No ano passado, o setor de alumínio no Brasil alcançou um faturamento recorde de R$ 159,3 bilhões, refletindo o fortalecimento da cadeia produtiva e sua relevância na economia nacional. Os dados são do 54º Anuário Estatístico da Associação Brasileira do Alumínio, que também detalha outros indicadores importantes, como investimentos, participação no Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos, arrecadação de impostos e desempenho na balança comercial — confira na reportagem Indústria do alumínio aumenta faturamento em 21,2% em 2024 e alavanca a economia brasileira.

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Segundo Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, os resultados de 2024 refletem a maturidade e a resiliência da cadeia do alumínio no Brasil, que é altamente integrada, verticalizada e comprometida com a inovação e o desenvolvimento da economia nacional. Com esse panorama do setor, agora é hora de mergulhar nos números e descobrir como as empresas da indústria do alumínio estão se saindo nessa jornada de crescimento.
Alumínio primário
Em 2024, a produção brasileira de alumínio primário cresceu 8,8% em relação a 2023, alcançando 1,1 milhão de t. Esse avanço do setor teve como um dos protagonistas a Albras, companhia que manteve o foco na excelência produtiva e comercial, entregando 449 mil t de alumínio. Impulsionado por um preço médio de venda mais vantajoso, que refletiu a valorização do alumínio no mercado global, o faturamento bruto da empresa superou os R$ 6,3 bilhões.

“Mesmo diante de pressões de custo, especialmente em matéria-prima e carga fiscal, seguimos avançando com investimentos estratégicos e melhorias contínuas, reafirmando nosso compromisso com a sustentabilidade e a competitividade”, declara Luiz Roberto Silva Júnior, CEO da Albras.
Conforme Júnior explica, a Albras tem atuado de forma estruturada para fortalecer o mercado de alumínio primário. Entre seus destaques de 2024 está a renovação das certificações internacionais da Aluminium Stewardship Initiative (ASI), tanto no padrão de desempenho como na cadeia de custódia, reforçando a governança e práticas Environmental, Social, and Governance (ESG) da Albras. Além disso, a empresa avançou na matriz energética, com parcerias estratégicas em energias renováveis, como as usinas solares Atlas Boa Sorte e Vista Alegre, o que colabora diretamente para um mercado mais sustentável e alinhado às exigências globais de descarbonização.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) também atingiu um bom nível de produção, chegando a 364.500 t de alumínio primário. Essa alta foi crucial para suprir a forte demanda do mercado doméstico, especialmente nos setores de construção civil, automotivo, embalagens e eletrificação.

Bauxita
Em se tratando da produção brasileira de bauxita, o mercado alcançou cerca de 35,3 milhões de t em 2024, um aumento de 2,3% em comparação com o ano anterior. Esse desempenho contou com a contribuição da Mineração Rio do Norte (MRN), que se sobressai pela expressiva participação na produção nacional, com 12,8 milhões de t no ano, além da sua atuação estratégica em toda a cadeia do alumínio. A empresa atende clientes em três continentes e mantém um equilíbrio essencial entre abastecimento interno e exportações, destinando cerca de 60% de sua produção ao mercado brasileiro e colaborando ainda para a posição de relevância do País na produção global de alumina.
“Nosso compromisso com a excelência operacional, a sustentabilidade e a inovação tecnológica permite à MRN garantir um fornecimento seguro, eficiente e responsável de bauxita. Investimos continuamente na melhoria dos processos produtivos, na qualificação da força de trabalho e em práticas que promovam o desenvolvimento socioeconômico na Amazônia”, afirma Guido Germani, CEO da MRN.
A MRN anunciou que está reforçando seu compromisso com a produção sustentável de bauxita para satisfazer à demanda crescente dos mercados nacional e internacional. A estratégia da empresa se apoia em duas ações prioritárias: o Projeto Novas Minas (PNM), que garantirá a continuidade das operações no Oeste do Pará por mais quinze anos, e o Projeto da Linha de Transmissão (PLT), que conectará a unidade ao Sistema Interligado Nacional do setor elétrico — um passo essencial para a transição da matriz energética da empresa. O PLT já obteve a Licença de Instalação (LI) e, durante a fase de implementação, deve gerar cerca de quinhentos empregos, sendo metade das vagas destinada a trabalhadores locais.
Alumina
A produção de alumina, de acordo com o anuário, cresceu 1,5%, chegando a quase 10,6 milhões de t. E a Alcoa Brasil é uma das que contribuíram para esse resultado. Gisele Salvador, diretora-financeira da empresa, diz que os investimentos se concentram de forma significativa nos negócios de alumina e alumínio, tanto para atendimento do mercado interno quanto para exportação.
“Atualmente, contamos com um programa consistente e robusto de melhoria de performance, com diferentes frentes de atuação nas nossas três unidades em Poços de Caldas (MG), São Luís (MA) e Juruti (PA), para tornar as operações cada vez mais eficientes e seguras, otimizando custos, com o objetivo de aumentar a produtividade. Aplicamos recursos em tecnologia e soluções inovadoras com foco em sustentabilidade, para a evolução do setor minerário no Brasil”, afirma Gisele.
Segundo a diretora-financeira, a Alumar, localizada em São Luís, está entre as maiores refinarias de alumina do mundo em termos de produtividade, atuando como elo entre a produção brasileira e o mercado internacional. Para o segundo semestre de 2025, a empresa continuará focada na ampliação das operações da sua linha de redução, reativada em 2022, com o objetivo de alcançar a capacidade plena de 447 mil t por ano. Toda essa produção será sustentada por energia 100% de fonte renovável, reforçando a competitividade da unidade e contribuindo para a autossuficiência do alumínio no Brasil.
Reciclagem
A reciclagem do alumínio é um fator-chave para a economia de energia e a descarbonização, uma vez que consome apenas 5% da energia necessária para a produção do metal primário, uma redução de 95% no consumo energético. E, segundo o anuário da ABAL, no Brasil, esse processo é ainda mais eficiente graças à matriz energética limpa e à cadeia de reciclagem bem-estruturada. Em 2023, por exemplo, o País reciclou 99,7% das latas de alumínio para bebidas, consolidando sua posição como referência mundial em reaproveitamento do material.
Essa capacidade sustentável tem guiado iniciativas de grandes empresas do setor, como a Hydro, que em 2024 avançou significativamente em sua jornada de sustentabilidade e inovação, alinhando crescimento com metas de descarbonização. Um dos destaques foi a redução estimada de 1,4 milhão de t de CO₂ na refinaria Alunorte, no Pará, com a adoção de gás natural, caldeiras elétricas e pesquisa de uso do caroço de açaí como substituto ao carvão. Esses esforços são importantes para atingir a meta global da empresa de cortar 30% das emissões até 2030.

