A segunda-feira, 17 de novembro, foi movimentada para o mercado de alumínio na Green Zone da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém. No pavilhão da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o dia terminou com a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) entre a ABDI e a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), além do anúncio da expansão do Recircula Brasil, plataforma nacional de rastreamento e certificação de materiais reciclados.
Nesta nova etapa, a cadeia do alumínio passa a integrar oficialmente os segmentos monitorados pelo programa. O lançamento foi conduzido por Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e por Ricardo Cappelli, presidente da ABDI, com a participação de Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, que destacou que a inclusão do alumínio representa um avanço estratégico para o setor, o qual já se sobressai pelas altas taxas de reciclagem e pela baixa pegada de carbono.
“A rastreabilidade é um importante instrumento para garantir isonomia tributária e impulsionar a economia circular, além de fortalecer a competitividade e garantir acesso aos mercados internacionais. A expansão do Recircula Brasil é fundamental para demonstrarmos todo o valor ambiental do alumínio brasileiro e abrir mercados”, afirmou a presidente da ABAL.
A plataforma
Desenvolvido pela ABDI em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e operacionalizado pela Central de Custódia, o Recircula Brasil já rastreou mais de 50 mil t de plástico reciclado desde julho de 2024, envolvendo mais de trezentos fornecedores e clientes industriais. Segundo a ABDI, o sistema evitou a emissão de quase 495 mil t de CO₂, mas equivalente apenas no plástico. Com a entrada do alumínio, a previsão é certificar 300 mil t de material reciclável já em 2026.
A plataforma, que deve se expandir para vidro, papel, tecidos e outros setores, será oficializada ainda em 2025 como principal instrumento de verificação de metas regulatórias para a economia circular e clima pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), alinhando-se aos pilares da Nova Indústria Brasil (NIB).
“Em um mercado global cada vez mais exigente, a transparência do Recircula Brasil facilita o acesso a mercados internacionais e à negociação com grandes compradores. A inclusão do setor do alumínio reforça o compromisso da plataforma com a economia circular e a circularidade de recursos em diferentes indústrias, alinhando-se às metas da Nova Indústria Brasil, ressaltou Alckmin durante a cerimônia.
Painel do dia
Mais cedo, antes do anúncio da plataforma e da assinatura do ACT, o pavilhão da ABDI na Green Zone sediou o painel “Reciclagem e inclusão: o alumínio brasileiro na vanguarda da circularidade global”. Líderes da indústria debateram o potencial do País para assumir protagonismo mundial no segmento, sustentado por uma matriz energética mais limpa e por índices de reciclagem bem superiores à média global.
“O que a gente quis mostrar neste painel é como uma integração entre indústria, tecnologia, políticas públicas e catadores cria um modelo brasileiro de circularidade que pode inspirar o mundo”, ressaltou Janaina.
A executiva da ABAL lembrou na ocasião que cerca de 60% do alumínio consumido no Brasil vem da reciclagem — mais que o dobro da média internacional — e que a intensidade carbônica do produto nacional é 300% menor que a global, fatores que colocam o País em posição privilegiada diante de exigências ambientais internacionais, como o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, em inglês).
Foto: Divulgação ABAL




