A Hydro, multinacional norueguesa e uma das líderes globais em alumínio e energia renovável, destaca-se no Brasil não apenas por sua vasta cadeia de valor, que começa na mineração da bauxita até o produto final e a reciclagem, mas também por sua expertise em extrusão, processo que transforma o alumínio em perfis para diversas aplicações.
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Em visita da reportagem do portal Revista Alumínio à planta da Hydro em Itu, no interior de São Paulo, Cleverson Ferrari, vice-presidente de extrusões da empresa, enfatizou a importância estratégica do Brasil no segmento de extrusão. Em um tour guiado, o executivo apresentou as tecnologias empregadas no processo produtivo, além de evidenciar as inovações, o pioneirismo dos produtos voltados para esse mercado e os avanços da Hydro no setor.

No Brasil, a Hydro opera três plantas de extrusão: Itu (SP), Santo André (SP) e Tubarão (SC). Juntas, elas têm capacidade para produzir cerca de 70 mil t por ano, sendo, aproximadamente, 25 mil t provenientes apenas da planta de Itu.
Da bauxita à solução final
A jornada do alumínio na Hydro começa com a bauxita, matéria-prima extraída e refinada para dar origem ao alumínio primário. Essa etapa inicial da cadeia produtiva é realizada pela Mineração Paragominas e pela refinaria Alunorte, no Pará – nossa reportagem visitou a operação da Hydro no Norte do País. Em seguida, o alumínio primário é processado pela Albras, uma das maiores produtoras de lingotes do Brasil e controlada pela Hydro, e então transportado para outras unidades da empresa, como a planta de Itu.
Em Itu, o metal segue para a fundição. Nessa etapa, o alumínio primário vindo da Albras, além da sucata reciclada, é fundido e transformado em tarugos — blocos cilíndricos que servem de base para o processo de extrusão. A extrusão, por sua vez, é uma das principais frentes de atuação da Hydro no País.
Os tarugos são inseridos em prensas que moldam o alumínio em dois tipos de produto: os extrudados gerais e os tubos de precisão. Os extrudados gerais incluem perfis metálicos de grandes dimensões, como barras e estruturas utilizadas em diversos setores da indústria.

Já os tubos de precisão, conhecidos como precision tubing, são peças técnicas de paredes extremamente finas, cuja fabricação demanda um processo de alta complexidade tecnológica. “É justamente nesse segmento, o de precision tubing, que está concentrado o grande know-how da Hydro, um diferencial exclusivo da empresa no Brasil desde 1998”, afirma Ferrari.
Segundo o executivo, é a partir desse processo que surgem os produtos finais para o cliente. E a aplicação deles é ampla e estratégica, está presente em diversas áreas, como bicicletas, escadas, luminárias, automóveis, elevadores, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e de construção, estruturas solares, cadeiras de praia, trens, entre outros.
“Só para se ter uma ideia, cada planta nossa deve ter milhares de ferramentas, e cada uma delas está ligada a uma aplicação diferente. No segmento de construção civil, por exemplo, os perfis são usados em janelas, portas, brises e diversas outras estruturas. No setor automotivo, a Hydro atua em duas frentes: com os tubos de precisão, voltados para sistemas de ar-condicionado e refrigeração, e com os extrudados, utilizados em componentes como blocos de válvula, freios ABS e sistemas antivibração”, explica.
O portfólio também abrange o mercado industrial, com aplicações que vão desde a agropecuária até o setor marítimo. Recentemente, a empresa conquistou a certificação American Bureau of Shipping (ABS), voltada para o mercado naval — um selo raro no mundo dos extrudados.
Tecnologia e inovação
Na planta da Hydro, o maior investimento em tecnologia e automação está concentrado na área de fabricação, em que são utilizados braços robóticos e outros sistemas automatizados a fim de aumentar a eficiência dos processos. De acordo com o vice-presidente de extrusões, embora as prensas de extrusão apresentem poucas diferenças entre si, os equipamentos mais recentes já chegam com alto grau de automação incorporado, o que dispensa adaptações posteriores e garante maior produtividade desde o início da operação.

