No dia 8 de agosto, a Hydro promoveu o evento “Mudando o Jogo do Alumínio”, no Centro Cultural do Alumínio, em São Paulo, reunindo especialistas para discutir o papel da indústria na construção de um futuro mais sustentável, com foco na Amazônia e na descarbonização.
Mediado pela jornalista Rosana Jatobá, o workshop contou com a participação de Eduardo Figueiredo, diretor de Sustentabilidade e Impacto Social da Hydro; Beto Veríssimo, cofundador do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Centro de Empreendedorismo da Amazônia; e André Guimarães, executivo-chefe do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que debateram os desafios da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá no Pará em 2025, e a necessidade de equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade na Amazônia. Além disso, Carlos Neves, vice-presidente de Operações de Bauxita e Alumina da Hydro, apresentou as ações da empresa na transição energética e descarbonização da indústria do alumínio.
O evento apresentou ainda um painel sobre o papel do alumínio na construção de um futuro mais verde, com a participação de Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil; Janaina Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL); e Raul Jungmann, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ex-ministro da Segurança Pública e presidente do LIDE Mineração.
Atuação na Amazônia
No primeiro painel, os debatedores exploraram as complexidades da atuação industrial na região da Amazônia. Eduardo Figueiredo, da Hydro, destacou o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a busca de um futuro de baixo carbono.
“Temos um plano concreto para alcançar nossa meta de reduzir 30% das emissões até 2030 e estamos investindo significativamente para isso”, afirmou.
O diretor também ressaltou os esforços da empresa na recuperação da biodiversidade da Amazônia, almejando um “impacto residual zero” e um impacto social positivo, apesar dos desafios. Segundo Figueiredo, a Hydro opera com o princípio de que o desenvolvimento deve ser adaptado à realidade local, e não o contrário. Isso representa um desafio considerável, para o qual eles ainda não têm uma resposta definitiva.
“Temos controle, metas e estratégias, mas ainda buscamos a melhor forma de operar na Amazônia e gerar impacto positivo. Por isso, estamos estabelecendo parcerias com organizações que conheçam profundamente a região, a fim de direcionar nossos investimentos de forma mais eficaz e alcançar resultados positivos também na área social. Nossos direitos humanos são nossa base e queremos cada vez mais ser um agente de transformação positiva”, frisou Figueiredo.
Beto Veríssimo, do Imazon, trouxe uma perspectiva sobre o efeito da mineração na Amazônia, mostrando o desflorestamento provocado por essa atividade.
“O desmatamento causado pela mineração industrial na Amazônia é 0,0001%. Uma fazenda que está sendo grilada no Oeste do Pará desmata, neste momento, o que a mineração industrial inteira vai desmatar nos próximos anos”, revelou.
Para Veríssimo, o verdadeiro desafio está em promover o desenvolvimento social na região.
“Sabe-se que 48% da população da Amazônia está abaixo da linha da pobreza. Então, esse é o desafio. A região enfrenta uma combinação de problemas: jovens sem oportunidades, avanço do crime organizado e dificuldade de estabelecer negócios. A Amazônia é um ambiente complexo, tanto do ponto de vista ambiental como social. Sem uma economia forte, o crime organizado encontra espaço para prosperar”, alertou.
André Guimarães, do Ipam, defendeu a necessidade de um novo paradigma para o desenvolvimento da Amazônia que combine justiça social, zero desmatamento e investimentos em bioeconomia. E ressaltou a importância da união de esforços entre diferentes setores para alcançar esse objetivo.
“Precisamos unir forças com o setor privado, o qual pretende gerar um impacto positivo e um legado de desenvolvimento na região. Juntos, podemos aplicar o conhecimento adquirido em projetos-piloto ao longo de décadas, implementando-o em larga escala. Esta é a aliança que nos une: Imazon, Ipam, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Hydro. Acreditamos que essa é a chave para o futuro da Amazônia”, destacou.
