Em 2024, mesmo sob a pressão de um cenário internacional turbulento por tensões geopolíticas, disputas comerciais e barreiras tarifárias, a indústria brasileira do alumínio não apenas resistiu às tempestades, mas mostrou ao mundo sua força e seu compromisso com a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico e social.
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Segundo o 54º Anuário Estatístico da Associação Brasileira do Alumínio, o faturamento do setor alcançou a marca de R$ 159,3 bilhões no ano passado, um crescimento de 21,2% em relação a 2023. E o destaque ficou por conta do consumo de produtos transformados, que atingiu um recorde histórico em 2024, totalizando 1,9 milhão de t, aumentando 13,5% quando comparado ao ano anterior, impulsionado pela demanda aquecida em setores como embalagens, construção civil, transportes e eletricidade.
Os bons números também estão nos investimentos brutos do setor: dispararam, totalizando R$ 6,4 bilhões, ou seja, superou os R$ 5,5 bilhões do ano anterior. Além disso, a importância do alumínio para a economia brasileira ficou ainda mais evidente em 2024, pois a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) do País alcançou 1,4%, chegando a 6,4% do PIB Industrial.
A indústria também contribuiu significativamente para os cofres públicos, com R$ 53,8 bilhões em impostos pagos, um aumento de 37,6% em relação a 2023. No campo social, o setor gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% perante o ano anterior.
“Os resultados de 2024 evidenciam a maturidade da indústria do alumínio, que tem respondido à demanda crescente de setores estratégicos como transportes, embalagens, construção civil e de eletricidade, com investimentos consistentes, inovação e geração de valor”, aponta Janaina Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).
Desempenho setorial
Em 2024, o setor de embalagens liderou novamente como o maior consumidor de produtos transformados de alumínio, com 610.600 t destinadas a esse segmento, representando 32,5% do total e um crescimento de 8,1% em relação a 2023. De acordo com a ABAL, essa alta é atribuída principalmente à melhoria da massa de renda das famílias e à queda das taxas de desemprego no País.
Já a construção civil, em 2º lugar, teve um consumo de 333.400 t, uma elevação de 21,7% em relação a 2023, representando 17,7% do volume total. A recuperação do mercado imobiliário, com demanda aquecida e redução do estoque de imóveis novos, foi o principal fator para esse desempenho.
Em 3º lugar, o setor de transportes consumiu 305.800 t de produtos de alumínio, correspondendo a 16,3% do volume total e crescimento de 11,1%. A demanda foi favorecida pelos avanços na produção de carrocerias de ônibus e implementos rodoviários, além de automóveis e comerciais leves.
O consumo no segmento de eletricidade também apresentou um progresso robusto: 18,9% em 2024, totalizando 228.800 t. Esse aumento é reflexo dos crescentes investimentos em linhas de transmissão e distribuição de energia, tendência que deve se manter até 2027, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para expandir e modernizar a infraestrutura energética brasileira.
Outros segmentos que apresentaram crescimento foram bens de consumo, com 193.200 t (9,3%), e máquinas e equipamentos, com 35.100 t (15,1%).
Como reflexo direto do aumento na demanda por alumínio nos diversos setores, o consumo per capita do metal passou de 7,8 kg por habitante ao ano em 2023 para 8,8 kg em 2024.
Bauxita, alumina e alumínio
Entre os destaques da produção brasileira, o alumínio primário se sobressaiu, com um crescimento de 8,8% em relação a 2023, alcançando 1,1 milhão de t. As exportações de alumínio primário e de ligas totalizaram 307 mil t, sendo Japão (54%), Holanda (19,3%) e Itália (11%) os consumidores mais relevantes.
A produção brasileira de bauxita alcançou cerca de 35,3 milhões de t em 2024, um ligeiro aumento de 2,3% em comparação com o ano anterior. O consumo doméstico do mineral também cresceu 2,2%, com 29,4 milhões de t. As exportações de bauxita tiveram um salto de 12,8%, atingindo cerca de 5,3 milhões de t, com Canadá (42%), Irlanda (25%), China (21%) e Grécia (10%) como principais destinos.
A produção de alumina no Brasil, por sua vez, cresceu 1,5% no ano passado, chegando a quase 10,6 milhões de t. O consumo doméstico registrou um aumento de 7,0%, com 2,3 milhões de t, enquanto as exportações alcançaram apenas 8,4 milhões de t, volume 2,6% inferior ao de 2023. Os maiores compradores foram Canadá (42%), Noruega (23%), Estados Unidos (16%) e Islândia (8%).
Superávit de alumínio em alta
A balança comercial da indústria brasileira de alumínio, que inclui bauxita, alumina e alumínio e seus produtos, gerou um superávit de US$ 3,38 milhões em 2024, o maior em dezessete anos. As exportações totais do setor atingiram US$ 5,5 milhões, enquanto as importações somaram US$ 2,17 milhões.
Considerando apenas o alumínio e seus produtos, as exportações brasileiras totalizaram US$ 1,7 bilhão, um aumento de US$ 64 milhões em relação a 2023, com um volume de 548.600 t (crescimento de 3,9%). Os maiores embarques seguiram para o Japão (30,4%), Estados Unidos (13,6%) e Países Baixos (11,2%).
Do lado das importações, o Brasil trouxe de fora 615.200 t de alumínio e seus produtos, sendo a China a principal origem (25,8%), seguida por Argentina (16,9%) e Venezuela (7%). No caso dos semifaturados e manufaturados, a China respondeu por 63,9% do volume importado.
“Seguimos cautelosamente otimistas para 2025, mas preocupados com a volatilidade do mercado internacional. O setor tem demonstrado enorme capacidade de superação, mas os riscos à frente são concretos e exigem vigilância e respostas estratégicas”, afirma Janaina Donas.
Imagem: Divulgação ABAL




