A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) chegou ao fim em Belém após transformar a capital paraense, pela primeira vez, no epicentro das negociações climáticas mundiais. De 10 a 21 de novembro, a conferência registrou mais de 510 mil acessos diários de pessoas aos espaços oficiais da Blue Zone e Green Zone e promoveu duas semanas de debates intensos envolvendo líderes globais, cientistas, empresários e representantes da sociedade civil em torno de ações concretas para conter o aquecimento global.
Com 550 mil m² de estrutura distribuídos entre a Blue Zone e a Green Zone, o evento mobilizou uma das maiores operações já realizadas para uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) no País. O fluxo contínuo de participantes confirmou o interesse crescente — tanto local como internacional — pelos temas centrais desta edição: aceleração da transição energética, ampliação do financiamento climático e proteção das florestas tropicais.

Aliado
Nesse ambiente de forte articulação global, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e as indústrias do setor marcaram presença estratégica na COP 30, reforçando ao mundo que o alumínio é parte indispensável das soluções para o clima. Com propriedades como leveza, durabilidade e reciclabilidade infinita, o metal foi apresentado como um aliado essencial na transição para uma economia de baixo carbono e para a construção de um futuro mais sustentável.
No decorrer do evento, a ABAL representou o setor nas discussões sobre circularidade na cadeia produtiva, descarbonização e inclusão social. Logo na primeira semana da conferência, a entidade inaugurou, na FreeZone Cultural Action, a exposição imersiva O Fantástico Mundo do Alumínio, convidando o público a explorar, por meio de vídeos, hologramas e jogos, o papel do alumínio na sustentabilidade — da transformação da bauxita a projetos de capacitação, geração de renda e desenvolvimento comunitário.
Esse protagonismo também se traduziu em avanços concretos para a reciclagem. A inclusão do alumínio na plataforma nacional de rastreamento e certificação de reciclados Recircula Brasil foi anunciada na Green Zone da conferência, em Belém, no momento da assinatura do acordo entre a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a ABAL. O lançamento, conduzido por Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), marcou a entrada oficial da cadeia do alumínio no programa, garantindo isonomia tributária, rastreabilidade e fortalecimento da economia circular. Segundo a ABAL, o metal já se destaca pelas altas taxas de reciclagem e baixa pegada de carbono, e sua inclusão amplia a competitividade do setor e o acesso a mercados internacionais.
A ABAL também promoveu uma ampla agenda de debates em diferentes espaços da COP 30, abordando reciclagem, mobilidade sustentável, políticas públicas e desenvolvimento da economia circular. Um dos momentos de maior relevância foi o painel “Pessoas que movem a economia circular: Integrando catadores à reciclagem de alumínio”, promovido em conjunto com o International Aluminium Institute (IAI) e a Aluminium Stewardship Initiative (ASI). O debate destacou a importância dos cerca de 20 milhões de catadores que sustentam a reciclagem global e defendeu sistemas mais justos e inclusivos para esses profissionais.
Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, participou diretamente da mediação de debates estratégicos, como “Materiais estratégicos e transição energética: Fundamentos para a descarbonização”, ao lado de representantes da Albras e do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ela também mediou outras discussões focadas no desenvolvimento inclusivo, incluindo a integração dos catadores à cadeia formal e a inovação aplicada à redução de impactos climáticos, contribuindo para ampliar a visibilidade de temas centrais para a indústria do alumínio.
A programação do setor se estendeu até o fim da COP 30, com debates também sobre financiamento climático, transição justa, adaptação urbana e circularidade industrial, além de oficinas promovidas pelo Centro Cultural do Alumínio (CCAL) focadas em inclusão e reaproveitamento do metal.
Lata de alumínio
Durante a conferência, a lata de alumínio também ganhou destaque como exemplo de economia circular eficiente. Na ocasião, foi apresentado um novo estudo pela consultoria britânica Innoval Technology mostrando que a reciclagem “lata a lata” proporciona ganhos ambientais expressivos, ao permitir que embalagens usadas retornem ao ciclo produtivo como novas latas, com redução significativa de impactos ambientais.
De acordo com a pesquisa, as latas de alumínio já têm uma das maiores taxas de circularidade entre todos os tipos de embalagem, podendo ser recicladas inúmeras vezes sem perda de qualidade, graças ao design avançado das ligas metálicas e à precisão da metalurgia. O estudo aponta ainda que, se 87% das latas recicladas retornassem à produção de novas latas, em vez de serem desviadas para outros mercados, seria possível obter uma redução adicional de até 50% nas emissões de gases de efeito estufa. A ampliação dos Sistemas de Depósito e Retorno (SDR) na União Europeia e no Reino Unido até 2030 deve contribuir para melhorar a qualidade dos resíduos e elevar as taxas de recuperação.
“Aumentar a circularidade das latas de alumínio é vital tanto para os objetivos de sustentabilidade como para a economia de nossa cadeia de valor. As evidências são claras: investir em tecnologias avançadas de reciclagem é essencial para reduzir emissões e impulsionar um futuro de baixo carbono”, afirma Ramon Arratia, Chief Sustainability Officer da Ball Corporation.
Outro destaque envolvendo a lata de alumínio na COP 30 foi a atuação da Ball Corporation, fornecedora oficial das latas de água do evento. As embalagens foram produzidas com 78% de material reciclado e com uso de energia 100% renovável, em parceria com as marcas Mamba Water e Amapura. Parte da receita obtida com as vendas foi destinada a projetos ambientais na Amazônia, reforçando o papel da lata como solução sustentável também no âmbito social e climático.
