Hoje, 28 de outubro, é celebrado o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio. Não por acaso. Afinal, a cadeia de reaproveitamento do metal no País é referência mundial. Além da liderança no segmento de latas, cujo índice médio de reuso é superior a 96% há mais de dez anos, chegando a 97,3% em 2018, o Brasil ostenta outra marca: consome 55,4% de alumínio reciclado, que o coloca acima da média mundial de 25,6%, de acordo com dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).
O maior centro de laminação e reciclagem de alumínio da América Latina está em Pindamonhangaba (SP) e pertence à Novelis. A companhia investiu US$ 175 milhões em expansão e deve alcançar, em 2021, a capacidade de 680 mil t/ano em laminação e 450 mil t/ano em reciclagem. Hoje, mais de 17 bilhões de latas de alumínio consumidas no País são recicladas pela empresa por ano.

No entanto, o metal derivado da sucata pode ser empregado em setores que vão além das embalagens, como na construção civil, indústria automotiva e bens de consumo. Ou, inclusive, retornar para o processo produtivo de origem.
O principal benefício dessa importante característica é ambiental, uma vez que o processo de reciclagem economiza 95% de energia elétrica e, consequentemente, reduz as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na mesma proporção, quando comparado à produção do alumínio primário. Além de ser infinitamente reciclável, o alumínio não perde suas propriedades.
Cápsulas de café
Em negócios cujo foco é a economia circular, como o de café porcionado da Nespresso, a reciclabilidade do metal faz a diferença. Neste ano, a companhia anunciou que, gradativamente, suas cápsulas de café serão produzidas com 80% de alumínio reciclado em nível global. O objetivo é que, até o final de 2021, todos os produtos da linha doméstica estejam em conformidade com o novo formato. Com isso, a empresa espera reduzir em até 19% a pegada de carbono de cada cápsula.

“O alumínio é um dos recursos mais valiosos do mundo. Ele pode ser refundido e reutilizado infinitamente, permitindo uma segunda vida aos resíduos gerados. O escolhemos para a composição de nossas cápsulas porque, além da reciclabilidade, protege o frescor, o sabor e o aroma do café”, comenta Claudia Leite, head de Criação de Valor Compartilhado, Cafés e Comunicação Corporativa da Nespresso no Brasil.
Das cápsulas para canetas, canivetes e bicicletas
E não para por aí. Após o consumo pelos clientes, as cápsulas de café são coletadas e passam por um processo de reaproveitamento realizado pela empresa.
“No Brasil, em nosso Centro de Reciclagem, fazemos a separação do pó de café do alumínio por meio de um maquinário de desenvolvimento próprio e que não utiliza água. O metal pode ser transformado em novos produtos, como canetas, canivetes e bicicletas, enquanto o pó de café vira adubo orgânico”, comenta Claudia.
Para viabilizar esses produtos, a companhia realizou diversas parcerias. As canetas são desenvolvidas junto com a marca Caran D’Ache, os canivetes com a Victorinox e as bicicletas com a empresa Vélosophy.
“Em países próximos à Alemanha, como França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça, as cápsulas já são refundidas e reformadas para se tornarem novas cápsulas”, acrescenta Claudia.

Peças para motores e componentes automotivos
A indústria automotiva já se beneficia do uso de alumínio reciclado há anos e cada vez mais busca novas soluções para garantir a redução de peso e o aumento da eficiência energética.
Empresa do Grupo Recicla BR, a Auto Parts, em Tatuí (SP), é especializada na fabricação de peças injetadas para motores e outros componentes a partir do alumínio reciclado. A liga 306, uma das mais utilizadas neste segmento, pode ser produzida com um mix de carga com sucatas, como por exemplo, blocos de motor, cavaco, entre outros e o metal primário.
“Não existe diferenciação entre a liga feita com metal 100% primário ou com uso do secundário na mistura. No final é exatamente o mesmo produto”, confirma Mário Fernandes, CEO do Grupo Recicla BR.
Segundo Fernandez, hoje a planta da empresa utiliza 1,5 t de alumínio por mês. O material vem de outras plantas do Grupo Recicla BR, que processa mais de 300 mil t de metais não ferrosos por ano, tanto primário como secundário. A companhia possui atualmente uma rede com 25 centros de coleta para captação de sucata em todo território nacional.

Tarugos sustentáveis
No setor de esquadrias de alumínio, a sucata do perfil gerada no processo de extrusão tem sido utilizada novamente no processo de fundição do tarugo — que, posteriormente, vai se transformar novamente em perfil.
“A qualidade é sempre a mesma. O alumínio é um dos principais metais que pode ser reciclado infinitamente e que mantém as suas propriedades”, explica José Carlos Garcia Noronha, especialista e consultor da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal).
“O processo industrial para conseguir o tarugo envolve uma composição de 50% a 60% de sucata de perfis. O tratamento é sustentável, pois não agride a natureza”, comenta.
Já a Metalex, empresa que faz parte da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) desde 2010, já nasceu produzindo alumínio a partir da sucata reciclada em sua planta sediada em Araçariguama (SP). Atualmente produz tarugos com diâmetro de 4 a 7 polegadas em diferentes ligas: convencionais, especiais e premium, e tem capacidade de produção de 75 mil t do metal.

Neste mês, se reposicionou no mercado e anunciou o investimento de R$ 50 milhões na aquisição de um forno Sidewell para aumentar a produção de tarugos e na instalação de uma nova linha de reciclagem para maximizar o consumo atual de sucata no mix de produção — de 60% até 80% a partir de 2023.
Com esse projeto de expansão, a empresa busca garantir além de ganhos em eficiência e produtividade, uma redução ainda maior da pegada de carbono na produção. Quando toda a linha estiver em atividade, a emissão de GEE será de 1,4 t CO2e (tonelada de dióxido de carbono equivalente) para cada t de alumínio produzido.
Crédito da imagem de abertura: divulgação Recicla BR




