O faturamento da indústria de transformação — segmento responsável por agregar valor a matérias-primas, como o alumínio — ficou praticamente estável em 2025, com variação negativa de 0,1% em relação a 2024, de acordo com os indicadores industriais divulgados em fevereiro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O resultado reflete a desaceleração observada no segundo semestre do ano. Após acumular crescimento de 5,7% até junho, a indústria passou a registrar perda de ritmo, com quatro quedas em seis meses, incluindo recuo de 1,2% em dezembro.
Esse movimento reverteu o desempenho positivo de 6,2% registrado em 2024 e afetou cadeias industriais intensivas em transformação, como a do alumínio, que depende diretamente do nível de atividade da indústria e da construção.
Outros indicadores também contribuíram para o cenário de desaceleração. O número de horas trabalhadas na produção recuou 1% em dezembro em relação a novembro, embora tenha fechado 2025 com alta de 0,8%, sustentada pelo desempenho do primeiro semestre. Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu para 76,8% em dezembro e registrou média anual 1,2 ponto percentual abaixo da observada em 2024, sinalizando menor ritmo produtivo em diversos segmentos industriais.
Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o ambiente macroeconômico foi determinante para o desempenho do setor. Os juros elevados encareceram o crédito e limitaram o consumo, enquanto o aumento das importações pressionou a produção nacional.
“Esse desempenho é reflexo do patamar elevado das taxas de juros, que encarecem o crédito para empresários e consumidores. Essa é a principal causa da perda de ritmo da indústria, agravada pela forte entrada de produtos importados, particularmente de bens de consumo, que acabam capturando parte relevante do mercado consumidor”, explica.
Crédito da imagem de abertura: DC Studio/br.freepik.com




