Você sabia que o lixo da mineração de bauxita, principal processo para extração da matéria-prima para a produção de alumínio, está virando tesouro? As empresas brasileiras do setor vêm provocando uma revolução na forma de lidar com os rejeitos da terra, trocando as antigas barragens por tecnologias que reaproveitam 100% dos resíduos e proporcionam um processo mais eficiente e amigo do meio ambiente.
A Mineração Paragominas, controlada pela Hydro do Pará, por exemplo, é uma das pioneiras no País a adotar o Tailings Dry Backfill, tecnologia que devolve os rejeitos inertes às áreas mineradas após a secagem, eliminando a necessidade de barragens permanentes. Desde 2019, mais de 20 milhões de m3 de rejeitos já foram gerenciados de forma sustentável, sendo devolvidos com segurança ao solo.
“Com isso, aproximadamente, 800 ha que seriam destinados para armazenamento permanente já estão disponíveis para ações de reabilitação e reflorestamento. Assim, unimos inovação, segurança e menor impacto ambiental em cada etapa do processo”, destaca Edil Pimentel, gerente de Operações de Mina da Hydro.
Outro exemplo é a Alcoa, que também aposta em soluções que reduzem e até eliminam a necessidade das Áreas de Resíduos de Bauxita (ARBs). Na sua unidade de Poços de Caldas (MG), a empresa implementou o empilhamento de material filtrado, com uso de filtros-prensa, que diminuem a umidade do resíduo, viabilizando a formação de pilhas compactadas e seguras, sem uso de reservatórios de água.

“Esse processo reduz o consumo de energia, a emissão de carbono e a área necessária para armazenamento, além dos ganhos ambientais, por possibilitar a revegetação de forma mais rápida”, explica Daniel Santos, presidente da Alcoa Brasil.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) deu um passo importante em 2024 ao adotar a disposição de resíduos a seco na sua barragem de Palmital, em Alumínio (SP), substituindo o método úmido tradicional por três filtros-prensa. A mudança, alinhada à Estratégia ESG 2030 da empresa, recupera soda cáustica, reutiliza a água no processo produtivo do alumínio e gera coprodutos que podem ser usados na construção civil.
Segundo Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade da CBA, a companhia também está desenvolvendo, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Haver & Boecker Latinoamericana, o projeto de Beneficiamento Móvel com a produção de tecnossolo nas suas operações da Zona da Mata mineira. A tecnologia transforma rejeitos em insumo para reabilitação ambiental, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e eliminando a necessidade futura de barragens.
“Esse processo vai aproximar a usina de beneficiamento mineral das frentes de lavra, utilizando novas tecnologias que viabilizam a separação sólido-líquido, permitindo o uso dos argilominerais para a produção de solo e o reúso da água no processo. A inovação visa a superar desafios da indústria mineral relacionados à redução de consumo, recuperação de água e redução da pegada de CO2, apontando para novos modelos e alternativas em busca da sustentabilidade da atividade minerária”, explica.
Segurança operacional
Além do uso das novas tecnologias, as três mineradoras têm um ponto em comum que é valor inegociável em suas operações: a segurança. Na Hydro, o Tailings Dry Backfill reduziu os riscos associados às barragens convencionais. E foram além:

