Localizada no Vale do Paraíba, entre as duas mais populosas cidades brasileiras — São Paulo e Rio de Janeiro —, a paulista Pindamonhangaba recebeu o título de Capital Nacional da Reciclagem do Alumínio em 2003, concedido pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) — o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio foi celebrado recentemente, em 28 de outubro.
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A relação do local com o metal transcende ao alumínio. Em 2019, Pinda, como também é chamada, foi reconhecida como capital da metalurgia pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão do governo do Estado de São Paulo.
Fato é que a cidade, fundada em 1672, hoje com mais de 175 mil habitantes, tem inegável vocação industrial, graças à infraestrutura urbana — com disponibilidade de energia elétrica e gás natural — e à já citada localização estratégica. Com tantos atributos, em menos de 20 anos o município recebeu seis parques empresariais.
A história com o setor do alumínio teve início com a planta da Alcan, empresa de origem canadense cuja área de laminação atende desde 2005 por Novelis.
“Com a inauguração da fábrica em 1977, houve uma virada tecnológica incrível. Foi a Alcan que desenvolveu praticamente todas as tecnologias de alumínio no Brasil. Tudo o que há hoje sobre o metal foi feito com o suporte vindo do Canadá. A verdade é que ela foi uma escola para outras empresas”, lembra Ayrton Filleti, presidente Emérito da ABAL.
Até 1994, a Alcan fabricou essencialmente chapas de alumínio para latas de bebidas. A partir desse ano, a produção passou a ser realizada com alumínio reciclado, agora marca registrada de Pinda.

“Em 1998, a Alcan instalou o centro de reciclagem na região”, recorda Gustavo Faria, gerente de Negócios de Metal da Novelis Brasil.
Hoje, a unidade instalada no Vale do Paraíba é considerada o maior centro de laminação e reciclagem de alumínio da América Latina.
Anualmente, cerca de 60% de todas as latinhas de alumínio recicladas no País são processadas pela Novelis, percentual equivalente a mais de 17 bilhões de unidades. A planta conta com 1.500 profissionais e se destaca pela excelência operacional e equipamentos de última geração.
Investimentos
Recentemente, a Novelis investiu US$ 175 milhões para expandir a capacidade da planta, beneficiando os clientes de latas para bebidas e de especialidades na região com 680 mil t/ano do material, além de aumentar a capacidade de reciclar para 450 mil t/ano de alumínio. Com conclusão prevista para 2021, as obras deverão criar mais de 50 novos empregos.
O aporte acima inclui ainda um novo terminal ferroviário que conecta a instalação de Pindamonhangaba a importantes portos. A iniciativa promete reduzir as emissões de CO2 em até 73%, como resultado do transporte de produtos por via férrea ao invés de rodoviário.

A formação do polo
A construção da primeira unidade, em 1977, fez com que mais tarde um polo de empresas que atuam com o alumínio se estabelecesse na cidade. Em 1991, a Latasa foi pioneira ao iniciar as atividades no setor de reciclagem de alumínio e na implementação do sistema integrado de coleta e fundição em Pinda.
A empresa pertencia à Aleris International, mas foi vendida para um grupo familiar nacional em 2010, que posteriormente fundou o Grupo ReciclaBR, voltado à reciclagem de metais não ferrosos no Brasil.
“Nossa operação em Pindamonhangaba têm capacidade para reciclar 10 mil t de alumínio e são exclusivamente para venda ao setor de latas. Comercializamos para a Novelis, nossa parceira, o alumínio líquido e o lingote”, explica Mário Fernandes, CEO do Grupo.

Entre os investimentos mais recentes na região, Fernandes cita dois novos sistemas de exaustão — utilizados para evitar que as micropartículas geradas pela indústria se dissipem no ar — e uma linha fria, processo pelo qual a sucata passa antes de entrar para o forno. Com isso, há melhora no rendimento e na qualidade da liga.
“Pindamonhangaba é um polo importante. Tem muitas indústrias e mão de obra qualificada. Temos bom relacionamento com funcionários, colaboradores e parceiros, apesar das dificuldades tributárias de manter uma planta no Estado de São Paulo”, ressalta o CEO do Grupo ReciclaBR.
Em 1995, a cidade recebeu também a Elfer Alumínio, pertencente ao Grupo Cecil (laminação de metais). A empresa passou a atuar em duas frentes: no processamento de laminados de alumínio e na fabricação de peças para as indústrias automotiva, eólica, naval e de transformação, entre outras.
Toda a sucata gerada no processo de produção da Elfer é enviada à Novelis. Ali o material é reprocessado e transformado em bobina novamente.
“Ganhamos em logística e velocidade”, comemora Fábio Rocha Passerini, gerente de Negócios da empresa.
Recentemente, a Elfer investiu na mudança do layout da planta.
“Trocamos a posição de várias máquinas para facilitar o fluxo das peças e deixar a fábrica mais enxuta e rápida. A partir de um estudo recém-concluído, já ganhamos 10% em produtividade e a ideia é ampliar esse percentual”, afirma.
Outra novidade da Elfer é ter seu projeto sobre a produção de peças para tanques de combustível voltadas a caminhões – contemplado pelo Programa Rota 2030 do governo federal.
Impactos positivos
A chegada dessas indústrias tem colaborado com o desenvolvimento de Pindamonhangaba. Álvaro Staut Neto, secretário de Desenvolvimento Econômico do município, explica que o impacto positivo é sentido tanto na geração de empregos como nas várias cooperativas de reciclagem dedicadas exclusivamente ao recolhimento, prensagem e comercialização de todo tipo de alumínio, especialmente latas, incentivando novos microempreendedores e proporcionando aumento de renda.
Na área social, a Novelis atua em dois polos do Projeto Guri na cidade: Ciência Divertida e Formação Continuada de Professores, com apoio da Secretaria de Educação e Cultura.
Há, ainda, os projetos Escolas Saudáveis e Construindo Música. O primeiro contribui para a promoção da saúde e qualidade de vida de alunos da rede escolar. O segundo, direcionado à Educação Infantil, prevê 32 oficinas de iniciação musical e construção de instrumentos a partir da reutilização de materiais.





