O mercado global de alumínio encerrou o terceiro trimestre de 2025 com superávit, revertendo o déficit registrado nos três meses anteriores. Segundo o Panorama do Mercado de Alumínio 3T25, elaborado pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), a desaceleração da demanda, aliada a uma oferta estável, resultou em um saldo positivo de 123 mil t, ante o déficit de 621 mil t observado no segundo trimestre deste ano.
Oferta e demanda globais
Essa mudança no balanço reflete, principalmente, o comportamento da procura por parte da China e de outras regiões. Após atingir níveis recordes no segundo trimestre de 2025, com 11,8 milhões de t, o consumo de alumínio primário chinês recuou, embora tenha se mantido no maior patamar já registrado para um terceiro trimestre, com 11,7 milhões de t — acima dos 11,5 milhões de t observados no mesmo período de 2024.
A redução foi mais evidente em julho e agosto, período marcado pela paralisação sazonal do verão e pela menor atividade industrial. Ainda assim, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de manufatura chinês mostrou recuperação nos meses seguintes, atingindo 50,5 pontos em agosto e 51,2 em setembro, o melhor resultado do ano.
Fora da China, o consumo de alumínio primário caiu de 7,15 milhões de t no 2T25 para 7,01 milhões de t no 3T25, um movimento considerado normal para o período. Nos Estados Unidos, o PMI industrial alcançou 53 pontos em agosto — o maior nível desde maio de 2022 —, impulsionado pelo aumento das novas encomendas. Na Zona do Euro, o índice alcançou 50,7 pontos, superando a linha de expansão pela primeira vez em três anos, o que indica uma recuperação gradual da produção e da demanda.
Esse comportamento ainda é considerado pela indústria como patamar elevado, o que contribuiu para uma leve recomposição dos estoques globais, que passaram de 46 para 48 dias de consumo no 3T25. Após quatro trimestres consecutivos de queda, os estoques oficiais voltaram a crescer, com pequenas entradas de metal ao longo do trimestre. Nos estoques da Bolsa de Metais de Londres (LME) e da Bolsa de Futuros de Xangai (SHFE), o volume subiu de 440 mil t no 2T25 para 637 mil t no 3T25 — mas ainda abaixo de 1,07 milhão de t registrados no mesmo período de 2024.
Preços em alta
Os preços do alumínio na LME mantiveram a trajetória de alta iniciada em abril, encerrando o trimestre com média de US$ 2.618/t — a 2ª maior desde 2022. Em outubro, o metal alcançou o valor spot (preço atual de mercado de uma commodity) mais elevado dos últimos três anos.
O prêmio Midwest (taxa adicional cobrada sobre o preço-base do alumínio estabelecido pela LME) também seguiu em alta, superando US$ 1.600/t, impulsionado pelas tarifas do governo Trump, que elevaram a taxa de importação para 50%. Em Roterdã, a valorização foi favorecida pela antecipação da procura local antes da implementação da primeira fase do Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM), prevista para janeiro de 2026. Apesar da elevação dos custos de produção, o avanço das cotações da LME ajudou a sustentar as margens das produtoras de alumínio ao longo do trimestre.
2025
A projeção para o fechamento de 2025 indica que a demanda mundial por alumínio transformado deve alcançar 105,2 milhões de t, perante os 102,2 milhões de t registrados em 2024. O crescimento será impulsionado principalmente pela China e Índia, enquanto a Europa e os Estados Unidos devem manter estabilidade.
As novas tecnologias — como data centers, robótica, energias renováveis e veículos elétricos — devem compensar a queda em segmentos tradicionais, como na construção civil chinesa. A estimativa de crescimento da demanda de alumínio transformado por segmento será de:
- Transportes: China +10% | Demais países -1%
- Construção: China -5% | Demais países +4%
- Embalagens: China +3% | Demais países +5%
- Energia: China +4% | Demais países +5%
- Bens de consumo: China +10% | Demais países +4%
- Máquinas e equipamentos: China +6% | Demais países +5%
- Outros: China +3% | Demais países +2%
Cenário brasileiro
No Brasil, o terceiro trimestre manteve o ritmo positivo. O setor automotivo foi destaque, com as exportações de veículos leves crescendo 51,6% no acumulado do ano e as de motocicletas avançando 13%, o que impulsionou o consumo de fundidos.
O segmento de ônibus cresceu 5% na comparação trimestral, e os implementos rodoviários avançaram 7%, indicando leve recuperação mesmo com juros elevados. Ambos os setores têm relação direta com o consumo de laminados e extrudados.
Na construção civil, as vendas de cimento superaram expectativas, acumulando alta de 3% no ano, impulsionadas pelo novo modelo de crédito habitacional (Sistema Financeiro da Habitação/Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e pelas melhorias no programa Minha Casa, Minha Vida. No setor elétrico, o leilão de outubro da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou R$ 5,53 bilhões em investimentos, estimulando a antecipação de compras de cabos e projetos de renovação por parte das distribuidoras.
Contexto internacional
No cenário global, os Estados Unidos mantiveram a tarifa de 50% sobre o alumínio sob a Seção 232, enquanto a União Europeia avalia impor uma taxa de 30% sobre exportações de sucata. O Brasil foi afetado pelas chamadas “tarifas recíprocas”, que elevaram a alíquota para 50% sobre diversos produtos, incluindo sucata, embora haja avanços nas negociações bilaterais.
Ainda assim, a demanda global por alumínio segue resiliente e com perspectivas positivas para o médio prazo. No Brasil, a diversificação setorial e os investimentos nos segmentos de energia e transporte sustentam uma trajetória sólida para o metal. A CBA destaca que a inovação, a sustentabilidade e a eficiência produtiva serão pilares essenciais para enfrentar o aumento de custos e aproveitar as oportunidades de crescimento nos próximos anos.
Foto: Divulgação CBA