Iniciativas
No painel “Case Hydro – Iniciativas pioneiras de transição energética e descarbonização na indústria do Alumínio”, Carlos Neves mostrou como a Hydro está pavimentando um caminho verde para a indústria com investimentos significativos em descarbonização. No Brasil, a empresa já destinou R$ 1,6 bilhão para projetos que visam a reduzir as emissões de carbono em suas operações.
“O alumínio é um metal estratégico nessa transição energética. E a empresa enxerga o alumínio como metal e solução do futuro para uma sociedade mais viável, impulsionada por suas características únicas de leveza, condutividade e reciclabilidade infinita”, considerou.
Na refinaria Alunorte, no Pará, a Hydro está investindo em caldeiras elétricas e na substituição do óleo combustível por gás natural. Essas caldeiras vão reduzir 550 mil t de carbono por ano. O investimento total nessas iniciativas é de R$ 318 milhões para as caldeiras elétricas e R$ 1,3 bilhão para a conversão dos equipamentos para gás natural. Com tais ações, a Hydro espera reduzir em 32% suas emissões até o final de 2024, saindo de 4,1 milhões de t de CO2 para 2,7 milhões de t.
“Em 2024, atingimos um marco importante, com investimentos concretos já em andamento, mas nossa jornada não para por aí. A empresa planeja reduzir 70% de suas emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Para atingir essas metas, planejamos investir em fontes de energia renováveis, como biomassa e biogás, além de continuar buscando novas tecnologias para aprimorar nossos processos”, afirmou Carlos Neves.
Além dos investimentos diretos em suas operações, a Hydro assegurou o fornecimento de energia limpa por meio de contratos de longo prazo. No Pará, a parceria com a New Fortress Energy garante o abastecimento de gás natural, enquanto a Hydro Rein, braço de energia renovável da empresa, fornecerá energia limpa adicional proveniente de fontes eólica e solar.
Amazônia: desafios e potencial
No terceiro e último debate, Raul Jungmann iniciou o painel com uma provocação: “O Brasil não tem projeto de governança para a Amazônia e nunca teve”.
Ele ressaltou a importância da região para o futuro do País e a necessidade de um modelo de desenvolvimento que concilie preservação ambiental, respeito às populações indígenas e mineração responsável. Jungmann acredita que empresas como a Hydro, que incorporaram a agenda ESG em suas operações, demonstram o potencial de uma solução virtuosa entre o alumínio e a Amazônia.
“A Amazônia é nosso principal ativo, a nossa identidade; o nosso futuro passa pela solução dessa esfinge. Defendo a criação de um projeto nacional que estabeleça diretrizes claras para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, conciliando preservação ambiental, respeito às comunidades locais e crescimento econômico. Além disso, é preciso obter uma ‘licença social’. Ou seja, a aprovação e o apoio da sociedade, fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento na região”, afirmou Jungmann.
Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, destacou a ambição da empresa de zerar suas próprias emissões e a importância da transparência nesse processo. E enfatizou a relevância do diálogo com o governo e a sociedade para construir um futuro sustentável na Amazônia. E alertou:
“Os problemas da Amazônia não se resolvem em dois, três ou oito anos. Temos de ser corajosos e unidos o suficiente para resolver esses problemas. Estamos abertos ao diálogo com a população, mas é importante entender que as soluções para os desafios da Amazônia exigem tempo e colaboração. Não podemos esperar resultados imediatos, nem atribuir a culpa exclusivamente ao governo ou a qualquer outra entidade. É preciso trabalharmos juntos, com uma visão de longo prazo, a fim de alcançarmos mudanças efetivas. E essa construção conjunta já está em andamento, o que me deixa otimista. Vejo os municípios também engajados nesse processo”, declarou.
Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, trouxe uma perspectiva mercadológica, destacando o potencial de crescimento da procura de alumínio, impulsionado por suas vantagens competitivas em diversos setores apontando para um futuro promissor.
“Existem estudos de organizações internacionais das quais nós somos parceiros, como o International Aluminium Institute, que projetam um crescimento da demanda por produtos de alumínio da ordem de 40% até 2030”, pontuou.
