento para iniciativas resilientes e sustentáveis”, abordando a responsabilidade da juventude no acesso a recursos verdes.
As discussões seguem no dia 19 de novembro, também na FreeZone, com os painéis “Transição justa: alinhando ação climática e desenvolvimento territorial” e “Adaptação climática: como construir territórios resilientes e sustentáveis”, sobre os desafios urbanos até 2050. No dia 20, a Green Zone receberá o painel “Circularidade na indústria: caminhos para descarbonizar setores hard-to-abate”, com foco em como a economia circular pode acelerar a descarbonização dos setores de alumínio, vidro, química e cimento. Encerrando a agenda dos painéis, no 21 de novembro, a FreeZone promoverá o tema “Transição energética justa: desafios e perspectivas jovens”, que discutirá o envolvimento das novas gerações na preservação dos ecossistemas e no futuro sustentável da energia.
O Centro Cultural do Alumínio (CCAL), iniciativa da ABAL, promoverá oficinas gratuitas que unem arte, capacitação e sustentabilidade. As atividades abordarão temas como legislação ambiental, empreendedorismo circular e reaproveitamento artístico do alumínio reciclado, envolvendo catadores, artistas e empreendedores locais.
Confira a agenda completa: https://abal.org.br/agenda-abal-na-cop30




