Celebrado em 28 de abril, o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho reforça um tema cada vez mais estratégico para a indústria do alumínio: a construção de ambientes produtivos mais seguros, eficientes e humanos. Instituída em 2003 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a data também homenageia vítimas de acidentes e doenças ocupacionais. No Brasil, o Abril Verde 2026 amplia esse debate dentro das fábricas e ganha relevância com a atualização da Norma Regulamentadora das Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (NR-01). A norma evidencia que, em um setor de alto risco, a prevenção precisa superar ações pontuais e se consolidar como parte da cultura organizacional.
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Avanços e resultados
Na prática, a evolução da cultura de segurança já se traduz em resultados concretos entre os principais players do setor do alumínio. A Termomecanica, por exemplo, registrou, em 2025, o melhor desempenho de sua série histórica na redução de acidentes.
“Esses números são frutos das ações contínuas promovidas pela empresa, bem como do engajamento de nossas equipes, as quais participam ativamente dos programas e iniciativas voltados à promoção de um ambiente de trabalho saudável e seguro”, afirma Alessandro Kleber dos Santos, superintendente-industrial da Termomecanica.
Na Alcoa, avançou-se na cultura de segurança, com melhorias tanto em indicadores quanto na forma como o trabalho é realizado.
“Observamos uma evolução na qualidade do planejamento das atividades, maior disciplina na verificação de controles críticos e aumento do engajamento das equipes nas discussões de segurança. Também houve crescimento significativo no volume de inspeções e verificações em campo, refletindo uma atuação mais preventiva e estruturada”, afirma Rodrigo Moreira, gerente-regional de Segurança Sênior da Alcoa.
A Novelis vem registrando uma redução consistente no número de acidentes ao longo dos anos, além de uma queda importante nos eventos envolvendo veículos industriais, um dos principais riscos da operação.
“Esses resultados são impulsionados pelo uso de novas tecnologias, pelo fortalecimento da cultura de segurança e pelo maior engajamento das lideranças e das equipes operacionais”, declara José Nilton Fonseca, diretor de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Novelis América do Sul.
Cultura de segurança
Flávio Trioschi, gerente-geral de Segurança no Trabalho da Mineração Rio do Norte (MRN), destaca três avanços na área de saúde e segurança da empresa: o fortalecimento da cultura por parte dos empregados; o maior engajamento das lideranças; e a manutenção consistente das taxas de ocorrências dentro dos melhores padrões mundiais.
Nos últimos anos, a AMG Brasil também avançou nas questões de segurança e saúde ocupacional, com uma cultura organizacional baseada no cuidado com as pessoas e na busca contínua por um ambiente de trabalho mais seguro e equilibrado. Entre os principais avanços estão a consolidação do Programa AMG Segura como um modelo integrado de gestão de riscos, a implementação dos padrões do Safety Management System (SMS) corporativo e o fortalecimento dos controles de processos críticos, com foco na prevenção de eventos de alta severidade. Esse movimento também se reflete na evolução dos indicadores de segurança, acompanhada por um maior engajamento das lideranças e das equipes nas rotinas de gestão.
“Para a AMG Brasil, saúde e segurança vão além da conformidade legal. São valores inegociáveis e parte essencial da nossa cultura organizacional. Acreditamos que um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e harmonioso é construído diariamente, a partir do exemplo da liderança e do engajamento coletivo, sempre alinhado aos princípios de ESG e ao compromisso com a sustentabilidade dos negócios e o cuidado genuíno com as pessoas”, destaca Edmar Castro, gerente-geral da Unidade de Materiais Especiais da AMG.
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O desafio da gestão
Apesar dos avanços, a gestão de segurança no Brasil ainda enfrenta obstáculos. Renato Rocha Canno, coordenador de Segurança do Trabalho do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), aponta que um dos erros mais recorrentes nas empresas é tratar o tema de forma reativa, focando apenas no cumprimento legal. Esse modelo resulta em rotinas sem controle, com treinamentos vencidos, falta de rastreabilidade em equipamentos de proteção individual (EPIs) e inspeções sem planos de ação. Para que as regras se consolidem como hábito, a conscientização deve ser ininterrupta.
“Quando a segurança deixa de ser apenas uma exigência e passa a fazer parte da cultura, o trabalhador se torna agente ativo na prevenção. Isso acontece quando há consistência, clareza nos processos e envolvimento das lideranças. Ambientes organizados, com rotinas bem-definidas e comunicação eficiente, favorecem a adesão e tornam o comportamento seguro algo natural”, afirma.
Tecnologia aliada
Em um setor de alto risco como o de alumínio, o uso de tecnologias avançadas, como sistemas de monitoramento em tempo real, intertravamentos e análise preditiva, já faz parte da rotina do setor. De acordo com Renato Canno, simuladores em realidade virtual permitem que profissionais treinem decisões críticas em ambientes controlados. Contudo, ele alerta que a tecnologia só entrega resultado quando integrada aos processos; ela potencializa a gestão, mas não a substitui.
Essa sinergia exige padronização em todos os níveis, incluindo prestadores de serviço. A exigência de capacitação e o monitoramento de terceiros são fundamentais para reduzir as vulnerabilidades. No campo da proteção individual, embora os EPIs tenham evoluído com sensores, o controle de validade continua sendo um desafio. Para o especialista, o maior retorno sobre o investimento está na organização dos processos: empresas preventivas reduzem riscos jurídicos e aumentam a eficiência operacional.
Saúde mental
Se antes o foco estava concentrado nos riscos físicos, hoje o aspecto psicológico ganha protagonismo, impulsionado por atualizações normativas recentes. A integração dos Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT) ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) com base na NR-01 tornou a escuta ativa uma prática essencial.
“Isso significa identificar perigos, avaliar e reconhecer o risco com escuta estruturada e evidências, e então definir medidas de prevenção e controle, registrando e monitorando ações de forma contínua, como se faz com os demais riscos ocupacionais”, pontua o coordenador do Sesi-SP.
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