“A companhia também investiu R$ 8,8 bilhões em ações ligadas à descarbonização, como a reabilitação e o reflorestamento de áreas, e em energias renováveis nos últimos dois anos. Obtivemos ainda o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol para nossas três principais operações no Brasil, a Alunorte, a Mineração Paragominas e a Albras, atestando a excelência e transparência na gestão de nossos inventários de emissões de gases de efeito estufa”, afirma Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil.
Outro destaque no setor de reciclagem de alumínio, a Novelis teve papel relevante no fortalecimento do mercado por meio de investimentos estratégicos em capacidade produtiva e reciclagem, além do compromisso contínuo com a economia circular. Recentemente, a empresa concluiu a segunda fase de um investimento de R$ 450 milhões em seu Complexo Integrado de Laminação e Reciclagem em Pindamonhangaba (SP), que incluiu a duplicação de equipamentos, uma nova linha de embalagem e melhorias logísticas, aumentando a confiabilidade e a produtividade da fábrica.

“A Novelis expandiu suas operações de reciclagem processando cerca de 20 bilhões de latinhas de alumínio anualmente e ampliando a reciclagem para outros tipos de sucata, como panelas e aerossóis. Essas iniciativas fortalecem a cadeia produtiva e evitam emissões significativas de CO2, mostrando como a empresa é crucial na descarbonização da indústria e na geração de empregos e renda para cerca de 800 mil catadores/catadoras no País”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da empresa.
Segundo Roberto Cassaniga, gerente de Planejamento Tributário/Financeiro e Hedge Corporativo da Alcast, um dos destaques do período para a empresa foi o avanço no setor de reciclagem. A companhia investiu em inovação ao implementar um projeto de reaproveitamento de latas, integrando essa matéria-prima reciclada à produção de itens da linha laminada. Com isso, parte do insumo passou a ser proveniente de sucata, gerando ganhos como a redução no consumo de energia e o apoio à descarbonização das operações.
Os maiores consumidores
De acordo com o anuário da ABAL, em 2024, o setor de embalagens foi o maior consumidor de produtos transformados de alumínio, respondendo por 32,5% do total e exibindo uma alta de 8,1% em relação a 2023. Segundo Luciano Alves, CEO da CBA, sobretudo em embalagens semirrígidas, esse cenário foi crucial para marcar a retomada do setor e a necessidade de reabastecimento de estoques e, dessa forma, impulsionar os negócios da companhia.
A construção civil, com o aumento de 21,7% em relação a 2023, representou 17,7% no consumo total de alumínio. E o setor de transportes correspondeu a 16,3%, uma alta de 11,1%.
“Na construção civil, o crescimento foi impulsionado por programas de habitação popular, o que elevou a procura por produtos de alumínio, como tarugos. E o segmento de transportes se sobressaiu na recuperação do mercado interno, que também é atendido pela CBA. São iniciativas que nos mantêm focados no aumento de produção e na oferta de um alumínio de baixo carbono, com impactos positivos para o meio ambiente e a sociedade”, considera Alves.
O negócio de transformados da CBA também ampliou sua presença no mercado de folhas de alumínio. Abastecendo setores como construção civil, embalagens, transporte, agronegócio e bens de consumo, a empresa manteve foco em clientes nacionais e exportações para países da América do Sul, América do Norte e Europa. Para impulsionar sua atuação, a companhia iniciou 31 novos projetos de inovação em 2024, a maioria em cocriação com clientes, somando 75 iniciativas no portfólio, com destaque para soluções voltadas à eletrificação, mobilidade urbana e embalagens monomateriais de alumínio.