Janaina enfatizou que, mesmo com as oscilações do mercado brasileiro, a demanda por alumínio no Brasil é ascendente. Ela atribui esse potencial às características vantajosas do metal, como sua versatilidade, leveza e resistência mecânica, que os diferenciam de outros materiais. Além disso, o Brasil destaca-se pela forma como produz alumínio, agregando ainda mais valor ao produto.
“Nós fizemos um estudo de 2019 a 2022 para ver como o Brasil estava posicionado considerando a intensidade carbônica do alumínio. O estudo revelou que a intensidade carbônica do alumínio brasileiro é, em média, 3,3 vezes menor que a média global”, comemorou.
A presidente da ABAL também falou da importância da integração da cadeia produtiva do alumínio no Brasil, que garante maior resiliência em momentos de crise. E enfatizou a crescente demanda por rastreabilidade e controle da cadeia de custódia no comércio internacional.
“O consumidor atual, especialmente grandes empresas como Apple e BMW, está cada vez mais exigente e quer saber a origem do alumínio utilizado em seus produtos. Ele quer informações sobre onde o metal foi produzido, de onde o minério foi extraído, quais práticas foram empregadas na produção, qual tipo de energia foi utilizado, se ele é renovável ou não e se há potencial de utilização de material reciclado. Por esse motivo, a palavra de ordem do novo contexto internacional está vinculada ao controle da cadeia de custódia. E a rastreabilidade permite monitorar todo o processo, desde a origem até o produto final”, explicou.
Considerações finais
De acordo com Jungmann, o maior desafio que a humanidade tem, hoje, é uma transição para a economia de baixo carbono. E aqui ele analisa uma questão moral e ética importantíssima.
“Nós vamos deixar para os nossos filhos e netos uma natureza – solo, ar e mar – pior do que a que nós recebemos? Essa é a equação que está por trás desse desafio. Superar a emergência climática. Essa é a questão central. E não há a possibilidade de essa transição acontecer sem os minerais críticos; dentre eles, o alumínio é um mineral crítico fundamental. E o Brasil tem um enorme potencial nesse sentido. Nós precisamos convergir. Não dá para viver sem minerais no futuro, mas também não dá para não ter sustentabilidade, respeito à natureza, essência social, respeito à nossa Amazônia, respeito aos povos originais e assim por diante”, argumentou.
Anderson Baranov completou dizendo que, para chegar a esse objetivo, temos o desafio de unir todas as entidades, empresas e governos com o mesmo propósito.
“Não é responsabilidade exclusiva do governo, de uma associação, de uma ONG ou de uma única empresa. Todos nós precisamos estar conscientes e engajados para construir um futuro melhor para as próximas gerações. Por isso, a Hydro busca a transparência em suas ações, reconhecendo que cada passo em direção à sustentabilidade é fundamental. A COP30 acontece no ano que vem e nós estaremos 100% na transição energética e 100% trocando o óleo combustível por gás natural, pois buscamos sempre estar na vanguarda, contribuindo da melhor maneira para a sociedade”, declara.
Ao final dos debates, os palestrantes concluíram que o maior desafio na Amazônia não é o desmatamento ou a tecnologia empregada no desenvolvimento de soluções, mas sim o capital humano e a questão social. A COP30, que será realizada em Belém, poderá ser a primeira a abordar de forma integrada os temas clima, biodiversidade e questões sociais, o que é essencial para a região da Amazônia. E tanto a Hydro como outras empresas e o governo estão trabalhando para alcançar esse objetivo maior.
“Começamos a melhorar a parte social na Amazônia com investimentos, além das políticas públicas, outras grandes parcerias, desenvolvimento da mão de obra local, compras dentro da própria região, incentivando a economia local etc., pois, se a sociedade não perceber valor no que você faz, você não vai fazer”, finalizou Baranov.
Foto: Divulgação Hydro