“Nossas operações são monitoradas 24 horas por dia, com inspeções de campo, sensores de alta tecnologia e análises técnicas constantes. Também passamos por auditorias independentes e por fiscalizações rigorosas dos órgãos reguladores. Isso garante mais transparência e confiabilidade no que fazemos”, afirma Pimentel, da Hydro.
De acordo com Daniel Santos, da Alcoa, a empresa também segue rígidos padrões internacionais de engenharia, sendo auditada regularmente por equipes internas e órgãos externos. Conta ainda com sistemas de monitoramento em tempo real e mantém os planos de contingência constantemente atualizados.
Já a CBA possui um Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens (Sigbar), com monitoramentos diários, quinzenais, mensais e semestrais, além de auditorias externas conduzidas por especialistas independentes. A companhia mantém Planos de Segurança e de Atendimento a Emergências, com simulados, treinamentos e ações preventivas junto às comunidades locais e autoridades.
“A seguradora Swiss-Re, referência mundial em gestão de riscos, classificou todas as barragens da CBA com risco ‘AA’, o mais alto nível de qualidade. De acordo com a análise da seguradora, a qualidade das barragens de rejeito da CBA é significativamente superior à da média observada no mercado global”, ressalta Leandro Faria.
Transparência
Hydro, Alcoa e CBA também têm direcionado investimentos significativos para a transparência e o diálogo contínuo com as comunidades localizadas próximas às suas barragens. Na Hydro, a Mineração Paragominas mantém reuniões periódicas com moradores e lideranças locais, promove visitas técnicas para mostrar como funcionam as operações e divulga relatórios acessíveis à sociedade. O intuito é permitir que as pessoas que vivem nos arredores das unidades da empresa e os órgãos reguladores acompanhem de perto as suas práticas.
A Alcoa adota estratégia semelhante mantendo canais permanentes de comunicação com comunidades vizinhas, realizando simulados anuais de emergência com seminários para esclarecimento de dúvidas junto à população e participando de comitês locais com informações sobre segurança e projetos socioambientais.
“A confiança só se constrói e se conquista com diálogo permanente e transparente. Por esse motivo, queremos que todos os nossos públicos tenham acesso claro e confiável a informações e dados relevantes sobre as nossas operações”, afirma Daniel Santos.
A CBA, por sua vez, em linha com sua Estratégia ESG 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), atua com base em cinco pilares: Educação, Apoio à Gestão Pública, Dinamismo Econômico, Desenvolvimento Comunitário e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente.

Somente em 2024 houve 51 projetos em 23 municípios, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas. Os projetos são realizados em parceria com o Instituto Votorantim, organizações sociais, associações, cooperativas e lideranças comunitárias, além dos poderes Executivo e Legislativo.
“A CBA está comprometida em deixar um legado para as regiões onde atua e, principalmente, para as futuras gerações desses territórios. Ao estabelecer canais de diálogo, ações e parcerias com as comunidades, fortalecemos vínculos que trazem benefícios de longo prazo a todos os envolvidos, incluindo uma relação de confiabilidade e segurança”, acredita Leandro Faria.
O futuro da mineração
Daqui para a frente, o futuro da mineração dependerá do uso da tecnologia e de práticas mais sustentáveis e eficientes que reduzam os impactos no meio ambiente. Serão ações como essas adotadas pela Hydro, Alcoa e CBA que mostrarão o compromisso do setor em seguir um rumo mais seguro, responsável e preparado para os desafios do clima e da indústria.
“Para a indústria como um todo, acreditamos que o caminho é claro: investir em inovação tecnológica, reduzir a pegada ambiental e atuar com mais transparência e cooperação. Só assim a mineração poderá ser cada vez mais sustentável e segura”, afirma Edil Pimentel, da Hydro.
Daniel Santos, presidente da Alcoa Brasil, compartilha da mesma opinião, reforçando que a indústria deve continuar investindo em inovação para estimular a economia circular, unindo esforços para garantir operações cada vez mais seguras, responsáveis e alinhadas às expectativas da sociedade.
Por esse motivo, Leandro Faria, da CBA, reforça que a empresa investe para extrair a bauxita de forma sustentável, por meio de ações de reabilitação ambiental que garantem a devolução das áreas mineradas ao produtor rural em condições ambientais e de produtividade no campo ainda melhores do que antes da lavra.
“A CBA entende que um futuro verde é também mais colaborativo. Por isso, desde 2008, atua em conjunto com a Universidade Federal de Viçosa e parceiros no desenvolvimento de soluções tecnológicas que ampliem, cada vez mais, sua atuação sustentável na mineração e que inspirem a cadeia produtiva a aplicar as boas práticas ESG em suas operações. Isso acarreta impactos positivos para o meio ambiente.”
Crédito da imagem de abertura: Divulgação Hydro