“A Alcast Laminados também sentiu os bons resultados de 2024, pois a empresa alcançou R$ 1 bilhão em faturamento no ano. A unidade de laminados se destacou pela produção de alumínio de alta qualidade, essencial para diversos setores industriais. Esse resultado é fruto de investimentos contínuos em tecnologia, modernização da planta industrial e automação dos processos, consolidando a marca como uma das referências em excelência e eficiência no segmento de alumínio laminado”, considera Roberto Cassaniga.
Durante o período, o Grupo Alcast contribuiu significativamente para o setor industrial brasileiro ao investir mais de R$ 200 milhões em expansão e modernização, incluindo a ampliação da planta de Francisco Beltrão e a nova fábrica em Araucária, ambas no Paraná. A adoção SAP (Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados) e o avanço em automação e inteligência artificial também elevaram a eficiência operacional das marcas Panelux e Alcast Laminados. Além disso, a empresa se destacou por reinvestir mais de 50% de seus lucros no próprio negócio, impulsionando a transformação industrial no País.
Tendências de crescimento
A diversidade de produtos de alumínio oferecidos pelo mercado é um dos principais fatores para o bom desempenho da AMG Brasil no segmento de anteligas em 2024. Com soluções em ligas de alumínio voltadas para diferentes tipos de fundição, como tarugos, esquadrias, chapas, laminados, vergalhões, cabos de alumínio, rodas e peças automotivas, ligas secundárias e especiais, embalagens e reciclagem, a empresa vem suprindo com eficiência as exigências do setor.

“Em todos esses segmentos, o refinador de grãos Titânio-Boro-Alumínio (TiBAl) se consolidou como o carro-chefe, sendo essencial no processo de fundição por garantir o refino dos grãos nas ligas dos clientes e contribuindo significativamente para os resultados positivos alcançados no ano”, aponta Fabiano Costa, CEO da AMG Brasil.
No mercado externo, a AMG conseguiu ser estratégica em preços, além de criar oportunidades para o negócio de alumínio. Essas exportações aumentaram 39% em faturamento, se comparadas ao ano anterior. Costa ressalta que, nesse último ano, principalmente, eles investiram esforços e recursos para desenvolver processos com materiais recicláveis e alumínios alternativos. Essas iniciativas foram cruciais não só para a redução de custos, mas também para a sustentabilidade dos negócios e para as políticas do Grupo AMG em relação ao ESG.
No que se refere ao setor de eletricidade, houve também uma elevação expressiva de 18,9% em 2024, totalizando 228.800 t. Esse crescimento está alinhado ao movimento de empresas como a Termomecanica, que vêm se preparando para atender cada vez mais a crescente demanda do setor. Com investimentos na linha de vergalhão de alumínio desde 2021 e foco em relações comerciais estratégicas, a companhia conseguiu suprir boa parte do consumo de 2024, especialmente dos fabricantes de cabos para linhas de transmissão e distribuição de energia, segmento que permanece aquecido diante dos investimentos previstos até 2027 em novas linhas e na manutenção da infraestrutura existente, incluindo áreas fora do Sistema Interligado Nacional.

“A forte demanda de 2024, apesar do leve arrefecimento no final do ano, propiciou aquecimento no primeiro trimestre de 2025, e isso deve se manter positivo ao longo do segundo semestre. O mercado de energia, de modo geral, está otimista com os leilões de investimentos em progresso, o que reforça as expectativas positivas da Termomecanica no atendimento das demandas do setor elétrico não só em 2025 como nos próximos anos”, aponta Alessandro Kleber dos Santos, gerente de Produção da Termomecanica.
Crédito da imagem de abertura: Divulgação ABAL