Iniciativas concretas
A Hydro participou de mais de trinta painéis na Blue Zone, Green Zone e FreeZone ao longo dos doze dias de evento. Executivos da companhia apresentaram ações concretas para a transição energética responsável, com foco na descarbonização, investimentos no território e no desenvolvimento das comunidades. A empresa também participou de encontros institucionais com representantes de comunidades, sociedade civil, governos e setores do alumínio e da mineração, reforçando seu compromisso com o diálogo e com a escuta ativa.
Entre os principais destaques cite-se a inauguração do Banco da Paz, instalado no Parque da Cidade, fruto de parceria com o Centro Nobel da Paz e empresas norueguesas. Produzido com alumínio fornecido pela companhia, o banco simboliza o retorno do material às suas origens, já que a empresa iniciou sua produção no Estado do Pará. Outro legado relevante foi o patrocínio ao recém-inaugurado Museu das Amazônias, que passou a integrar a agenda cultural da capital paraense com uma proposta imersiva em cultura, ciência e tecnologia da região.
Na agenda de compromissos climáticos da COP, a empresa reafirmou suas metas globais de reduzir 30% das emissões de CO₂ até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. No Brasil, destacou investimentos de R$ 12,6 bilhões desde 2022 em soluções de baixo carbono, como a substituição de óleo combustível por gás natural e a instalação de caldeiras elétricas na Alunorte, além do uso pioneiro de biomassa de caroço de açaí. Também apresentou projetos de energia renovável, como as usinas solares de Boa Sorte (MG) e Mendubim (RN) e o parque eólico Vento de São Zacarias, entre Piauí e Pernambuco.
A Alcoa, a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) e a Novelis também tiveram participação ativa em diversos painéis da conferência, com contribuições nas áreas de inclusão e diversidade, energia limpa, reciclagem, economia circular, sustentabilidade e conservação ambiental. Como parte da programação cultural da COP, a Novelis promoveu a exposição gratuita Art na Lata, uma intervenção urbana que reuniu quinze esculturas gigantes em formato de lata de alumínio, criadas por artistas paraenses, transformando o metal em expressão artística e reflexão sobre o futuro do planeta.
Legado
A Mineração Rio do Norte (MRN) também esteve presente nas semanas do evento e, além de participar de painéis, marcou sua presença com o lançamento do livro Onde Andei, Valeu a Pena, do pesquisador autodidata João Batista Fernandes, realizado no dia 19 de novembro no Domo da ABAL, na Free Zone. A obra reúne mais de quarenta anos de pesquisas, viagens e vivências do autor pela Amazônia, retratando seu legado científico e humano construído ao longo de décadas de atuação na região.

Na ocasião, a trajetória de João Batista foi relacionada aos 25 anos do Programa de Resgate de Epífitas da MRN, iniciativa que contribuiu diretamente para a consolidação de seu trabalho. Segundo o organizador do livro, Laercio Barbeiro, a publicação simboliza a união entre ciência, técnica e dedicação, ganhando ainda mais relevância ao ser apresentada no contexto da COP 30. O lançamento reforçou o compromisso da empresa com a valorização do conhecimento científico, da preservação ambiental e das pessoas que dedicam a vida à floresta amazônica.
“O Seu João já gerou impacto. São quase vinte anos de dedicação ao lado da MRN, apaixonado pela botânica, com quase cem espécies descobertas. Aos 82 anos, ele segue trabalhando e contribuindo. Esse livro é um reconhecimento a essa trajetória fantástica e temos muito orgulho disso”, destaca Guido Germani, CEO da MRN.
A Alubar, durante a COP 30, abriu as portas do seu casarão histórico, a Casa Rosada, em Belém, para uma ampla programação voltada à sustentabilidade, cultura e inovação. O espaço recebeu autoridades e contou com apresentação musical e com a inauguração da exposição Nossa natureza é transformar, além de debates, como o encontro “Comunicação para a transição”, e o lançamento do documentário sobre a linha de transmissão Manaus–Boa Vista. A agenda incluiu ainda discussões sobre integridade socioambiental, palestra do ministro Nelson Jobim sobre meio ambiente e economia no século 21, e visitas guiadas abertas à comunidade, mostrando o compromisso da empresa em aproximar a sociedade amazônica dos temas centrais do debate climático global.
Outros destaques
O Instituto Recicleiros teve uma forte participação na COP 30. Durante o evento, a entidade anunciou o projeto de implementação da coleta seletiva e reciclagem em Juruti (PA), em parceria com a Alcoa Foundation e a prefeitura local. Também promoveu painéis sobre cadeia ética da reciclagem e consumo consciente, com participação de representantes do governo federal, Instituto Akatu e o líder catador Tião Santos, além de integrar agendas com parceiros como o Ministério do Meio Ambiente, a Alcoa Foundation, o SIG Group e o Menos1Lixo.
Como destaque adicional da COP 30, a Itaipu Binacional apresentou o BotoH₂, primeiro barco de alumínio da América Latina movido a hidrogênio verde e energia solar, que será utilizado na coleta de resíduos em comunidades ribeirinhas.
Crédito da imagem de abertura: Divulgação COP 30




