O Museu de Arte de São Paulo (Masp) concluiu no final de novembro a construção do seu segundo edifício, ampliando significativamente sua área destinada a exposições. O diferencial da obra está no revestimento com chapas de alumínio perfuradas e plissadas (tipo de textura aplicadas às chapas de alumínio), uma escolha arquitetônica que alia controle da luz natural à eficiência energética.

Batizado de Pietro Maria Bardi em homenagem ao primeiro diretor artístico do museu, o novo edifício reforça o compromisso do Masp de preservar e valorizar sua história, reconhecendo os três fundadores da instituição. Completando a homenagem, o prédio original, projetado por Lina Bo Bardi, passa a se chamar Edifício Lina Bo Bardi.
“Esse é um momento histórico para a instituição e para a cidade de São Paulo. São dois edifícios que formam um único museu. O Edifício Pietro junto às atividades públicas no vão livre e os generosos espaços do prédio histórico formam um conjunto que marca uma nova fase do Masp, que se torna ainda mais inclusivo, diverso e plural”, afirma Heitor Martins, diretor-presidente do Masp.
Alumínio em destaque
Arquitetos do mundo todo geralmente escolhem o alumínio para projetos icônicos, buscando segurança, estética, qualidade e funcionalidade em um único material. Sua alta resistência mecânica a fatores como vento, chuva e corrosão torna-o ideal para diferentes projetos.

LEIA TAMBÉM:
Arquitetura: as vantagens do alumínio para estruturas famosas pelo mundo
Além disso, o alumínio traz uma excelente relação custo-benefício, garantindo baixo custo de manutenção, leveza, rapidez na montagem e longevidade com a vantagem ainda de ser infinitamente reciclável. Com qualidade estética e versatilidade, permite projetos inovadores e seguros, incluindo acabamentos variados para atender os designs mais inovadores.
Por esses motivos, a escolha do alumínio para a fachada do novo prédio do Masp, projetado pelo escritório Metro Arquitetos Associados, dos sócios Martin Corullon e Gustavo Cedroni e com participação do arquiteto Júlio Neves no projeto legal (o conjunto de documentos técnicos que a prefeitura exige para aprovar a obra, garantindo que ela siga as normas e leis), confirma a importância do material em projetos de alto padrão.

Um dos principais diferenciais do Edifício Pietro é esse revestimento com chapas de alumínio perfuradas e plissadas, uma solução inovadora que controla a incidência de luz natural e reduz o aquecimento interno. Essa “pele” metálica atua como um escudo protetor, diminuindo a carga térmica e aumentando a eficiência energética do edifício, com consequente alívio do sistema de climatização.
A fachada de alumínio, além de suas vantagens técnicas, envolve a construção do prédio com formas simples e bem-definidas. Essa escolha cria um diálogo marcante com o prédio principal do Museu, desenhado por Lina Bo Bardi, e destaca a função e a importância da nova parte da instituição.
“Apostamos em um visual limpo, uma fachada homogênea, para não criar ruídos na relação com o edifício histórico. Ao mesmo tempo, o design monolítico, inspirado nos museus verticais de Nova York, confere ao edifício um caráter próprio”, explica Martin Corullon, sócio da Metro.
O novo projeto faz sutis homenagens ao edifício original de Lina Bo Bardi por meio de uma seleção cuidadosa de materiais, que vão além do alumínio. Enquanto a pele de alumínio reveste o edifício até certa altura, materiais como piso de madeira maciça preta, pedra basalto e concreto aparente criam uma conexão entre as duas estruturas. O uso de vidro transparente no térreo mantém a integração com o entorno e a sensação de abertura característica do vão livre.
Certificação sustentável
A sustentabilidade está no centro do novo projeto do Masp. A fachada dupla de alumínio e os sistemas de ventilação inteligentes reduzem o consumo de energia, garantindo conforto térmico e economia. Isso foi crucial para a conquista da certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed).

O projeto arquitetônico também reflete a sustentabilidade na escolha de materiais duráveis como o alumínio e em formas atemporais. Esse minimalismo estrutural garante a longevidade da obra, preservando sua estética e funcionalidade ao longo do tempo e evitando grandes intervenções futuras. A sustentabilidade, portanto, ultrapassa a eficiência energética: une praticidade, estética e durabilidade em uma obra icônica.
Segundo a Metro Arquitetos, este foi o grande objetivo: criar um edifício inovador, funcional e sustentável que se integre harmoniosamente à paisagem urbana.
Inauguração

O novo edifício, Pietro Maria Bardi, com catorze andares e 7.821 m², aumenta em 66% os espaços expositivos do museu, com cinco novas galerias, duas áreas multiúso, salas de aula, laboratório de conservação, restaurante, café, depósitos e docas para obras de arte. Assim, a partir de março de 2025, o Masp dobrará de tamanho, passando de 10.485 para 21.863 m², incluindo o icônico “vão livre”.
“O Masp cresceu e ficou maior que seu edifício. Alargar as fronteiras era necessário”, afirma Heitor Martins.
Para celebrar a inauguração, o Masp dedicará 2025 às Histórias da Ecologia, com exposições e atividades que exploram a relação entre o ser humano e o meio ambiente. Em março, as novas galerias do edifício Pietro receberão recortes do acervo do museu e uma mostra sobre a história da instituição.

Mais informações: https://masp.org.br/
Fotos: Leonardo Finotti




