A indústria brasileira do alumínio celebra em 2025 um marco significativo: o ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões, iniciado em 2022. Esse montante foi direcionado a uma variedade de projetos cruciais para o futuro do setor, incluindo expansão de minas, retomada e aumento da produção de alumínio primário, novas plantas, tecnologias de reciclagem e inovação em processos produtivos. A sustentabilidade também foi um foco importante, com investimentos em autogeração de energia, eficiência no consumo de água e desenvolvimento de tecnologias para reduzir a pegada de carbono do setor.
A análise foi feita por Janaina Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), em entrevista concedida ao JR Business da Rede Record na última semana.

“Estamos encerrando um ciclo de investimentos de cinco anos e, somente em 2025, a previsão é de que dos R$ 30 bilhões sejam investidos mais de R$ 6 bilhões em diversos projetos e iniciativas. Para os próximos cinco anos, a partir de 2026, já estamos nos preparando para um novo ciclo de investimentos”, afirmou Janaina durante a entrevista.
Exportações

Segundo a executiva da ABAL, as exportações têm um papel importante no setor de alumínio, mas a principal prioridade da indústria brasileira é suprir o mercado interno. O País conta com uma cadeia produtiva completa, que abrange desde a mineração da bauxita até a reciclagem. E, diferente de outros minérios, mais de 88% da bauxita extraída no Brasil é processada internamente para gerar produtos de maior valor agregado. Por esse motivo, as exportações são diversificadas e concentradas nesses itens.
Além disso, a indústria brasileira do alumínio é altamente competitiva em qualidade e tecnologia, satisfazendo às necessidades de mercados exigentes. Um exemplo disso é a certificação global Aluminum Stewardship Initiative (ASI), criada para garantir a origem e a sustentabilidade do alumínio utilizado por grandes empresas, como Apple, BMW e Mercedes-Benz. O Brasil destaca-se nesse cenário, sendo um dos poucos países com empresas certificadas em todos os elos da cadeia produtiva de alumínio, respeitando critérios rigorosos de responsabilidade ambiental, social e eficiência energética.
Entretanto, de acordo com Janaina, a competitividade é impactada pelo “Custo Brasil”, especialmente pela falta de isonomia tributária entre produtos nacionais e importados.
“Há alguns anos, realizamos um estudo que mostrou que a carga tributária sobre a metalurgia e transformação no País varia entre 34% e 35%, enquanto os produtos importados são tributados entre 15% e 24%. A reforma tributária deve trazer avanços, podendo reduzir essa carga para cerca de 28%, o que é positivo, mas ainda superior ao necessário. É fundamental buscarmos maior equilíbrio com o mercado externo”, destacou.
Reciclagem
No que se refere à reciclagem, a presidente-executiva da ABAL relatou que o setor de alumínio tem enfrentado desafios, sobretudo diante de projeções que indicam aumento de 40% na demanda até 2030, conforme estimativas do International Aluminium Institute.
No Brasil, cerca de 60% do alumínio consumido vem da reciclagem, índice bem superior ao da média mundial de 28%. No entanto, a crescente exportação de produtos reciclados para outros países levanta preocupações na indústria brasileira.
“Precisamos garantir que o material reciclável permaneça no País para atender a nossa demanda interna e cumprir os nossos compromissos de descarbonização”, alerta a executiva.
Futuro promissor
Com mais de 500 mil empregos diretos e indiretos, a indústria do alumínio tem forte presença no Pará, Minas Gerais, Goiás, Maranhão e São Paulo. A ABAL, que completará 55 anos em 2025, é de extrema importância para o setor, fornecendo informações confiáveis, promovendo o uso do alumínio e defendendo os interesses da indústria.
“O consumo per capita de alumínio no Brasil é de 7,4 kg por habitante, muito abaixo da média global, de 22,4 kg por habitante. Isso indica um enorme potencial de crescimento no mercado interno”, afirma Janaina.
Primeira mulher a presidir a ABAL, a executiva finalizou a entrevista destacando o avanço da presença feminina na indústria.
“A indústria tem se mostrado cada vez mais aberta à diversidade, com crescente participação feminina em diversos cargos, do chão de fábrica à liderança. Isso demonstra uma mudança positiva e moderna no setor.”
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