A empresa também se destaca pela capacidade de personalização, desenvolvendo ligas de alumínio sob medida e soluções técnicas destinadas a necessidades específicas dos clientes. Atualmente, são mais de 25 tipos de liga diferentes em seu portfólio, alguns deles criados exclusivamente para aplicações específicas e que não são encontrados no mercado convencional.
“Estamos em um mercado muito competitivo no Brasil. E, para nós da Hydro, a estratégia não é competir em qualquer mercado, mas sim onde ninguém compete. Então, temos fugido daquilo que chamamos de “mais do mesmo”. Por isso, inovamos muito todos os dias para manter esse diferencial. É aí que está a nossa força, na inovação diária, o coração da empresa que pulsa o tempo todo”, revela Ferrari.
Sustentabilidade
No campo da sustentabilidade, a Hydro demonstra um compromisso global bem estruturado, que reflete em todas as suas operações, inclusive na planta de Itu. A empresa possui metas claras: reduzir em 30% suas emissões de carbono até 2030 e atingir a neutralidade até 2050. Esses objetivos, que pareciam ambiciosos no início, hoje são vistos como cada vez mais viáveis, graças ao foco e ao investimento contínuo na área. Isso porque, segundo o vice-presidente de extrusão, anualmente, parte do orçamento da Hydro é destinada exclusivamente a ações sustentáveis. Além disso, mesmo na ausência de regulamentações locais específicas, a empresa adota padrões europeus como referência. A recente certificação global da Aluminum Stewardship Initiative (ASI) recebida pela empresa reforça esse compromisso.
Outro ponto de sustentabilidade é relacionado à questão da reciclagem, pois grande parte do alumínio utilizado nos extrudados da empresa vem da reciclagem.
“Nós temos aqui na área de refusão o que chamamos de pátio de sucata. É lá que armazenamos todo o alumínio reciclado que volta para o processo. Nós combinamos esse material com o lingote para produzir novas ligas. Isso é possível porque o alumínio é sempre alumínio, você simplesmente o funde e o reaproveita 100%, sem perder suas propriedades e com praticamente zero desperdício”, aponta Cleverson Ferrari.
Desafios e oportunidades

Para a Hydro, um dos principais desafios visando a ampliar o uso do alumínio no mercado está na falta de conhecimento sobre o material. Há um preconceito comum de que o alumínio é frágil, o que não corresponde à realidade, na visão do vice-presidente da empresa.
“Tem aplicação de alumínio para alguns tipos de produto que estamos desenvolvendo até mais forte que o aço; mas, por ele ser mais leve, o mercado ainda tem preconceito”, explica.
Cleverson Ferrari menciona que o desconhecimento técnico sobre o metal ainda é grande, tanto no ambiente acadêmico como dentro das empresas, especialmente no segmento automotivo, entre as montadoras.
Para ajudar a preencher essa lacuna, a Hydro promove os chamados tech days, em que leva seu corpo técnico para dialogar, por exemplo, com montadoras e engenheiros sobre as propriedades, aplicações e vantagens do alumínio como solução para o mercado automotivo. A expectativa, segundo ele, é que esse esforço contribua para virar uma chave no setor e impulsionar novas oportunidades para o material.
Mercados como o de veículos elétricos e de energia solar representam grandes oportunidades para o alumínio. E a Hydro já atua fortemente nesse segmento, no desenvolvimento de estruturas para painéis solares, tanto para o solo como para telhados. O mercado da construção civil, por sua vez, conta com a Hydro em diversos projetos icônicos espalhados pelo Brasil como aeroportos,
estádios de futebol e fachadas de prédios famosos na América Latina.

Crédito da imagem de abertura: Divulgação Hydro




