Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas (o fim da escala 6×1) pode elevar de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia brasileira, o que representa aumento de até 7% na folha de pagamentos. Para a indústria, o impacto proporcional pode ser ainda maior, chegando a 11,1%, com acréscimo de despesas de R$ 58,5 bilhões e R$ 87,8 bilhões, a depender da estratégia adotada para manter o nível de produção.
O estudo considera dois cenários: compensação das horas por meio de pagamento de horas extras aos atuais empregados ou contratação de novos trabalhadores. Em ambos os casos, haveria aumento imediato de cerca de 10% no valor da hora regular para contratos acima de quarenta horas semanais. Caso as horas não sejam repostas, a consequência seria queda na atividade econômica, levando a resultados bastante negativos.
Os maiores impactos estão concentrados na indústria da construção e na indústria de transformação, setor responsável por agregar valor a matérias-primas, como o alumínio. Na construção, o aumento de custos pode chegar a 13,2%; na transformação, a 11,6%. Além disso, as pequenas e microindústrias tendem a ser as mais afetadas, devido à maior proporção de empregados com jornadas acima de quarenta horas e à menor capacidade de ampliar equipes.
Segundo Ricardo Alban, presidente da CNI, sem debate aprofundado e análise criteriosa dos impactos, a mudança pode comprometer não só a competitividade da indústria nacional, como toda a economia e o desenvolvimento do País.
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, causando pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda — e, consequentemente, do PIB brasileiro”, alerta Alban.
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