O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, mais uma vez moveu as peças no tabuleiro do comércio internacional. No último dia 2 de junho, por meio de um decreto presidencial, foi anunciado que a tarifa de importação sobre os produtos de alumínio passará de 25% para 50%.
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Tarifa de 25% sobre alumínio nos Estados Unidos preocupa indústria brasileira
Essa medida, com base na Seção 232 do Trade Expansion Act, aumenta significativamente as preocupações da indústria, levando a um cenário de incerteza ainda maior do que quando a tarifa era de 25%.
Para a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), o momento exige mais do que reações isoladas do Brasil. A entidade defende um “duplo movimento”. A princípio, é crucial agir com cautela e calibração na implementação de medidas emergenciais. Isso inclui fortalecer os instrumentos de defesa comercial e fazer ajustes tarifários para combater práticas desleais e desvios de comércio. Em seguida, é fundamental ter uma visão estratégica para reposicionar o País na nova geografia da cadeia global do alumínio, aproveitando suas vantagens competitivas.
Apesar dos desafios apresentados pelo cenário global, o Brasil possui ativos valiosos para responder a essa nova realidade. O País detém a 4ª maior reserva de bauxita e é o 3º maior produtor global de alumina, sem contar a sua cadeia produtiva verticalizada, a alta taxa de reciclagem e os investimentos crescentes em energia limpa.
Além disso, segundo a ABAL, em 2024, os Estados Unidos absorveram 16,8% das exportações brasileiras de alumínio, com destaque para chapas e folhas. Estima-se que até 90% do alumínio primário produzido no país norte-americano tenha, em seu DNA, insumos brasileiros. Essa conexão estratégica produtiva, na visão da ABAL, deveria ser considerada em qualquer análise de impacto ou negociação bilateral.
“Não se trata de responsabilizar governos ou lideranças específicas. A realidade é que estamos diante de um cenário em que medidas protecionistas passam a conviver com agendas industriais mais coordenadas. Nesse ambiente, proteger apenas um elo da cadeia é insuficiente se o País continua vulnerável na produção dos insumos que a sustentam”, declara a ABAL.
A entidade continua dialogando com o governo brasileiro e autoridades internacionais para garantir condições de concorrência justas e o reconhecimento do papel estratégico do alumínio nacional na economia de baixo carbono.
Foto: Divulgação ABAL




