A indústria brasileira da lata de alumínio para bebidas encerra 2025 fortalecida em duas frentes: o avanço da sua agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em português), apontado no Relatório Setorial da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), e a perspectiva de crescimento sustentável destacada por executivos das principais fabricantes durante o Encontro da Lata, realizado no início de novembro, em São Paulo.
Na edição de 2025 do documento, a Abralatas mostrou sua liderança global em circularidade e seu compromisso com políticas públicas de baixo carbono. O documento evidenciou conquistas importantes no ano, como a participação inédita no G20 (Fórum internacional que reúne as principais economias desenvolvidas), que levou a água mineral em lata para todas as reuniões do grupo no Brasil, ampliando a projeção internacional da embalagem como símbolo de sustentabilidade. Além disso, mostrou o lançamento da NBR 17194 — Embalagem de alumínio – Latas para bebidas, primeira norma técnica brasileira desenvolvida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que trata especificamente das embalagens de alumínio destinadas a latas para bebidas. O relatório também demonstrou o avanço rumo ao aterro zero — meta estabelecida pelas empresas fundadoras da Abralatas, que atualmente destinam menos de 1% dos resíduos gerados a aterros sanitários, promovendo a redução, reutilização, reciclagem e compostagem de materiais dentro da lógica da economia circular.
“Nosso principal compromisso é transformar a experiência de circularidade do setor em uma agenda de competitividade e desenvolvimento para o País. O Relatório ESG 2025 reflete o amadurecimento de um ecossistema que une inovação, inclusão e responsabilidade socioambiental”, afirma Cátilo Cândido, presidente-executivo da Abralatas.
Durante o Encontro da Lata, líderes da Ardagh Metal Packaging, Ball Corporation, Canpack, Crown Embalagens e Stolle Machinery destacaram a resiliência do setor em um cenário econômico que dá sinais de recuperação. Jorge Bannitz, presidente da Ardagh, ressaltou a importância de um tratamento tributário que reconheça o papel ambiental da lata, enquanto Fauze Villatoro, diretor-comercial da Ball, chamou a atenção para o crescimento acelerado da água em lata — de dois a três dígitos ao ano desde 2019 — mesmo diante da alta do preço do alumínio e da concorrência com outras embalagens. Paulo Dias, diretor-geral da Canpack, reforçou a expansão da lata para novas categorias, como bebidas funcionais e energéticos, mostrando um novo comportamento de consumo.
A perspectiva de estabilidade em 2025 e forte crescimento em 2026 também esteve no centro das discussões. Segundo Wilmar Arinelli, presidente da Crown, o desempenho do setor deve continuar positivo após um avanço de 7,5% em 2024 e mais de 40% na última década. Eventos próximos como Copa do Mundo, eleições e novas políticas devem estimular o consumo. Entre os desafios, os executivos assinalaram a importância da segurança e da rastreabilidade da lata na prevenção à adulteração de bebidas — um problema que ainda afeta cerca de 30% do consumo nacional.
Foto: Divulgação Abralatas




